Pesquisa traça potencial de consumo
para o Natal de Juiz de Fora

Repórter Luciana Mendonça
28/10/99

Quinhentos Reais. Este é o valor estimado para as compras de Natal da auxiliar administrativa Luciana Arcuri Mendes, moradora do Bairro Poço Rico. Com uma imensa lista de pessoas para presentear, que começa nos filhos e marido e se estende a irmã, sobrinhos, sogra, cunhados e amigos, os gastos vão consumir um terço do orçamento da casa (calculado em 13 salários mínimos), mas, segundo ela, esta despesa extra valerá à pena. “Quero dar presentes úteis para as pessoas. Alguma coisa que todos aproveitem bastante.”

Luciana está entre os 6,11% de moradores de Juiz de Fora dispostos a gastar até R$ 500 com as compras do “Papai Noel”. Um valor alto, se comparado aos 19,31% de juizforanos que não pretendem comprar mais que R$ 50 em presentes de Natal. Mas a maioria dos consumidores da cidade (50,33%) nem parou para pensar neste assunto até agora. É o caso do técnico em informática Anderson Dias Ribeiro, 23 anos, morador do Bairro Grama, que ainda não tem previsão de gastos para as compras de final de ano.

Os dados estatísticos sobre como deverá ficar o consumo em Juiz de Fora no Natal de 1999 foram levantados através de uma pesquisa de campo realizada pela Perfil Pesquisa e Consultoria, pela amostra representativa de 803 pessoas, ouvidas em toda a cidade. Os consumidores responderam sobre quanto pretendem gastar este ano com as compras de Natal e que tipo de presente deverão comprar.

As respostas foram coletadas juntamente com um perfil dos entrevistados, contendo informações sobre bairro e região em que moram, assim como sexo, faixa etária, escolaridade, renda familiar, ocupação, prestígio e auto-avaliação de personalidade. Os dados obtidos foram analisados pela Perfil e estão apresentados na forma de 18 tabelas e um relatório, que traça o perfil de consumo do juizforano no Natal de 1999.

Duas tabelas gerais da pesquisa estão disponibilizadas gratuitamente no JFService (clique aqui para vê-las) para os empresários e demais interessados em conhecer o potencial de vendas neste final de ano na cidade. O trabalho completo está sendo comercializado via Internet na home-page da Perfil, em www.artnet.com.br/~perfil.

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Lojistas apostam no aumento do consumo no Natal

Os comerciantes de Juiz de Fora têm boas expectativas para as vendas de final de ano e já se preparam, desde meados de outubro, contratando e treinando novos funcionários. É o caso do gerente da “Magazine Demanos”, Joaquim Campos. A empresa já empregou e está treinando dez funcionários para trabalharem temporariamente durante os meses de novembro e dezembro. “As pessoas estão com o dinheiro curto, mas o Natal é especial e elas sempre guardam um pouco para os presentes”, afirma Campos. De acordo com a gerente da “Levis Criações e Opções”, Maria Aparecida Dias, as duas filiais e a matriz da loja também já estão contratando e treinando novos vendedores à espera do aumento na demanda.

Os representantes do Sindicato do Comércio Varejista de Juiz de Fora (Av. Rio Branco, 2588/501; Centro) ainda não definiram o horário especial de funcionamento dos estabelecimentos comerciais da cidade para as festas de fim de ano, mas no início de novembro, as lojas começam a ser enfeitadas com motivos natalinos. As empresas que trabalham com enfeites de Natal, como as Lojas Americanas, já estão expondo artigos deste gênero nas prateleiras.

Crise reduz mercado consumidor

A dona de casa Maria das Dores, 61 anos, moradora do Bairro Jockei Clube, não deverá gastar com presentes para o Natal deste ano. Endividada com uma reforma na casa e com um orçamento doméstico de apenas três salários mínimos, ela sente não poder presentear os netos. Situação semelhante vive a professora Sueli Silva Nery, 50 anos, que mora na cidade de Bicas e trabalha em Juiz de Fora. Ela pretende dar apenas “lembrancinhas” para os familiares neste Natal. “Presente caro não dá. Nem sei se vou receber o 13º salário do Estado.”

Com a desvalorização da moeda brasileira frente ao Dólar, as empresas que, nos anos anteriores, investiram nos produtos populares vendidos ao preço fixo de R$1,99, estão sentindo a queda no faturamento. As mercadorias, a maioria delas, importadas, ficaram bem mais caras e o consumidor não aprovou os novos preços. O gerente de uma destas lojas em Juiz de Fora, que preferiu não se identificar, afirma que, ao invés de a loja contratar novos funcionários para o final de ano, vai demitir alguns. Segundo o gerente, a loja filial será fechada, ficando apenas a matriz. Ele tem uma má expectativa com relação às vendas de final de ano. “Podemos até vender mais do que estamos vendendo agora, mas não acredito que vamos faturar mais do que no Natal do ano passado. As vendas para o Dia das Crianças não foram boas e isso já foi um sinal.”

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