Carnaval é confete, serpentina, colombina e pierrot. Viva a Banda Daki!

Zé Kodak conta os 43 anos de história da banda, que é patrimônio cultural de Juiz de Fora. A folia tem como homenageado deste ano o eterno Rei Momo, Júlio Guedes

Angeliza Lopes
Repórter
7/02/2015
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Dias antes do Carnaval, em 1972, estudantes universitários criavam o bloco São Roque, formado para animar o sábado carnavalesco, que carecia de programação. Só não imaginavam que 43 anos depois, o bloco de acadêmicos se tornaria a Banda Daki, patrimônio cultural de Juiz de Fora, com cerca de 40 mil foliões à sua volta. "Se antes o São Roque descia a Rua Halfeld, hoje ela só passa e dá um tchauzinho", brinca o comandante da Banda, Zé Kodak (foto ao lado).

José Carlos Passos, como era conhecido, começou seus dias de confete na cidade de Bicas, cerca de 37 km da cidade, no bloco Sapolândia, com a folia marcada sempre nas manhãs de domingo. Cada folião saia de um jeito, com direito a rei momo, bandinha e muita alegria. Estas manhãs ficaram guardadas na memória de José Carlos, que pôde transformá-las em realidade em 1979, quando passou de simples componente, para organizador do bloco. Seus fundadores sairiam da cidade para buscar oportunidade em outros lugares, deixando a chave de condução da futura banda, com o Zé Kodak.

Na época, o comandante era diretor da Escola de Samba Turunas do Riachuelo, onde exercia função há 10 anos. Quando aceitou a Banda Daki, Zé manteve a tradição do Carnaval de Rua, com os principais ingredientes, que são: alegria, confete, serpentina, pierrot e columbina, sem faltar a espontaneidade. "Digo que todas as fantasias estão no guarda-roupa das mulheres. São o sapato alto, batom e roupas coloridas. Se o folião não tiver dinheiro para a cerveja, só trazer a garrafinha de cachaça e vir brincar", destaca.

Ké Kodak afirma que o sucesso da Banda está na alegria da diversidade, repertório, que se mantém nas tradicionais marchinhas que ninguém esquece e nas manifestações variadas, desde as sátiras políticas, até as mais diversas caricaturas, Rei Momo e Rainha do Carnaval. Grandes nomes passaram pela passarela, como o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, ex-presidente Itamar Franco, ex-prefeitos de Juiz de Fora Antônio Mello Reis e Tarcísio Delgado.

Patrimônio, vivo e lúcido

carnavalAo longo dos anos, com a adesão cada vez maior de foliões, a Banda Daki precisou se adequar, exigindo melhorias na segurança e no som. Neste período foi criado o Baile Banda Daki, que seria a possível solução para tamanho sucesso. Criado há 10 anos, o baile levaria a banda para o clube, e, assim, resolveria o problema da segurança. "Mas nada disso foi preciso! Conseguimos manter os dois, com apoio da Polícia Militar e órgão públicos. Hoje, quando a banda pisa na avenida Rio Branco, as três pistas param. Saímos do Largo Riachuelo e descemos todos o percurso com muita diversão", explica Zé.

Em 2005, a Banda Daki foi tombado como Patrimônio Cultural de Juiz de Fora, pela lei de autoria do ex-vereador e atual deputado estadual, Isauro Calais. A condecoração apenas afirmou o que os juiz-foranos já sabiam, a Banda Daki é a referência do Carnaval da cidade. Outra homenagem recebida foi o título Entidade Benemérita, entregue no dia 15 de fevereiro de 2012. "A Banda é o patrimônio vivo e lúcido do município", afirma Zé Kodak.

Há oito anos, a celebridade nacional Isabelita dos Patins apadrinhou a banda. Com sua simpatia e desenvoltura, a artista chama a atenção durante o desfile e atraí olhares de todos os cantos. "Temos um carinho enorme por ela, que representa a graça do Carnaval carioca e, agora, também juiz-forano", completa o comandante. Zé conta que de tempos em tempos a Banda elege sua Musa. Os requisitos são alegria, simpatia e amor a banda, mas não há um período definido para exercer o posto. Ele pode ser de um ano, ou quando durar.

Quem foi Rei sempre será Majestade

O homenageado da Banda Daki neste ano é nada mais, nada menos que Júlio Guedes, o eterno Rei Momo de Juiz de Fora. Lembrado por sua alegria e amor ao Carnaval, Júlio morreu no dia 21 de dezembro, no ano passado. Por 12 anos com a coroa do Momo (1993-2004), Zé recorda que ele sempre estava entusiasmado, ajudando na organização de vários blocos da cidade, como Domésticas de Luxo, onde começou a desfilar no Carnaval juiz-forano, junto com seu irmão Carlos Guedes. Além da participação nas escolas Juventude Imperial e Turunas do Riachuelo, antes do reinado. "Júlio ia em todos os eventos. Ele gostava mesmo de ser Rei Momo, e só parou porque queria ser dedicar mais as atividade nas ruas", lembra Zé Kodak.

Após o período como Rei, passou a coroa para o irmão Carlos Guedes, que exerceu a função até 2006. "Mesmo depois de passar o trono, manteve sempre presença marcante nas festa carnavalescas. Por isso, nunca deixou de ser Majestade", conclui.

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'Os blocos são o futuro do Carnaval'

Zé Kodak destaca que enquanto as escolas de Samba de Juiz de Fora permanecem em um mesmo modelo, os blocos, pelo contrário, permanecem em continua renovação. Hoje, com mais de 200 grupos, a cidade pega gosto, cada vez mais, pelo Carnaval de Rua. "As diferenças começam pelos altos valores gastos, sem a contrapartida da presença do público. A antecipação do Carnaval, na verdade, só existe para o desfile da Escolas de Samba, os blocos continuam fazendo o esquenta do Carnaval", destaca Zé, lembrando a mudanças nas datas do Carnaval do município, que pelo segundo ano está sendo antecipado em uma semana. "É um contrassenso, já que o desfile das escolas deveriam ser o ápice", completa.

Pela terceira vez, a banda também se apresenta um domingo antes do carnaval, no campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em uma matinê pré-carnavalesca. Zé recorda que a apresentação era um sonho, que a primeiro momento não foi muito aceita pela reitoria, mas depois do sucesso do primeiro desfile, a universidade se rendeu aos encantos da Banda Daki.

Quanto às novidades na Banda, Zé afirma que serão sempre as sátiras dos foliões e fantasias. "Somos uma família, e priorizamos pela segurança de todos. Destaco a programação dos blocos tradicionais de rua, que são a alma carnavalesca de Juiz de Fora. O Carnaval faz parte de mim!", finaliza Zé Kodak.

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