Juliano Nery Juliano Nery 10/12/2010

Aprendendo a voar

Montagem de aeroportos e gramadoPara se chegar mais longe e não colocar a língua para fora de tanto esforço, devemos buscar algumas ferramentas. Afinal de contas, para que uma bela caminhada, subindo montanhas, se você pode obter o mesmo intento, com menos energia? Diria mesmo que, dependendo do tamanho do desafio, é necessário voar. E se não for um pássaro, um avião ou o próprio Superman, há que viabilizar certas coisas, em prol do sucesso: umas asas, um escudo de super-herói e, quem sabe, umas penas.

E para quem não dispõe de tais tipos de recurso, cabe ao menos a capacidade de estabelecer cooperação e parceria. A ventilada participação de Juiz de Fora na Copa do Mundo de 2014 cai como uma luva, à guisa de exemplo, quando o tema é o esforço conjunto, em favor de um objetivo comum. É hora de máxima cooperação de esforços para que a possibilidade do município se tornar uma base camp do mundial torne-se realidade, começando por aprender a voar...

E não será com o famigerado Aeroporto da Serrinha, que nossa cidade conseguirá participar da festa de maior vulto financeiro do futebol mundial. Deficitário e com uma série de detalhes que comprometem o seu funcionamento, não encontra, em grande parte, formas de atender a uma demanda tão importante. O Aeroporto Regional da Zona da Mata, em Goianá, surge como a melhor opção. Mas, são tantos entraves que envolvem a obra, que a quizila pode acabar bem depois de 2014, quando a bola já tiver rolado por aqui e não sobrar mais nada a disputar por nossa municipalidade.

É necessária habilidade para realizar um projeto que contemple o desenvolvimento regional e as questões ligadas ao meio ambiente, principalmente, no que tange à construção da estrada de acesso ao aeroporto, item primordial para a viabilização do novo local de pousos e decolagens de nossa região. Já existem discussões na Câmara dos Vereadores, envolvendo novas possibilidades de traçado da via. O mais importante, neste caso, é não burocratizar em demasia o processo, para que a iniciativa aconteça em tempo hábil e forneça condições para que a nossa região possa abrigar eventos de grande vulto, com a logística adequada. Para se trazer desenvolvimento ao município, não é necessário comprometer a Represa João Penido e nem o abastecimento de água da cidade. Basta somente articulação.

Nessa história de voar, verifico que falta um pouco de articulação para os homens que estão aqui na terra firme tratarem dos preparativos, a fim de que os diversos setores da nossa sociedade movam-se em torno dos eventos da Copa do Mundo em Juiz de Fora. Não deve ser tão complicado para uma cidade deste porte, abrigar uma seleção que disputará jogos no Rio de Janeiro e/ou Belo Horizonte. Tirando a pontual questão do aeroporto, que impede o voo no âmbito real, as demais limitações só podem estar no campo da subjetividade. Juiz de Fora possui uma considerável rede de serviços, capaz de suprir as exigências da FIFA. A UFJF, inclusive, dispõe de centros de treinamentos com grande qualidade neste intento. Para se chegar a um denominador comum, basta conversação. E não vai ser em silêncio que a municipalidade irá dialogar com todos os atores a serem envolvidos no projeto.

Ainda há tempo para aprender a voar. Sem necessidade de ter asas, escudos e penas. Basta somente articulação e foco nos objetivos. É assim que as seleções de futebol que podem ficar aqui no município devem entrar em campo. É assim que nossa municipalidade deve pautar as ações necessárias para que essas seleções venham pra cá.

Juliano Nery não é um pássaro, não é um avião e, muito menos, o Superman.


Juliano Nery é jornalista, professor universitário e escritor. Graduado em Comunicação Social e Mestre na linha de pesquisa Sujeitos Sociais, é orgulhoso por ser pai do Gabriel e costuma colocar amor em tudo o que faz.

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