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    A Páscoa: Festa da Luz e da Esperança

    Dom Gil Dom Gil 24/04/2017

    As narrativas sobre a ressurreição de Jesus nos Evangelhos e em todo o Novo Testamento traduzem-na como fortíssimo sinal iluminador e impulsionador de esperança.

    Após a morte do Senhor, os Apóstolos e a comunidade que se formara ao redor d’Ele estavam imersos em escuridão, tristeza e desesperança. Maria Madalena, ao ir ao sepulcro de Jesus na manhã de domingo, não podia ainda acreditar na ressurreição. Pedro e João tampouco criam que Cristo pudesse ter vencido as forças da morte. Maria vai ao túmulo tão somente para cumprir um ato de caridade, levar perfumes para terminar o embalsamamento do corpo morto de seu Mestre, serviço iniciado por José de Arimateia e Nicodemos na noite de sexta-feira, possivelmente interrompido, pois, pela lei judaica, não poderiam fazer trabalho algum no Sábado, o Shabat de Israel.

    Ao ver o túmulo vazio ela, segundo a versão de João (cf Jo 20, 1-18), avista dois anjos que perguntam: “mulher, porque choras?”, ao que reponde: “tiraram meu Senhor daqui e não sei onde o puseram”. Dizendo isto, ela vê alguém que julgava fosse o jardineiro e, se dirigindo a ele, lhe diz palavras carregadas de tristeza que traduzem sua escuridão de alma: “Se foste tu que o levaste, dize-me onde o colocaste e eu irei buscá-lo”. É neste momento que o Senhor se apresenta ressuscitado e diz seu nome com um jeito inconfundível: “Maria”! “Rabboni” (Meu Mestre), responde a discípula fiel. Neste diálogo, tudo se torna claro e a esperança volta ao coração daquela que fora já revitalizada em vida, quando o Senhor a tirou na escuridão pavorosa do pecado e a fez virgem pela virtude do amor.

    Os Apóstolos que estavam entristecidos pela falta do Senhor, ao ouvirem o testemunho de Maria Madalena e Maria, Mãe de Tiago e Salomé, que com ela estava (cf. Mc 16, 1), não acreditaram no que diziam elas e achavam aquilo um desvario das mulheres (cf Lc 24,11). Estavam nas trevas da incredulidade e incertezas. Ainda não tinha percebido que, além da razão e das coisas puramente humanas, há uma realidade transcendental, algo mais que a razão por si só não consegue explicar. Necessita da virtude da fé para ser completa. Por isso, mesmo não acreditando a princípio, Pedro sente um impulso interior e sai apressadamente e, encontrando o túmulo vazio, fica admirado. Na versão joanina, Pedro e João foram correndo ao túmulo. João, por ser mais jovem, corre à frente e chega primeiro ao túmulo, mas não entra. Espera que Pedro, o chefe dos Apóstolos, que entra, vê os lençóis e o lenço que estava sobre a cabeça do Senhor, agora dobrado à parte. Vê e crê. A escuridão da angústia e a tristeza das lágrimas agora dão lugar à luz, à alegria e à esperança. A aparente derrota da sexta-feira no terror do Calvário dá lugar à certeza da vitória: Ele ressuscitou de verdade! Não morre mais!

    Em nossas vidas poderão acontecer momentos de trevas, lágrimas, tristeza, situações angustiantes que podem nos levar à desesperança, à desilusão e ao desânimo. Porém, a ressurreição de Cristo nos traz nova vida, nova esperança, nova luz, novo ânimo e não nos deixa sucumbir no desespero.

    Diante do milagre estupendo da ressurreição do Senhor, cabe nos perguntar: como reagimos diante das provocações, dos problemas, das situações escuras que às vezes aparecem no caminhar da vida?

    Qual é o grau de nossa fé, nós cremos que Cristo morreu, venceu o pecado, a morte, ressuscitou e não morre mais?

    Páscoa é festa da luz e celebração da esperança que não decepciona.

    Dom Gil é Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora.

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