Paula Medeiros Paula Medeiros 18/2/2011


Besouro Verde não foge à fórmula. Seria o início de uma nova era para Michel Gondry?

Quem poderia dizer que Michel Gondry se arriscaria em áridos terrenos, como os dos filmes de ação hollywoodianos? Difícil de acreditar, mas aconteceu. Entra em cartaz Besouro Verde, a mais nova empreitada do diretor francês e, com ela, duas perguntas: estaria um dos mais autorais diretores contemporâneos rendidos ao vil metal ou estaria ele apenas se divertindo em uma nova experiência? A pergunta vai ficar sem resposta, pelo menos por enquanto. Mas uma certeza podemos ter. É a de que Besouro Verde garante bons momentos de diversão no estilo do mais puro cinema pipoca.

A história é o resgate de uma série de TV de 1966, cujo principal destaque foi Bruce Lee, que interpretava Kato, ajudante do Besouro. Apesar de ter tido formatos para o rádio e para os quadrinhos, a série não vingou. Mas retorna agora, sob as mãos de um trio promissor: Michel Gondry na direção e Seth Rogen e Evan Goldberg (Superbad, de 2007) no roteiro.

Temos que admitir que o filme mostrou ousadia ao fazer um mix com Rogen, famoso pelas comédias, Gondry, pela direção alucinante, e heróis diretamente ligados às artes marciais. O que soaria como improvável, deu certo. E talvez seja nessa improbabilidade que esteja contida a assinatura do diretor.

Besouro Verde narra a história do herdeiro do império jornalístico "Sentinela Diário", Britt Reid (Seth Rogen), um típico mauricinho que teve seus instintos altruístas podados pelo pai, James Reid (Tom Wilkinson). Após a morte de James, ele liga-se a um funcionário da mansão que tem qualidades peculiares, Kato (Jay Chou), e ambos tentam, de alguma maneira, se enveredar pelo caminho da Justiça a qualquer preço. Para tal, criam uma dupla implacável, mantendo o anonimato e utilizando o jornal, agora liderado por Britt, para divulgar as ações dos justiceiros.

Repleto de fórmulas conhecidas dos roteiros de ação, Besouro Verde, num primeiro momento, parece apenas mais um no meio de tantos. Mas, com o desenrolar das ações, nos envolvemos com a interpretação de Rogen que, através de sua veia cômica genuína, diverte e envolve o público com a caricatura do playboy loser e sem graça.

A direção, apesar de incomparável com longas anteriores como Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004) e Ciência do Sono (2006), ganhou frescor por estar nas mãos de um novato no gênero. Obviamente sua aura psicodélica não poderia passar despercebida. Em alguns momentos, ficam claras as referências a trabalhos anteriores. Podemos, inclusive, citar a cena de ação que recupera elementos explorados no videoclipe da dupla The Chemical Brothers, Let Forever Be.

A trilha sonora, baseada no bom e velho rock’n’roll, contribuiu muito para o acabamento de diversas tomadas alucinantes e para a construção de uma excitação crescente dentro da trama.

Entretanto, apesar de todos os méritos, o filme não pode ser enquadrado fora do cinema pipoca. Não há como se iludir em relação a essa afirmativa. Mas isso não é um crime. Aliás, todos nós merecemos um pouco do que os blockbusters têm a oferecer, principalmente quando eles têm o que oferecer.

Ficha técnica

Besouro Verde / Green Hornet
EUA, 2011, 119 min.
Ação
Direção: Michel Gondry
Roteiro: Seth Rogen, Evan Goldberg
Elenco: Seth Rogen, Jay Chou, Christoph Waltz, Cameron Diaz, Tim Wilkinson


Paula Medeiros
é estudante de Comunicação Social com participação em Projetos Cinematográficos.

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