The Post – A Guerra Secreta

Victor Bitarello Victor Bitarello 8/02/2018

O público de cinema no Brasil, em regra, é aquele que sai para assistir filmes estadunidenses. Isto, para mim, nunca foi um problema, mesmo porque, o cinema de lá faz muita coisa boa, e foram eles que me ensinaram a amar essa arte. E, junto a isso, acaba que as premiações deles são as mais difundidas. O Oscar é a mais conhecida. Hoje em dia, muitos já conhecem também o Golden Globe, daqui a pouco outras chegarão também. Os Estados Unidos são, em termos de capitalismo, um país muito inteligente, e premiações ajudam a vender, na medida em que dão confiabilidade a um “produto” (diretores, atores, roteiristas, produtores, etc).

“The Post – A Guerra Secreta” (“The Post”) foi indicado a duas categorias no Oscar: melhor filme e melhor atriz, para Meryl Streep. Ambas muito merecidas. No entanto, considerando os filmes que receberam as mesmas indicações, e que eu já assisti até agora, as chances de vencê-las são praticamente nulas, o que não lhes tira o valor. Em especial o trabalho da atriz. Falar bem dela pode parecer fácil demais. Mas o fato é que Meryl, mais uma vez, deu um show! Ela está brilhante! Já quanto ao filme, eu acredito que ele interessará mais a quem goste de história, em especial a um dos momentos mais tristes do século passado, a guerra do Vietnã.

Meryl é Katharine Graham, dona do jornal “The Washington Post”, e a história ocorre durante o mandato do presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. Tom Hanks faz o editor-chefe do jornal, Ben Bradlee, cujo interesse era conseguir notícias que tornassem o jornal mais grandioso, haja vista que o mesmo não se encontrava bem, a ponto de suas ações serem lançadas na bolsa de valores, com o intuito de se capitalizar. O jornal “The New York Times”, naquele momento, publica uma matéria sobre uma série de mentiras, contadas à população do país, acerca de sua atuação na guerra do Vietnã, mas é proibido judicialmente de continuar publicando, em virtude de liminar obtida na justiça, a pedido da presidência. Ben tem acesso aos documentos que provam as denúncias, mas precisa da autorização de Katharine, haja vista que a mesma havia sido procurada por um grande amigo para dizê-la que o mesmo estaria prestes a ser gravemente prejudicado caso tais notícias fossem divulgadas.

O filme tem, basicamente, duas “pegadas”. A primeira delas é lidar com a liberdade de imprensa, bem como mostrar a grandiosidade de sua importância, e o tamanho da responsabilidade em tratar qualquer fato que seja. A segunda delas, deixada um pouco em segundo plano no longa, mas que é possível perceber, é o início da libertação feminina para a assunção de papeis maiores na sociedade. Percebe-se a desconfiança com relação à capacidade de Katharine para dirigir o jornal; nos diálogos da esposa de Ben com ele, ela deixa implícito o quanto ela é deixada sempre de lado, e é como se ele sequer conseguisse entender; há somente uma repórter mulher na equipe de repórteres do jornal. E há uma cena no final, à qual não posso me referir aqui, que é a que acaba deixando tal intenção mais clara.

Não será o melhor filme de sua vida. Mas é um bom filme.

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