Paulo César Paulo César 26/11/2011

Happy Feet 2 traz lição de moral, música e muita diversão 

O problema das sequências, mais conhecidas como "o dois", é que dificilmente conseguem agradar, em especial aqueles que se tornaram fãs do primeiro filme, e principalmente a crítica. Mas com Happy Feet 2, a sentença não prevaleceu. Com uma história que novamente traz uma grande lição de vida, anexado à qualidade absurda da animação e lindas e emocionantes canções, vem para se tornar o melhor exemplar do gênero em 2011.

Nesta nova trama, Eric, filho do pinguim dançarino Mano, passa pelas mesmas situações que afligiram seu pai no primeiro filme. Ele não consegue dançar, e as coisas ficam piores quando ele é exposto ao ridículo frente aos outros. Mas quando conhece Sven, um estranho pinguim que sabe voar, passa a tê-lo como ídolo, ignorando Mano. Entretanto, um grande perigo ameaçará a vida de seus amigos, e caberá a ele aprender com seu pai, o que verdadeiramente é ser especial.

O roteiro escrito pelo diretor George Miller junto com Warren Coleman, parece uma fórmula temperada do primeiro longa de 2006, com as mesmas questões e dúvidas. Porém, é conduzida de uma forma um tanto menos melodramática, primando pelo bom humor para conduzir questões complexas. Isso é perceptível principalmente através dos Krills Bill e Will, que buscam o autoconhecimento ao se separar de seu cardume, o que rende muitos risos e reflexões. Além disso, tem a questão da união dos povos e de discussões sobre o meio ambiente também.

Porém, o grande triunfo desse Happy Feet 2 foi em não ter transformado Mano em um ser especial, depois de ele ter salvado a raça dos imperadores no primeiro longa. A manutenção dele como um mero pinguim mortal, sem colocá-lo para duelar suas virtudes com o popstar alado Sven, fez com que o texto saísse de uma tentadora trilha de clichês. Essa escolha fez com que o principal ensinamento de todo o contexto, aquele de que qualquer um pode fazer a diferença, deixou o tema ainda mais maduro e real.

Apesar da maturidade, Miller manteve boas doses de tensão, e a medida certa de aventura, que jamais pode deixar de faltar a uma animação. Em meio a isto tudo, a música, inteligente e bem empregada. Uma pena que a maioria das pessoas vai acompanhar a canção "Tosca", que Eric canta para o pai no ápice da trama, na cópia dublada, pois ficou péssimo. Tirou boa parte da emoção da cena.

Com tudo isso, o filme passa no teste das continuações. Mesmo sem a originalidade que fez de Happy Feet, o Pinguim, uma animação/musical excepcional vencedor do Oscar da categoria, essa sequência conseguiu manter-se dentro de um padrão de qualidade e se tornar ao menos muito bom.



Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.