Paula Medeiros Paula Medeiros 7/01/2011


Novo filme de Coppola, Tetro, fica entre erros e acertos 


Apesar de ser lembrado por obras marcantes no cinema, como "O Poderoso Chefão" (1972) e "Apocalypse Now" (1979), Francis Ford Coppola investe em outro viés com seu último filme Tetro. A obra sugere várias colagens de estilos, desde o enredo à estética e desemboca num melodrama, que poderia ter sido valorizado no roteiro.

Nascido numa família de artistas, Tetro (Vincent Gallo) deixa Nova York rumo a Buenos Aires, numa incursão a um ano sabático de escrita. Anos depois dessa fuga, Bennie (Alden Ehrenreich), seu irmão caçula, desembarca na Argentina à procura de Angie - nome verdadeiro de Tetro – que se tornou uma espécie de ídolo em sua cabeça.

O enredo se baseia no drama entre dois irmãos que não se veem há muito tempo, mas para isso aposta em uma solução melodramática usual baseada em relações familiares conturbadas. No caso aqui, a personificação do drama é representada pelo pai que passa por cima de todos, independentemente dos laços de sangue, para atingir seus objetivos.

Em diversos momentos também é possível notar uma influência de temas almodóvarianos na trama de Tetro. Essa influência vai além do papel de Carmen Maura, que representa a crítica mais famosa da América do Sul, Alone. A menção a Almodóvar está presente em diversas situações e personagens, inclusive no desfecho da obra.

Apesar do melodrama vigente, é interessante notar a utilização de fragmentos de referência bem posicionados, como os trechos que unem teatro, dança e ópera ao filme. Esses elementos, além de serem importantes para contar a história de uma família que se baseia em diversas manifestações artísticas, conferem à trama um torpor característico do sonho importante para ilustrar a sinestesia constante dos personagens.

Entre acertos e equívocos está a fotografia, que apesar de belíssima, funcionou como um maneirismo decadente ao utilizar um recurso pouco original, como a alternância entre cenas em preto-e-branco e cenas coloridas remetendo, respectivamente, à atualidade e às lembranças dos personagens.

Com ares latinos intencionais, Tetro entra para o hall dos melodramas de Hollywood sem conter elementos suficientes para ser referência do gênero. No entanto, marca a carreira de Coppola como uma aposta do diretor em roteiros de sua própria autoria e como uma nova fase de seu trabalho.

Ficha Técnica

Tetro (Tetro)
Argentina/Itália/Espanha/EUA, 2009
Direção e Roteiro: Francis Ford Coppola
Fotografia: Mihai Malaimare Jr.
Elenco: Vincent Gallo, Maribel Verdú, Alden Ehrenreich, Klaus Maria Brandauer
Duração: 127 minutos



Paula Medeiros
é estudante de Comunicação Social com participação em Projetos Cinematográficos. 

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