Nome do Colunista Dom Gil 16/12/2015

A Misericórdia que traz alegria

"Alegrai-vos no Senhor, repito alegrai-vos, pois o Senhor está bem perto" (Fil. 4,4).

fotoCom estas palavras o Apóstolo Paulo, escrevendo da prisão, animava a comunidade de Filipos, a esperar a vinda do Senhor. Falava da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos, mas, certamente, também das vindas do Senhor no dia a dia, pois Ele vem a nós de várias maneiras no decurso de nossa vida. Filipos era uma comunidade muito querida por São Paulo, pois foi a primeira comunidade que ele fundou no território europeu e lhe era muito fiel na observância dos seus ensinamentos.

No 3º Domingo do Advento, celebramos o Domingo da Alegria. O Senhor está perto. Logo chegará o Natal do Menino Jesus, Salvador. As profecias de Sofonias e a referida Carta de Paulo aos Filipenses são carregadas de sentimentos de exultação que vem da esperança que está para se realizar por intervenção amorosa de Deus.

No 3º Domingo do Advento deste corrente ano, também, para alegria de todos os cristãos, em todas as Catedrais do mundo, abrem-se as Portas Santas da Misericórdia, fato inédito trazido pela caridade do Papa Francisco que quer ver a misericórdia transformar-se em paz, em perdão, em amor para todo o mundo hodierno, "este mundo com tantas esperanças e tantas contradições" (MV 1).

A Igreja é a grande anunciadora da Misericórdia. A Misericórdia traz alegria ao coração, pois a Misericórdia é o rosto de Jesus que chega no Natal, como afirma o Sucessor de Pedro na abertura da Bula Misericordiae Vultus: "Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nestas palavras a sua síntese. Tal misericórdia tornou-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré. (MV 1).

No evangelho deste 3º Domingo do Advento, contemplamos a missão de São João Batista ao anunciar a chegada do Salvador. Cristo já havia nascido, quando Batista pregou nos desertos da Judéia e à beira do Rio João, preparando os caminhos do Senhor, mas é a partir do batismo pregado por João que Ele inicia a sua vida pública.

Respondendo a pergunta das multidões, O que devemos fazer, João Batista responde com indicação de obras de misericórdia: Quem duas túnicas, dê uma para quem não tem nenhuma, e quem tiver comida, faça o mesmo (Lc 3, 10). As palavras do Precursor nos remetem às obras de Misericórdia contidas no evangelho de São Mateus: Tive fome e me destes de comer, tive sede em destes de beber, estava nu e me vestistes... (cf. Mt 25, 35 s)

Aprendamos com João Batista que Misericórdia se pratica com humildade, pois o orgulhoso, o egoísta, o vingativo, nunca consegue ser misericordioso. Por isso, ao ser interrogado se era ele o Messias, respondeu humildemente: Não sou. Ele é muito maior do que eu. Nem sou digno de desamarrar as correias de suas sandálias. Eu vos batizo com água, Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo. (cf. Lc 3, 16)
Aos publicanos e aos soldados, ele mostra que, no caminho do Messias, não cabem corrupção, exploração, roubo. Não cobreis mais do que o estabelecido; não maltrateis a ninguém, não façais denúncias falsas e contentai-vos com o vosso soldo" (cf. Lc 3, 10 ss). Todas estas práticas aqui condenadas são o inverso da misericórdia sicut Pater.

Também o Papa Francisco, na mencionada Bula, fala algumas vezes da alegria de quem pratica a misericórdia, segundo o Pai, como por exemplo, no seguinte trecho: "Precisamos sempre de contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem (MV 2).


Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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