Juliano Nery Juliano Nery 18/11/2011

Mais uma vez

Foto de malotesNo início da semana, pensei em tratar da ansiedade do comércio em torno do Natal. Faltando mais de um mês para a comemoração do comércio e do nascimento de Jesus, seguindo, sim, esta ordem de acontecimentos, as lojas já encontram grande procura de consumidores, ávidos por presentes e lembranças... No entanto, nesta quinta-feira, uma nova pauta congelou meu entusiasmo em tratar do assunto e novo tema me chamou a atenção, a prisão do ex-vereador e ex-superintendente da Associação Municipal de Apoio Comunitário, a Amac, Josemar da Silva, sob a alegação de envolvimento em fraudes licitatórias. A pergunta que me fiz não poderia ser diferente: mais uma vez em Juiz de Fora, meu Deus?

Para quem vive por aqui e não tem memória curta, no não tão longínquo 2008, um outro escândalo de corrupção assolou outra de nossas figuras públicas, no caso, o então prefeito da cidade, Carlos Alberto Bejani. Independentemente, se por recebimento de propina para aumentar preços de passagem, como o ex-prefeito foi acusado à época, ou por um esquema internacional de fraudes em licitações eletrônicas, como ora Josemar responderá, é triste perceber que Juiz de Fora tem uma parcela representativa de líderes políticos, com conduta um tanto duvidosa. E, mais ainda, que as coisas continuem a acontecer. Bom, que pelo menos a Polícia Federal anda desmontando tais esquemas, com suas operações Pasárgada, Trucatto... É importante que tais crimes sejam realmente averiguados e que os culpados tenham as punições cabíveis.

E sobre esta recorrência de situações, como não lembrar também do que acontece em um âmbito maior do que a nossa Juiz de Fora. Em Brasília, cinco ministros já caíram em menos de um ano no governo Dilma, por conta de denúncias que levam a investigações de corrupção. Nomes importantes como Antônio Pallocci e Orlando Silva estão nesse pacote e podem incluir, em futuro próximo, o nome do ministro do Trabalho, Carlos Luppi. E pensar que a corrupção na capital federal já tem longa história, como os anões do orçamento, mensalão, esquema PC e tantos outros... Já dava tempo de ter melhorado alguma coisa.

Enquanto as coisas não melhoram, no que tange a cometer a corrupção, que pelo menos a punição seja exemplar e que os culpados realmente paguem pelos crimes. Isso é o mínimo que a sociedade merece e exige do Estado. Ninguém mais consegue tolerar a impunidade e a conivência com a corrupção. Basta ver a mobilização da sociedade, em passeatas e protestos por um país melhor.

Preferia ter escrito sobre o comércio de fim de ano. Esta é a conclusão que chego ao final desta breve reflexão sobre a corrupção em nossa cidade e em nosso país. No entanto, não dá para passar ao largo deste tipo de tema e deixar de lado, como se nada tivesse acontecido. Se quisermos construir, realmente, uma Juiz de Fora com novidade, é necessário mudar a filosofia de algumas de nossas principais figuras públicas. A conduta ética e honesta é um dos pontos fundamentais e pilares indispensáveis para isso.

Juliano Nery espera não ver o nome de nenhuma outra figura pública de Juiz de Fora envolvida em escândalos na próxima semana.

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Juliano Nery é jornalista, professor universitário e escritor. Graduado em Comunicação Social e mestre na linha de pesquisa Sujeitos Sociais, é orgulhoso por ser pai do Gabriel e costuma colocar amor em tudo o que faz.

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