Orgânicos: alimentos 100% naturais

Cultivo de orgânicos foi impulsionado pela ECO 92

Apesar de a agricultura orgânica ou ecológica ter ganhado força em 1997, a atividade vem sendo desenvolvida no Brasil há dez anos. O movimento começou a ser reconhecido após a ECO 92, evento realizado no Rio de Janeiro, que reuniu representantes de todo o mundo para discutir as agressões ao meio ambiente. “Em 97, os orgânicos ganharam espaço na mídia. Até então, poucas pessoas os conheciam e os próprios agrônomos não conferiam muita credibilidade a eles”, conta o engenheiro agrônomo Bernardo Hill. Segundo ele, por ser muito difundida a produção com o uso de agrotóxicos, os técnicos não acreditavam que o produto pudesse ser de boa qualidade.

Ao contrário do que se imagina, os orgânicos podem ser encontrados nos supermercados de Juiz de Fora. Agrião, alfaces americana e crespa, brócolis, couve, espinafre, repolho, rúcula, abobrinha, berinjela, cenoura, pepino, quiabo e banana são alguns dos itens disponíveis nas prateleiras. Geralmente, estão embalados em bandejas de isopor (foto acima) e identificados com o selo de qualidade. É importante ficar atento a este detalhe. O selo é concedido pela Associação de Agricultura Orgânica, entidade sem fins lucrativos que fiscaliza a qualidade dos orgânicos.

O preço da saúde

Os orgânicos são em média 30% mais caros que os produtos tradicionais. A diferença decorre dos gastos com embalagem e dos riscos que a lavoura orgânica sofre, já que os estudos nessa área ainda estão em desenvolvimento. “Como os produtos variam de preço com freqüência, o percentual pode ser maior ou menor dependendo da época”, esclarece Bernardo. É o caso do brocólis. A hortaliça pode ser adquirida por R$1,45, na empresa de Bernardo. O mesmo valor praticado no produto tradicional por alguns dos supermercados da cidade.

Mesmo ciente da diferença, Marlene Brandão Barbosa não se importa. “Prefiro valorizar minha saúde. O que adianta economizar nesses itens e depois ter que gastar com remédios e passar pelo transtorno de ficar doente?”, argumenta. “Fico mais tranqüila sabendo que estou adquirindo um produto mais saudável”, completa.

Para Cledson Vidgal, os produtos orgânicos saem até mais em conta. Os enlatados e outros alimentos é que oneram o orçamento, segundo ele. “Por conta da correria do dia-a-dia, as pessoas pagam caro para comerem mal. O que pode provocar conseqüências irreparáveis à saúde”, opina.

O que são os alimentos orgânicos?

Alimentos orgânicos são aqueles produzidos livre do uso de agrotóxicos e conservantes químicos. Para substituir os defensivos químicos, entram em ação adubos naturais como pó de rochas, farelo de algodão e mamona, composto de palha curtida, conchas moídas, entre outros. São usadas ainda “caldas” de alho e pimenta que contribuem para o combate às doenças e aumentam a fertilização do solo. Isso porque, além da melhoria dos produtos, a agricultura orgânica ou ecológica prega a manutenção dos solos e o respeito às particularidades de cada região.

O engenheiro agrônomo Bernardo Hill explica que o sucesso neste tipo de agricultura depende do conhecimento acumulado de cada agricultor. “Nesse processo, o homem só intervém quando tem um problema”, completa. Mesmo correndo riscos de perder a safra por conta de uma praga desconhecida, Hill acredita que o empreendimento vale a pena. “O produto tem mais qualidade e, a cada dia, vem sendo mais valorizado no mercado”, argumenta. É o que demonstram os gráficos de sua empresa. No período de 1998 a 1999, sua receita cresceu 300% e a produção já atingiu a marca dos 25 mil itens por mês.

Pioneiro na região, o engenheiro agrônomo Bernardo Hill comercializa os orgânicos em Juiz de Fora desde 1993. Os produtos podem ser encontrados em alguns supermercados da cidade ou através do sistema de entrega a domicílio. No sítio, localizado próximo ao bairro Grajaú, Bernardo e sua equipe produzem desde hortelã, espinafre e couve chinesa até chuchu, jiló e quiabo. Ele revende ainda para São Paulo. Mais informações: http://www.valedafruta.com.br

Consumo de orgânicos deixa de ser modismo

De acordo com a revista Globo Rural do mês de junho a demanda de consumo de alimentos orgânicos tem crescido de 20% a 25% ao ano na Europa, e nos Estados Unidos esses produtos já romperam o circuito exótico e esporádico. A expectativa, segundo o grupo norte-americano Globorganic, de Boston, é que no prazo de cinco a oito anos, a economia do orgânico vai explodir nos países ricos.

No Brasil, a evolução é mais lenta, mas já existem agricultores apostando neste setor. É o caso da Usina São Francisco, de Sertãozinho, no norte paulista, que acaba de lançar seu açúcar orgânico, o Native. A expectativa inicial é vender 12 mil toneladas por ano só no Brasil.

Links sobre Agricultura Orgânica

Para saber sobre Agricultura orgânica consulte:

Conteúdo Recomendado

Comentários

Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.