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    Filme e vida em “O Filme da Minha Vida”

    Victor Bitarello Victor Bitarello 29/08/2017

    É muito difícil escrever sobre um trabalho que a gente identifica como excelente. Como, e o que vou falar, sendo que meu medo de não fazer jus é imenso? Mas eu preciso. Eu preciso falar sobre este longa, que aborda algo que tanto amo, o cinema. É necessário dizer que vou precisar de compreensão. Vou precisar, porque é muito possível que eu não esteja certo. Mas, por tratar-se de uma obra tão linda, estar certo, ou não, é irrelevante, já que a emoção fala mais alto que a razão. No entanto, me preocupo com o leitor deste texto. Devo dizer, que preciso também de compreensão, porque tenho que escrever sob uma necessária e grande liberdade de interpretação. A interpretação será a minha. E que todos os que vierem a assisti-lo, que interpretem de forma a se deliciarem, assim como eu.    

    Em “O Filme da Minha Vida”, tem-se a história de um rapaz, Tony (Johnny Massaro), que, ao voltar da cidade grande, onde formou-se professor, para a pequena cidade de Remanso, depara-se com o pai, Nicolas (Vincent Cassel), partindo para a França. Sem entender a situação, o professor prossegue sua vida, lecionando francês na escola local, quando se apaixona por uma aluna secundarista, Luna (Bruna Linzmeyer).

    Trata-se de um filme fotográfico e de sons. Esta última palavra pode parecer uma redundância, mas não é. Ao me referir a sons, digo que cada música do filme tem uma importância especial, que distingue esta característica dos filmes em geral. O pai do personagem protagonista é francês. A cada uma de suas aparições, uma bela música francesa é tocada, fortalecendo a intenção do diretor e do roteirista de mostrar a importância daquele momento. E quando falo em fotográfico, digo que cada cena é quase como uma foto. Ouvimos os diálogos, vemos o fundo, seja uma casa ou um cenário bucólico, mas parados, fotografados, extremamente bem enquadrados.

    Algo muito interessante também foi a intenção de mostrar as revoluções nas vidas dos personagens, através de duas formas. Uma, com o passar da meia noite. Em todos os momentos mais importantes, o relógio era mostrado, e o horário marcava meia noite e cinco, mostrando que um novo dia começava. Uma revolução. Uma nova oportunidade. E outra, era o cinema. No cinema, tem-se marcos de grandes mudanças na vida de Tony.

    O título é muito adequado. Tem-se ali uma vida mostrada, quase toda, como que em um filme. E, ao mesmo tempo, poucas vezes pude dizer isso, mas é muito possível que “O Filme da Minha Vida” ser considerado por muitas pessoas como o melhor filme de suas vidas.

    Victor Bitarello é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal, pela Universidade Candido Mendes (UCAM) e Pós-graduado em Direito Processual Civil pela Faculdade Internacional Signorelli, do Rio de Janeiro. Ator de teatro amador por 15 anos. Apreciador e estudioso de cinema. Servidor público do Estado de Minas Gerais, também já tendo atuado como professor de inglês por um período de 8 meses na Associação Cultural Brasil Estados Unidos - ACBEU, em Juiz de Fora. Graduando em Psicologia.
    Iniciou como colunista deste Portal em janeiro de 2014.

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