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    Cecília Junqueira Cecília Junqueira 13/4/2012

    Rio + ou - 20

    Imagem da logo da conferênciaHá 20 anos, o Rio sediou a Conferência das Nações Unidas Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ECO 92, cujo mais importante resultado foi a criação da Agenda 21, um documento que estabeleceu as bases da preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável, elemento norteador das nossas políticas públicas até os dias de hoje, ou que pelo menos devia ser. Na ocasião, eu tinha 10 anos e me lembro de discutir a Agenda 21 na escola. Só muito depois pude ver a canadense Severn Suzuki, cofundadora da ONG ECO, então com 12 anos, responsável pelo discurso mais lúcido e comovente da ECO 92: numa mistura de indignação e seriedade, ela fala da hipocrisia e apatia dos homens diante dos grandes dilemas da humanidade, como a preservação do meio ambiente, e este discurso nunca esteve tão atual...

    Em junho próximo, o Rio sediará a Rio + 20, conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável. Muitos são os críticos do real poder de transformação do evento: Cristovam Buarque, professor da UNB e senador pelo PDT-DF (um dos últimos homens imaculados do Senado) diz que "a agenda em preparação não pensa em sugerir uma inflexão no rumo do progresso, nem mesmo uma reflexão no conceito de progresso; apenas a continuação dos mesmos métodos de produção, usando novos meios de produção. Parece que será uma chance desperdiçada pela humanidade, pelo Brasil e nossos líderes no mundo." Ou seja, se houver mudanças, serão, propositadamente, pouco profundas.

    Já Fritjof Capra, físico e escritor austríaco, diz que a questão climática foi barrada da pauta por causa dos Estados Unidos: as companhias americanas "compraram" os políticos americanos (qualquer semelhança com a realidade brasileira não é mera coincidência).

    Michael Lowy, sociólogo marxista, profetiza sobre a Rio + 20: "não há muito a esperar dos governos e da iniciativa privada: nos últimos 20 anos, desde a Rio-92, demonstraram amplamente sua incapacidade de enfrentar os desafios da crise ecológica. Não se trata só de má-vontade, cupidez, corrupção, ignorância e cegueira: tudo isto existe, mas o problema é mais profundo: é o próprio sistema que é incompatível com as radicais e urgentes transformações necessárias".

    Acredita-se que a grande mudança positiva no evento seja a força da participação da sociedade civil e dos movimentos sociais, que serão expressivos na Rio + 20, porque ninguém melhor para dizer como deve ser a cidade do que as pessoas que bebem água poluída, respiram dióxido de carbono e comem alimentos contaminados.

    Hoje temos ciência e tecnologia muito mais avançadas que há 20 anos; quantificamos com muito mais precisão os impactos do clima, as perdas de biodiversidade, os efeitos nocivos dos agrotóxicos na alimentação, a poluição dos mares, a degradação dos solos, os desequilíbrios ambientais provocados pelo crescimento populacional. Podemos, sim, construir o mundo possível, mas é imperativo pararmos de projetar no outro a solução dos nossos problemas.

    Os dois principais temas da conferência serão:

    1) A economia verde geradora da inclusão social e da erradicação da pobreza

    Traduzindo em miúdos: para os países ricos, significa reduzir emissão de CO2; para os emergentes é crescer sem agravar problemas ambientais e para os pobres é aumentar a agricultura sustentável, gerando emprego e erradicando a fome.

    2) Governança para o desenvolvimento sustentável.

    Traduzindo em miúdos: querem inserir na pauta das Nações Unidas o conceito de desenvolvimento sustentável a partir de suas três dimensões principais (social, ambiental e econômica), como tema estratégico nacional e internacional (mas ainda não era estratégico?).

    Rio + 20: Nossos desafios em números

    Energia: 3 bilhões de pessoas ainda se valem do poluente carvão vegetal ou mineral para produzir energia. A Rio + 20 quer modificar e ampliar a oferta de energia.

    Empregos: A ONU diz que é possível gerar, até 2030, 750 mil empregos verdes, com vagas para energia limpa, uso econômico da biodiversidade ou agricultura sustentável.

    Desastres naturais: cada vez mais comuns, 85% deles se encontram na região asiática, entre 2000 e 2009. A Rio + 20 quer ampliar as estratégias para reduzir a vulnerabilidade das mudanças climáticas.

    Cidades sustentáveis: 423 cidades vão gerar 45% do PIB mundial até 2025; sua população deve crescer 40% neste período, ou seja, cada vez mais teremos megalópoles. A Rio + 20 quer criar metas para que se evite o colapso.

    Água: Até 2050, 25% da população mundial vai enfrentar escassez de água potável. A Rio + 20 busca reduzir a poluição e o desperdício deste ouro azul.

    Oceanos: A pesca hoje provê 15% da proteína animal consumida por 3 bilhões de pessoas. Serão discutidas medidas para garantir o uso sustentável dos oceanos e combater a pesca predatória.

    Muitas são as possibilidades de discussão sobre nosso futuro sustentável. O quão fecundas e multiplicadoras serão as experiências trocadas ainda é uma incógnita. A verdade é que o Rio + 20 ainda está muito mais para menos do que para mais, mas acredito nesta conferência como uma semente. Como disse Chico Xavier, o que a gente não pode mesmo é acreditar mais ou menos.

    Abraço mais verde!

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    Cecília Junqueira é gestora ambiental, pós-graduada em problemas ambientais urbanos
    e integrante da "Mundo Verde projetos ambientais".

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