Paula Medeiros Paula Medeiros 21/1/2011


Repleto de referências, o filme As Viagens de Gulliver atualiza o clássico de Jonathan Swift

Há quem discorde, mas em alguns casos pode ser bem divertido atualizar um clássico. O importante nesses casos é saber diferenciar a história original da adaptada e ter a certeza de que uma não substitui a outra. Em As Viagens de Gulliver é exatamente isso que acontece. O filme não toma, muito menos pretende tomar, o lugar desse clássico da literatura, apenas busca o contemplar com referências e recontar uma história que se perpetua por gerações.

A trama gira em torno de Lemuel Gulliver (Jack Black), um fracassado entregador de correspondência que faz o mesmo trabalho num jornal nova-iorquino há 10 anos. Ele, que é apaixonado pela editora da seção de viagens, Darcy (Amanda Peet), tenta impressioná-la e assume uma matéria sobre o Triângulo das Bermudas. Depois de embarcar nessa missão, ele acidentalmente perde o controle do navio e vai parar numa terra habitada por seres pequeninos, denominada Lilliput. A partir daí, diversas situações vão levar Gulliver a um cargo de alta confiança do rei e aos desdobramentos de sua função.

O filme soa mais como uma paródia do que como uma adaptação. Percebemos isso ao ver, logo de cara, Jack Black no papel do gigante Gulliver. Além de o ator ser conhecido principalmente por papéis cômicos, sua estatura não condiz com a de um gigante, aliás, passa longe disso. Mas está aí uma das principais vantagens do filme: o elenco. Black reforça suas caretas e trejeitos, mas sem parecer artificial demais e tornando o personagem engraçado na medida certa. Como ele, também se destaca Emily Blunt, que aparece numa interpretação divertida, conferindo assim, graça e leveza à Princesa de Lilliput.

As Viagens de Gulliver, livremente baseado no livro homônimo de Jonathan Swift, distancia-se um pouco da fantasia e da magia do autor, mas em compensação ganha no quesito atualização. As referências que ele faz a outros filmes são muito divertidas e dão um toque especial ao humor proposto por essa adaptação. Só pelas citações aos filmes Guerra nas Estrelas, Titanic e Avatar algumas risadas já são garantidas. Outras referências culturais e tecnológicas se encaixam muito bem, uma vez que a proposta do filme é a de trazer o livro para um contexto mais atual.

Questões como se o clássico não basta por si só ou se o público precisa de referências atuais para se envolver são inerentes a esse tipo de adaptação. Mas é importante saber encarar também essas livres versões de uma forma positiva. Essas reinvenções são e vão continuar ficando cada vez mais comuns. E é interessante enxergar o potencial que uma história consolidada há quase 300 anos como essa, tem de se remodelar e atingir o público de outra forma.

Ficha Técnica
As Viagens de Gulliver/Gulliver's Travels EUA , 2010 - 93 min.
Direção: Rob Letterman
Roteiro: Joe Stillman, Nicholas Stoller
Elenco: Jack Black, Emily Blunt, Jason Segel, Amanda Peet, Billy Connolly

 


Paula Medeiros
é estudante de Comunicação Social com participação em Projetos Cinematográficos

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