Pacientes relatam falta de cobertores no HPS durante período de frio; Prefeitura nega

Acompanhantes afirmam que pacientes passaram frio por falta de cobertores; administração do hospital diz que estoque é suficiente para atender a demanda.

Por Isabella Oliveira

Mulher sem identifica??o ? internada no HPS

Relatos de pacientes e acompanhantes apontam possíveis dificuldades no acesso a cobertores no Hospital de Pronto Socorro Dr. Mozart Teixeira (HPS) de Juiz de Fora durante as madrugadas de frio registradas nos últimos dias. As denúncias foram encaminhadas à reportagem do Portal Acessa.com e descrevem situações em que pacientes teriam permanecido por horas sem proteção adequada contra as baixas temperaturas. A Prefeitura de Juiz de Fora, entretanto, afirma que não há falta de cobertores na unidade e que o estoque disponível é suficiente para atender à demanda hospitalar.

Iolanda Mercedes Nascimento contou que acompanhava um paciente vítima de acidente, no último sábado (6), quando percebeu que ele estava tremendo de frio e utilizava apenas um cobertor. Segundo ela, ao solicitar outra coberta à equipe, recebeu a informação de que não havia mais unidades disponíveis naquele momento.

Ainda de acordo com o relato, uma familiar do paciente precisou levar cobertores de casa para complementar a proteção contra o frio.

Iolanda também relatou ter presenciado a chegada de um paciente com suspeita de apendicite durante a madrugada. Segundo ela, o homem foi encaminhado para um leito, mas teria sido informado de que não havia cobertores disponíveis naquele horário.

“Ele dizia que não aguentava a dor e o frio ao mesmo tempo”, relatou a acompanhante. Conforme a denúncia, somente algum tempo depois uma profissional conseguiu providenciar uma cobertura para o paciente.

Questionada pela reportagem, a Prefeitura de Juiz de Fora negou que exista falta de cobertores no HPS.

Segundo a administração municipal, não há registros de déficit de cobertores ou de enxoval hospitalar na unidade. A Prefeitura informou que o setor de hotelaria realiza controle diário da distribuição dos itens e que os cobertores são encaminhados aos setores assistenciais de acordo com a taxa de ocupação.

Ainda conforme a resposta oficial, os setores considerados prioritários para distribuição são as áreas de observação, as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) 1 e 2 e as enfermarias.

A administração municipal informou que o hospital mantém, em média, cerca de 300 cobertores em uso, além de uma reserva técnica correspondente a 30% desse quantitativo.

A Prefeitura também afirmou que não houve problemas recentes relacionados à aquisição, reposição ou lavanderia que pudessem comprometer a disponibilidade dos itens.

Sobre as medidas adotadas para garantir o atendimento aos pacientes, o município explicou que funcionários da hotelaria realizam diariamente a distribuição e o recolhimento do enxoval hospitalar e orientam os usuários quanto ao uso adequado dos materiais.

A Prefeitura ressaltou ainda que o enxoval disponibilizado pelo hospital deve ser utilizado exclusivamente pelos pacientes.

Direitos dos pacientes

Embora não exista uma norma federal que estabeleça um número mínimo de cobertores por paciente, as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) determinam que o atendimento hospitalar deve ocorrer em condições adequadas de conforto, segurança e dignidade.

A Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde prevê que pacientes atendidos na rede pública têm direito a um atendimento humanizado e a condições que garantam seu bem-estar durante consultas, observações e internações.

A Política Nacional de Humanização do SUS também estabelece que os serviços de saúde devem oferecer acolhimento e estrutura compatíveis com as necessidades dos usuários, especialmente em situações de vulnerabilidade física e clínica.