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    Iniciando os trabalhos para o Oscar 2019: O retorno de Mary Poppins

    Victor Bitarello Victor Bitarello 2/01/2019

    Em 1964, nasceu um dos musicais mais lindos que a Disney já produziu: Mary Poppins! Carregando com muito carisma o papel título, Julie Andrews foi consagrada no mundo cinematográfico recebendo a premiação mais cara por um trabalho de atuação em cinema, o Oscar de melhor atriz. Um reconhecimento muito merecido, já que provavelmente é um dos personagens mais marcantes da história dessa arte tão adorável.

    Para mim, não é fácil escrever sobre O retorno de Mary Poppins (Mary Poppins returns). Eu realmente sou um apaixonado pelo filme antigo, do tipo de fã que já nem lembra quantas vezes o assistiu. No entanto, vou me esforçar pela observância da imparcialidade.

    Nesta nova chegada de Mary a Londres, as pessoas estão passando pela tristeza trazida pela crise da bolsa de valores de Nova York, em 1929. Da família Banks, são mostrados somente os irmãos Michael e Jane, já adultos, e os três filhos de Michael, sendo que, na trama, este se encontra viúvo há cerca de um ano. É mostrada também a empregada doméstica Ellen, muito bem vivida desta vez pela atriz britânica Julie Walters. Ela entendeu muito bem o que a personagem pede. O amigo de Mary, Bert, de Dick Van Dike, não aparece no filme, mas quem dá as caras é seu sobrinho, Jack, interpretado pela agradabilíssima novidade Lim Manuel-Miranda. A família, assim como no antigo longa, tem suas questões, mas nada que a babá quase perfeita mais linda que já existiu no cinema não possa resolver.

    Eu devo ser honesto e dizer que, mesmo com o empenho em ser independente das emoções pela obra anterior, estou com muita dificuldade em aceitar a indicação de O retorno de Mary Poppins ao Oscar de melhor filme do ano de 2018. Eu digo isso porque ele não é bom! Tem algumas qualidades? Sim. Mas nada que o habilite a estar lá no teatro entre os melhores. E há nele um defeito que eu não consigo tolerar: que filme chato! Caramba, como ele é chato! É inacreditável que conseguiram fazer até Meryl Streep ficar chata. Como?

    Emily Blunt, a protagonista, é uma das possíveis atrizes que estarão no rol das cinco indicadas. O que posso dizer sobre isso? Tipo... Oi? Ela parecia completamente perdida e apavorada ao longo do filme. Dava para ler na testa dela sua insegurança, o que é o total oposto do significado do conceito Mary Poppins. Mary é uma pessoa com forte autoconsciência de suas capacidades. É muito certeira, é muito direta. A participação de Emily foi infeliz e a escolha da atriz foi muito inadequada. Uma pena ela ter ido mal, porque ela é boa.

    Já Lim Manuel-Miranda, o Jack, eu incluo não como possível, mas como provável indicado a melhor ator na cerimônia ano que vem. Foi muito agradável vê-lo dar tudo de si. Ele fez seu melhor. O rapaz deu um show! O filme valeu muito por causa dele. Não há necessidade de esticar sobre sua participação. Ele, como dizem, causou!

    Dos três meninos filhos de Michael, não há dúvidas de que o caçula, Joel Dawson, se destacou. Junto com Manuel-Miranda, são os maiores destaques do filme.

    É provável que "O retorno..." esteja entre os indicados porque, querendo ou não, existem características que estão bem colocadas ali. Tecnicamente falando, o encaixe dos desenhos com os personagens, assim como no filme de 1964 (guardadas as devidas proporções da tecnologia daquela época), está muito interessante. Há uma boa relação do desenvolvimento da personagem Jane, com a mãe, Winifred, como que mostrando a influência exercida sobre a filha, só que, ao invés da luta pelo sufrágio, agora a luta junto aos sindicatos. No entanto, há pouco ou zero paralelismo do personagem Michael com todo o conjunto da história que ele representa. Mesmo que haja as razões emocionais das tristezas e dificuldades que ele esteja passando naquele momento, faltou essa observância. O antagonista também é mal demais! Não é a proposta da história. Ele deveria ser um pouco mais "palhacinho". Houve grave falha de direção e roteiro nestes aspectos. Algumas músicas são boas. E, como dito, há algumas ótimas atuações e uma linda surpresa no final.

    Na humilde opinião deste colunista, não vale a indicação à premiação. Infelizmente. Não mesmo.

    Victor Bitarello é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal, pela Universidade Candido Mendes (UCAM) e Pós-graduado em Direito Processual Civil pela Faculdade Internacional Signorelli, do Rio de Janeiro. Ator de teatro amador por 15 anos. Apreciador e estudioso de cinema. Servidor público do Estado de Minas Gerais, também já tendo atuado como professor de inglês por um período de 8 meses na Associação Cultural Brasil Estados Unidos - ACBEU, em Juiz de Fora. Graduando em Psicologia.
    Iniciou como colunista deste Portal em janeiro de 2014.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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