PJF negocia o Terminal do Sitt com a Faculdade Doctum Prefeitura está negociando o espaço há cerca de 20 dias


Matéria enviada pelos internautas Ana Paula Rivello e Fabricio Ferrarez, estudantes de
Comunicação da UFJF, através do link SUA NOTÍCIA. Se quiser participar, clique aqui


O Terminal Romeu Vianna do Sistema Integrado de Transporte Troncalizado (Sitt) está desativado desde o dia 24 de setembro de 2006. A assessoria de Comunicação da Prefeitura informou, por telefone, que o imóvel pode virar um campus da Faculdade Doctum.

A negociação está sendo feita há cerca de 20 dias e se tudo der certo, o prefeito Alberto Bejani só vai se pronunciar sobre o assunto em entrevista coletiva. O diretor da unidade de ensino em Juiz de Fora, Deo Pimenta Dutra, confirmou a negociação, mas se negou a dar mais detalhes sobre o assunto.

É fácil entender porque a prefeitura trata o tema com tanta discrição. Mesmo após um ano de sistema desativado, a população não esqueceu a quantia de dinheiro "desperdiçada" para a construção do Terminal. A implementação do Sitt consumiu R$ 47 milhões, pagos com o dinheiro das passagens de ônibus. Somente o terreno para a construção do terminal, no bairro Santa Lúcia, custou R$ 1,4 milhão.

Várias informações sobre a possível construção de outras obras foram dadas pela prefeitura, entre elas de que o local seria o novo hospital da Zona Norte (releia a matéria), mas que depois foi transferido para Benfica (recorde esta informação). A notícia mais recente era de que o Terminal do Sitt poderia abrigar centro de inteligência das polícias civil e militar.

O presidente da Astransp, Fernando Goretti, disse que ainda não foi informado sobre a negociação com a Faculdade Doctum. "Acho um absurdo o funcionamento de uma faculdade lá", afirmou. Goretti entende que deveriam ser feitos acertos para que o Sitt funcionasse plenamente. O presidente da Astransp explica que o Sistema Integrado de Transporte é uma tendência nos grandes centros para minimizar o efeito do excesso de veículos circulando nas cidades. "O investimento no Sitt foi feito para trazer melhorias no trânsito e baratear o transporte público em Juiz de Fora".

Segundo o professor da faculdade de Direito da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Wagner Campos, a prefeitura pode fazer um acordo para que uma empresa privada use o terminal. Mas, no caso da venda do imóvel, seria necessária a aprovação de uma lei municipal, pela Câmara de Vereadores.

Veja a opinião de quem mora na Zona Norte
"Gostaria que fosse uma faculdade pública. Podia até ser particular, mas com preços populares, mais baratos que as faculdades do centro da cidade. A Zona Norte não possui faculdade e pagar ônibus para estudar no centro acaba saindo mais caro."

Ângela das Graças dos Santos, 43 anos, serviços gerais, Bairro Benfica



"Acho que deveria ser uma faculdade. Beneficiaria a população por ainda não ter nenhuma aqui. Ou talvez um pronto-atendimento, já que a população precisa de um atendimento devidamente equipado e preparado para atender as diversas enfermidades e principalmente traumas. No modelo do HPS seria o ideal."

Deusdeth Martins, 28 anos, bombeiro militar, Bairro São Judas Tadeu



"Um Ginásio Poliesportivo, pois o desporto em Juiz de Fora anda muito abandonado. Não possuímos nenhuma equipe de ponta para disputar campeonatos. O ginásio que está sendo construído do lado do estádio beneficia somente um lado da cidade. Existem diversas quadras nas praças aqui na Zona Norte, mas não possuímos profissionais adequados para ensinar os esportes à população."

Luís Filipe Alvim, 23 anos, estudante de educação física, Bairro Benfica



"Deveria ser transformado em um centro cultural, para atender as pessoas carentes da região. Também para as crianças desenvolverem atividades, descobrirem uma vocação artística , trabalharem também o hábito pela leitura."

Cintia Moreira, 31 anos, professora de biologia , moradora do Vitorino Braga (trabalha na região)



"É importante lembrar, que hoje ali funciona um centro regional, que é uma proposta inovadora no sentido de você descentralizar as atividades que a comunidade encontra que são os serviços do poder publico, você pode encontrar mais perto do bairro. Seria legal se o espaço fosse usado para ampliação desses serviços."

Vanderlei Tomás, 43 anos, presidente da Associação de moradores do Bairro Araújo, Bairro Araújo

O fim do Sitt
O Sistema Integrado de Transporte Troncalizado (SITT) foi um projeto criado e iniciado na gestão do ex-prefeito Tarcísio Delgado. O objetivo era desafogar o trânsito do centro da cidade e tornar o transporte público mais barato e ágil. Com o custo de apenas uma passagem, a população poderia pegar um ônibus de sua casa até um terminal, e de lá escolher outra linha para seguir, assim como acontece em Curitiba. A construção de um terminal na Zona Norte era a primeira etapa do projeto. A obra foi concluída na administração do Prefeito Alberto Bejani e começou a funcionar dia 15 de janeiro de 2005.

O Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) previa a construção de três terminais. A Prefeitura alegou que não tinha verba para mais obras. Com o início do funcionamento do único terminal construído, vieram muitas reclamações. Os usuários estavam insatisfeitos com a superlotação dos ônibus e com a demora para chegar ao destino final. O prefeito Bejani decretou o fim do SITT no dia 24 de setembro de 2006. Ele argumentou que a população estava contrariada e o projeto tinha sido mal formulado.

Sua opinião

A questão do Terminal do SITT deve desembocar num processo de cessão por tempo determinado, através de um acordo celebrado entre a Prefeitura e a Instituição de Ensino Superior. Não pode é aquele imóvel ficar sem utilização por parte da população.

As Universidades Públicas Estatais não têm mais como ampliar o número de vagas diante dos recursos que recebem do Governo Federal, que são insuficiências para sua própria manutenção. No contexto do ensino superior brasileiro, tem surgido no nosso país, com destaque maior para a região sul, as Universidades Comunitárias, também conhecidas como Públicas não-Estatais. Podem receber recursos públicos, desde que comprovem sua aplicação exclusiva nas suas atividades fins (ensino, pesquisa e extensão) e, com isso, cobrar mensalidades condizentes com a condição de vida das comunidades de seu entorno, não ter finalidades lucrativas, submeter-se a auditoria do poder público, manter representação da comunidade nos seus órgãos de representação e com isso e oferecer ensino de qualidade e voltado para os reais interesses da comunidade.

Isto já está previsto no Art. 213 da Constituição e na LDB. Seguindo esta orientação estabelecida, acreditamos que Prefeitura e IES estariam oferecendo à Comunidade da Zona Norte a possibilidade de buscar melhores condições de vida através do aperfeiçoamento profissional e buscando uma utilização viável para o imóvel, que continuaria sendo público.

Misael Camargo
Prof. Aposentado da UFJF

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