Paula Medeiros Paula Medeiros 18/12/2010


As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada Repleto de referências simbólicas, o filme é um prato cheio para fãs de magia e narrativas mitológicas

Com o desenvolvimento das tecnologias de filmagem e dos efeitos especiais, os filmes de fantasia têm trazido, cada vez mais, espetáculos visuais indescritíveis. Mas o que acontece quando só os efeitos aparecem e o trabalho da direção de arte fica esquecido? Bom, aqui isso não é motivo para se preocupar, já que esse não é o caso de As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada.
Sendo a adaptação do terceiro livro de uma saga de sete, escrita pelo irlandês C. S. Lewis, este último leva de volta à Nárnia os irmãos Lúcia (Georgie Henley) e Edmundo (Skandar Keynes), acompanhados agora de seu primo, o petulante Eustáquio (Will Poulter). Agora sem seus outros irmãos, Pedro e Susana, os dois se unem a Caspian X (atual rei de Nárnia) e ao rato Ripchip para buscar os sete fidalgos banidos por Miraz, tio de Caspian. Essa aventura se dá à bordo do navio Peregrino da Alvorada, que sai entre mares antes jamais explorados.

Interligando trabalho tecnológico a trabalho intelectual, o que mais chama atenção neste filme é a direção de arte. O filme é um deleite visual e podemos perceber isso através de pequenos elementos, desde a escolha dos figurinos às locações – sendo elas fictícias ou reais. Um belo trabalho detalhista, sem dúvida, potencializado ainda mais se assistido em 3-D.

Outro ponto forte do filme é o trabalho dos atores mirins, principalmente de Will Poulter. Tendo apenas alguns trabalhos para a TV britânica e um filme além de Nárnia, o ator se destacou neste filme e provavelmente este trabalho se tornará uma referência em sua carreira.

Pensando na estrutura narrativa de A Viagem do Peregrino da Alvorada, temos aqui uma história fantástica, sobre um mundo onde os animais falam com os seres humanos e feitiços são reais. Apesar da tradicional aventura épica, em que o bem enfrenta o mal, aqui há uma menção grande à Cristandade, baseada na seguinte situação: as crianças são transportadas para esse Universo mágico e tudo aquilo que parece ser fruto da imaginação se transforma em verdade, uma menção sutil à premissa "crer para ver". Em outras situações é possível identificar o leão falante, Aslam, como uma representação figurativa de Jesus Cristo.

Além da referência a um Deus piedoso e onipresente, há também citações sobre o paraíso, que no caso seriam as terras desse leão, para onde todos os corações nobres vão e do qual não é possível retornar, uma vez que se cruzam os portões. Mesmo sendo sutis essas alusões e muitas vezes imperceptíveis às crianças, a principal mensagem transmitida pelo filme é de esperança e coragem frente aos seus maiores medos e perturbações, um tema universal com conteúdo bastante próximo das parábolas.

Com certeza As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada, apesar de não conter nenhuma genialidade ou aspecto inovador, é uma boa opção de entretenimento que agradará principalmente famílias, ainda mais nesta época do ano.

Ficha Ténica

As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada / The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader
EUA, 2010 / 115 minutos
Aventura/Fantasia
Direção: Michael Apted
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely, Michael Petroni
Elenco: Georgie Henley, Skandar Keynes, Ben Barnes, Will Poulter, Gary Sweet, Terry Norris, Bille Brown
Direção de Arte: Ian Gracie, Karen Murphy, Marco Niro, Mark Robins



Paula Medeiros
é estudante de Comunicação Social com participação em Projetos Cinematográficos. 
 


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