Internet de graça
quem paga a conta?

Repórter: Emilene Campos
21/01/2000

Democratização ou jogada de marketing? Essas questões são recorrentes quando o assunto é Internet gratuita. Por outro lado, você já imaginou como funcionaria um provedor, sem a principal fonte de receita: a conta de acesso? A taxa representa mais de 80% do faturamento, seguidos de outros serviços como hospedagem de sites, desenvolvimento, suporte, propaganda e comércio eletrônico, explica o engenheiro Henri Bigatti, do provedor de Porto Alegre, LogicNet .

Para o presidente da regional sudeste da Associação dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet de Minas Gerais (Abranet MG) , Márcio Guimarães de Faria, a questão não se restringe à sobrevivência deste ou daquele pequeno provedor. “Se o governo não tomar uma providência, o Brasil vai perder o bonde do comércio eletrônico, vamos entregar nosso mercado às empresas estrangeiras", opina referindo-se a operadoras de telefonia que hoje atuam no Brasil.

“ Se este processo não for regulamentado serão constituídos grandes oligopólios que, além de deterem o controle tecnológico do e-commerce, vão tirar do Brasil mais essa fonte de receita”, enfatiza. Henri Bigatti tem opinião semelhante. Ele acredita que os provedores de acesso gratuito estão preparando um grande golpe no mercado de Internet e de telefonia. “A explicação que nos dão é que a propaganda e o comércio eletrônico pagarão os custos. Ora bolas, eles querem nos fazer crer que estão torrando U$ 120 milhões numa aposta que não se tornou realidade em lugar algum do mundo, nem nos EUA, argumenta ao citar as cifras gastas pelo provedor iG.

Faria explica que o acesso gratuito é inviável economicamente. Segundo ele, as transações de comércio eletrônico brasileiro, em 1999, não ultrapassaram a marca dos R$ 67 milhões. Uma quantia pequena se comparada à empresa norte-americana Amazon que, só no último trimestre de 99, embolsou US$ 650 milhões (R$ 1.157 bilhão, na cotação do dia 21 de janeiro de 2000).

O ganho com publicidade foi um pouco maior: cerca de 80 milhões e as perspectivas para este ano apontam o dobro destes valores, R$150 e R$170 milhões respectivamente. Mesmo assim, isso não seria suficiente para manter as empresas de provimento funcionando. “O custo total (somando os gastos de todos os provedores) da Internet no Brasil é de 800 milhões, o que inclui impostos, link, equipamento e pessoal. Confrontando estes números, ou o serviço seria extremamente precário, ou há algo não revelado nesta história”.

Se hoje a manutenção do sistema é considerada inviável, imagine quando estes provedores contabilizarem um milhão de usuários. De acordo com nota publicada dia 20 de janeiro site Blue Bus, quando o serviço de acesso atingir esse número, o empreendedor vai gastar mensalmente R$ 12 milhões para mantê-lo.

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