Companhia Os Melhores do Mundo traz de volta o sucesso de Hermanoteu

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Companhia Os Melhores do Mundo traz de volta o sucesso de Hermanoteu

Companhia Os Melhores do Mundo traz de volta o sucesso de Hermanoteu para JF

O espetáculo será apresentado na cidade no próximo sábado. O ator Jovane Nunes falou ao Portal ACESSA.com sobre a história do grupo

Nathália Carvalho
Repórter
19/9/2012

De Norte a Sul do país, o sucesso conquistado pelo espetáculo arrasta um grande público para dentro do teatro. Dúvidas? Apesar dos 12 anos de vida, o aclamado Hermanoteu na Terra de Godah não perde a graça e já se tornou uma febre entre os brasileiros, sendo assistido, em média, por cinco mil pessoas a cada final de semana. No total, mais de 500 mil já presenciaram a peça em todo o país. Agora, de volta aos palcos de Juiz de Fora, a companhia Os Melhores do Mundo apresenta-se neste sábado, 22 de setembro, no Cine-Theatro Central, em duas sessões: 19h e 21h30.

Formada por Jovane Nunes, Adriana Nunes, Adriano Siri, Ricardo Pipo, Victor Leal, Welder Rodrigues, o grupo brasiliense existe há cerca de 20 anos. Além de Hermanoteu, a Companhia é consagrada pelo fenômeno Joseph Klimber, espetáculo que caiu no gosto popular e possui milhões de acessos no canal Youtube. Mas, qual o segredo para manter tamanho sucesso? Em entrevista ao Portal ACESSA.com, um dos fundadores do grupo, o ator Jovane Nunes, 43 anos, contou que a renovação dos temas é a "cereja do bolo" para conciliar a qualidade dos espetáculos com a atração de cada vez mais admiradores. "Estamos sempre nos atualizando, trazendo novidades e assuntos cotidianos para dentro da peça. Apesar da história ser a mesma, falamos de viagens, política, comportamento, novelas, futebol e crônicas do dia a dia, com assuntos atuais. Apesar da idade, estamos sempre com ar de coisa nova", explica.

O comediante comenta que quem for curtir o espetáculo irá presenciar piadas com temas relacionados à própria cidade. "Vamos brincar desde o mensalão até o suposto namorado da Dilma. Mas falamos, claro, das eleições municipais e outras curiosidades de Juiz de Fora." Ele diz que, pelo fato do grupo já ter se apresentado na cidade outras vezes, fica mais fácil a interação com a plateia. "Adoramos a cidade e esse teatro, colocado em um lugar tão privilegiado. Mas me lembro que temos aí um público muito bacana e já até abrimos uma sessão extra. Será um sucesso", garante.

Textos do cotidiano

E foi exatamente essa adaptação ao momento e ao espaço em que os espetáculos apresentados pelo grupo estavam inseridos que reuniu os amantes da arte ainda na faculdade. Nunes, que possui formação em artes cênicas pela Universidade de Brasília (UnB), queria trazer originalidade para os textos e acabou iniciando a ideia com amigos, quando se uniram de maneira bem natural para fazer uma peça.

"Quando comecei a estudar teatro e ser ator, eu percebi que os textos não retratavam o cotidiano das pessoas, aquela conversa dentro do ônibus, aquele bate-papo informal que tanto agrada. Eu ficava uma hora dentro do coletivo para ir do subúrbio de Brasília para a faculdade e foi dali que nasceram as histórias que contava", revela. Para ele, o diferencial da companhia é oferecer um teatro que dialoga com o público, de forma que haja identificação. "Começamos a nos apresentar e víamos que as pessoas achavam graça, que conseguíamos nos comunicar com elas de alguma forma. Éramos jovens, do povo da rua, do bar e mantivemos isso. Bonito a gente não é, então só pode ser esse o nosso segredo! (risos)", brinca.

A saga de Hermanoteu

"Essa peça surgiu quando estávamos buscando um tema novo para tratar em nossos textos. Já tínhamos falado sobre todo o tipo de assunto e foi então que surgiu essa ideia. Ela não tem nada a ver com religião, só usamos características do período, como o jeito de falar, as pragas, as peregrinações e os exageros contidos no Antigo Testamento", explica. E todos os seis atores participam do espetáculo, que possui, ao todo, uma hora e 40 minutos.

A peça conta a história fictícia de Hermanoteu, um hebreu da Pentescopeia, que recebe uma missão de Jeová para libertar a Terra de Godah. Seguindo a linha de sátiras do grupo, o espetáculo trabalha na diversidade das histórias da Bíblia. Ao longo de sua viagem, várias coisas inusitadas vão acontecendo de maneira a interligar os inúmeros elementos e personagens de diferentes tempos e lugares da história, sempre de maneira cômica, claro. "Somos nós mesmos que escrevemos os textos, atuamos e fazemos a direção. E é uma loucura! Já rodamos as principais cidades do Brasil todo e, de capital, só falta Boa Vista e Macapá. E o bacana é que vamos conhecendo a diversidade do nosso país através dela", comenta.

O espetáculo possui, ainda, a participação em off de Chico Anysio (morto em março de 2012), que interpreta Deus. E a popularidade é tanta que a peça já foi registrada em DVD, gravado em 2009, em São Paulo, e agora vai virar filme. Segundo Nunes, a ideia é fazer um longa com características semelhantes à peça, mas que conta a história de outra forma. "Vamos contar porque o Hermanoteu não aparece na Bíblia e foi 'apagado' da história. É uma sátira inspirada nos livros de Dan Brown, que acredita na existência de diversas teorias da conspiração para explicar as coisas. Vamos mostrar pergaminhos escondidos e por quê parte da Igreja Católica não quer que essa história venha à tona, de maneira bem divertida", garante. De acordo com o ator, a previsão é de que o filme seja rodado em fevereiro de 2013.

Os textos são revisadoa por Mariana Benicá