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    O Rei Leão

    Victor Bitarello Victor Bitarello 24/07/2019

    É possível dizer muita coisa boa sobre o atual "O Rei Leão", que há vinte e cinco anos estreou como animação, também produzida pela Disney.

    Desta vez, fui levado ao cinema pela alegria de poder revê-lo em formato de película. Fiquei totalmente arrepiado com a famosa caminhada dos animais rumo ao ritual de apresentação daquele que sucederia o rei Mufasa. Seu nome: Simba.

    A ida até o bebê e a reverência feita quando ele foi levantado constituem cenas lindas, em cumprimento do entendimento da cultura local de que era uma tradição a ser rigorosamente respeitada. Provavelmente, os habitantes do reino seguiam a tradição porque estava tudo bom para todos e, mantendo-a, o equilíbrio seria constante, com o bem estar dos animais do reino.

    No entanto, se naquele reino estava tudo muito bem, será realmente que estava bem para todo mundo? Essa dúvida é muito bem colocada em "O Rei Leão".

    Scar é o primeiro grande exemplo sobre a problematização dessa dúvida. Num mundo onde a inteligência não é o bem de maior valor, ele é vencido pelo irmão, fisicamente mais forte, e que, por isso, se torna rei, casando-se também com a fêmea desejada. E, para mim, que não acredita na maldade inata, ele, sentindo-se injustiçado, por não ter sido cumprida a tradição do filho mais velho tornar-se o líder, vai, com o tempo, tornando-se mau, invejoso, desejoso de que tudo aquilo que fosse valoroso para o irmão fosse destruído. Inclusive, na interessantíssima relação entre ele e Simba, em suas tentativas de prejudicar o irmão e adquirir poder, é possível perceber a facilidade animal diante da tentação. Quem tenta, sabe o que está fazendo. Propositalmente, pega no ponto fraco. Scar consegue tentar Simba, que, mesmo sempre "se dando mal" com o que é sugerido pelo tio, mesmo assim o faz.

    No ponto de vista do rei, Mufasa, o pai de Simba, lhe põe como regra natural das coisas um "ciclo da vida". O ponto principal disso é que, para ele, rei, detentor do poder máximo local, intocável, portador de todos os luxos e superior na cadeia alimentar local, isso era o melhor a ser pensado. É cômodo para um governante pensar que o correto é o mais forte se valer do mais fraco, e que o mais fraco, de alguma forma, um dia, será recompensado. Mas, ao mesmo tempo, ele, enquanto governante, tinha que fazer uma escolha sobre a forma de exercer o poder local. E essa foi a escolha

    As abordagens sociais são feitas no filme em outros dois grupos: primeiramente, o das hienas. Após, a sociedade em que viviam o suricate Timão, e o javali Pumba.

    As hienas, grupo socialmente excluído, revoltosas diante de um reino no qual não se encaixavam, eram marginalizadas, e, com isso, alvo fácil para quem as quisesse fazer de exército do mal, o que é exatamente o que ocorre no filme.

    Já os habitantes de um outro local, que no filme é mostrado simplesmente como não sendo as terras do reino, onde viviam Timão e Pumba, aceitaram a exclusão social e fizeram, à sua forma, suas vidas dentro dela. Comiam do pior, mas acostumaram-se (...). Há um momento muito legal, que é quando Simba, já há algum tempo vivendo ali, tenta interagir com um dos bichos, que fica completamente apavorado. Ele precisa ser alertado pelos amigos de que, para ele, não há possibilidade de interação com alguns animais. Eu achei essa fala TÃO genial, TÃO incrível, que não me sinto apto, em um espaço pequeno de linhas, a tentar discorrer sobre isso. Mas, com certeza, é possível filosofar muito sobre isso.

    Finalizando, falando de Mufasa novamente, e sobre a vida da "corte", independentemente de haver facilidades e tranquilidades em seus dias, o que não havia para os demais animais, uma coisa muito importante deve ser apontada e que o filme fala: há nele a característica principal que um governante, a meu ver, deve ter, que é um enorme sendo da responsabilidade que a função que carrega consigo exige.

    "O Rei Leão" é um filme com imagens incríveis. Me deixou muito impressionado. Eu não recomendo, definitivamente, que se leve crianças. O formato película tornou o filme muito violento, e, com isso, para crianças, acaba que fica bem forte.

    Enquanto momento de diversão, não posso dizer que me diverti tanto. Apesar de terem sido possíveis as observações, ele é um pouco longo demais, cheguei a achar um pouco monótono. Ao contrário do recente remake de outra antiga produção, "Aladdin", que eu fiquei embasbacado de tão maravilhoso que foi (inclusive, há mais remakes por virem). "O Rei Leão" valeu mais pela sensação de relembrar a infância. Para quem o viu naquele tempo, confira!

    Victor Bitarello é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal, pela Universidade Candido Mendes (UCAM) e Pós-graduado em Direito Processual Civil pela Faculdade Internacional Signorelli, do Rio de Janeiro. Ator de teatro amador por 15 anos. Apreciador e estudioso de cinema. Servidor público do Estado de Minas Gerais, também já tendo atuado como professor de inglês por um período de 8 meses na Associação Cultural Brasil Estados Unidos - ACBEU, em Juiz de Fora. Graduando em Psicologia.
    Iniciou como colunista deste Portal em janeiro de 2014.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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