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    Brechó e moda reciclada O autêntico bom, bonito e barato

    Colaboração:
    Repórter Ana Maria Reis
    26/05/2000

    Mais que estar na moda, a mulher que compra em brechó está preocupada em fazer moda. Entre as adeptas do estilo vovozinha, existe a técnica do garimpo - revirar bancas e araras atrás de peças baratas e autênticas. Para conferir que tipo de tendência é esta, o JFService foi a campo garimpar a moda de segunda mão da cidade.

    Após dois dias "batendo perna" atrás de brechós e bazares, a impressão que fica é a que, diferente das lojas convencionais e seu público específico, o comércio da moda de segunda mão é uma verdadeiras feira de estilos. Confira:

    • Sofisticado: Blazers, paletós, conjunto de casaco e calça social em linho, seda e crepe..
    • Clássico: sobretudos e casacos compridos de couro, lã pesada, pele e tecidos aveludados.
    • Perua: transparência e renda em vestidos e blusas.
    • Roupa da vovó: veludo, croché, tricô e bordados rústicos. Aqui, reinam os agasalhos, casaquinhos, cardigans, batas.
    • Revival anos 50: boleros e saias pregueadas.
    • Revival anos 60: a moda hippie das saias longas e estampas indianas.
    • Revival anos 70: estampas coloridas e psicodélicas, golas pontiagudas e pantalonas.
    • Acessível: roupas de grifes conhecidas, vendidas a baixo custo.
    Roupa para todo tipo de gente
    “Possivelmente ela caminhava pelo Museu Mariano Procópio e, ao subir a avenida dos Andradas, em uma malha impecável, cabelo e unhas também, pára em frente ao brechó. Ao entrar, é interrompida pelo sinal do celular e começa a conversar em uma língua estrangeira. Desliga e pede para que a atendente mostre as peças em linho, crepe e couro. Pára novamente e atende o celular, agora, conversando em outra língua. Desliga e separa várias peças, na maioria casacos, calças sociais e blazers. ‘É que eu tenho casas em vários lugares e preciso de roupas de todas estações. Visto basicamente linho e só compro coisa boa, mas de segunda mão. É por isto que troco de carro a cada ano’.”

    Esta é só uma das histórias que Celina de Moura coleciona de sua clientela. Há 12 anos ela trabalha com compra e venda de peças de segunda mão e diz que vende para “madame, mocinhas que gostam de vestir a roupa da vovó e pessoas com baixo poder aquisitivo que namoram vitrinas de boutique”.

    Moda filantrópica
    Com um público não menos diferenciado, elas mantém sete instituições filantrópicas e pagam dízimo da Igreja vendendo e reciclando as peças que recebem da comunidade. As Mocinhas do Bazar, como gostam de serem chamadas, têm entre 50 e 80 anos e dão um banho de estilo em muitas lojas da cidade. A própria repórter, em apuração, levou para casa um casaco por R$15. “Um amigo que trabalha com moda em Nova Iorque falou que era veludo legítimo”, comenta a jornalista, surpresa com o excelente acabamento da roupa.
    Como em bazares filantrópicos, a procedência das peças é diversa, conseguimos modelos curiosos:

    Veste em lã com franjas nas mangas e barra, à moda dos Andes, por R$10.

    Um modelo no estilo Jackie Kennedy, em pelúcia espessa por R$30.

    Uma bata de flanela, que abrigou a barriga de alguma vovó, por R$7.
    Moda reciclada
    A garimpagem pode ser trabalho para alguns, como é o caso de Leticia Nogueira, Maria Amélia Barbosa e Marilia Nascimento. Elas estiveram em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e nos próprios bazares da cidade para comprar peças, com o objetivo de montar uma boutique especializada em reciclar roupas.

    De acordo com Leticia, que lida com moda reciclada há 10 anos, o alvo do garimpo foram os tecidos, em especial, os veludos canelados ou molhados, couro, pele, lã.

    À esquerda, na foto, Leticia segura um vestido bordado, no melhor estilo Twiggi, a modelo, ao centro, veste uma blusa em que o tecido era de uma saia e a gola, em renda, posteriormente bordada com canutilhos, de outra peça. Ao seu lado, Maria Amélia, a responsável pelos bordados da grife.

    Dificilmente uma peça será vendida como foi adquirida, quando com defeito, ela é desmanchada e refeita, mas na maioria dos casos elas dão origem a outras completamente diferentes, comenta sobre o legítimo trabalho de reciclar peças.
    O velho e o novo em total harmonia
    Mas, por que a roupa da vovó anda invadindo o guarda-roupa da garotada? Para a estilista Leticia Nogueira, a estética atual é um revival, mas a linha do corte-costura é nova, é do “nosso tempo”.

    Para ela, que está para inaugurar uma loja no ramo, a moda atual é mais permissiva e, por isto, mais alegre. “Isto tudo acaba casando com o estilo brechó, o multicor e a extravagância”, analisa. “O objetivo de uma boutique que trabalhe com peças recicladas é a busca pelo ‘exclusivo’, que na maioria das vezes só é encontrado em peças antigas devido à excelência do material”, fala sobre a valorização do velho na estética de hoje.

    Dicas
    Os tecidos são extravagantes ou de cores fortes, mas como o corte das peças não permite poluição, o visual brechó pode se dar ao luxo de abusar das bijouterias e acessórios. Esta linha é sempre muito variada, vai do básico ao exótico - pedras, arames, sementes, cordas, brilho etc.

    Nos bazares, encontram-se por R$ 1, R$ 2 ou R$ 3 gravatas em ótimo estado. Como são sempre coloridas e estampadas, vale desmanchá-las para confeccionar uma saia pra lá de irreverente!

    (Fonte: Leticia Nogueira, estilista de moda)

    Quanto custa garimpar?
    Nas pistas de dança, o revival anos 70 comanda a festa ao som da dance music ou dos timbres eletrônicos. Muitas peças com estampas psicodélicas, com ou sem manga, podem ser encontradas em brechós por preços baixíssimos. Os modelos, em geral, custam entre R$ 4 e R$ 5. Em uma das lojas da cidade, modelos parecidos podem ser comprados por até R$ 35. Fique por dentro:

    • Casaco de couro - R$ 40 a R$ 50
    • Sobretudo em brim - R$ 30 a R$ 35
    • Casacos de lã pesada - R$ 50 a R$ 60
    • Blazers e casacos em linho - R$ 15
    • Conjunto blazer/calça em linho ou crepe - R$ 25
    • Calça jeans - R$ 5 a R$ 8
    • Calça de veludo canelado - R$ 8 a R$ 10

    Brechós e bazares
    Para os futuros aventureiros da “garimpagem”, foram fontes da nossa matéria:

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