Confissões de adolescentes

13/07/99

Eles se divertem nas festas e shows dando muitos beijos na boca, em parceiros diferentes, no estilo relâmpago. Os adolescentes descobriram que não ter compromisso é a melhor opção e, cada vez mais, estão preferindo ficar com várias pessoas ao invés de uma só. "Já fiquei com três numa noite”, diz Roberta*, 13 anos.

“Sempre vou a festas na casa de alguém, de um amigo. Não é um hi-fi, porque hi-fi é ridículo, ultrapassado”, explica Rafaela, do alto de seus 13 anos. Esta é uma fase de descoberta, de identificação com o grupo, onde o que prevalece é a questão da quantidade e não da qualidade. Os psicólogos dizem que os pais não precisam se preocupar; é apenas uma fase de afirmação. “Pode haver problema quando a família não se interessa pelos namoricos dos filhos. Existem pais que têm estrutura para passar segurança e apoio, mas outros se igualam aos filhos, na medida que possuem muitos parceiros e não conseguem controlar seus próprios relacionamentos”, alerta a psicóloga Eveline Fávero do Instituto Freud. “Meus pais não sabem de nada, nunca conto”, completa Rafaela.

Roberta tem muita experiência em relacionamentos curtos. No Colégio Jesuítas, é referência para os amigos que a acham meio atirada. “Prefiro ficar. Com o ‘ficante’ é sem compromisso. Fico com meninos mais velhos”. A química desse tipo de relacionamento é muito rápida: “Eu estou dançando e o garoto chega. Ele não sabe que eu já fiquei com outro. Começamos a conversar e aí rola. Às vezes, fico uns dez minutos e largo o garoto”, conta Roberta.

Fidelidade ameaçada
Há aqueles que acreditam na relação com apenas uma pessoa. ”Se você quiser namorar, tudo bem. Pode-se aproveitar namorando. Porque a maioria das meninas só querem saber de ficar. Muito por influência das amigas”, enfatiza Camila, 13 anos. Com os meninos, a coisa não é muito diferente. João, 15 anos, tem uma namorada, mas antes de começar o namoro ia muito no German Village para “paquerar e agarrar” as garotas. “Saía com uns cinco amigos, ficava com as meninas, mas nem me lembro de quantas por noite, umas três, acho”. Agora está com Letícia, 14 anos, que também parou de ficar com outros meninos. “Não tem nada a ver, só que prefiro namorar”. Felipe, 13 anos, se contradiz ao dizer que o importante é ficar, mas só com uma pessoa. Logo depois, declara que mais tarde vai chegar a hora de ter um compromisso e, por enquanto, tem que aproveitar.

Pais e filhos
“Acho que minha filha não está preparada para sair sozinha. Para ficar até mais tarde na rua, só quando está com a irmã mais velha”, considera Catarina Santana, 45 anos, mãe de Marina Santana, 13 anos. O ideal é que os pais não pensem que os filhos serão sempre crianças, mas também não abram muito espaço para existir abuso”, aconselha a psicóloga.

* Os nomes foram trocados por solicitação das fontes.

Colaboração: Marina Domingos,
estudante do 6º período
da Faculdade de Comunicação
da UFJF.

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