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    Crime sem saída

    Victor Bitarello Victor Bitarello 23/12/2019

    "Crime sem saída" é o nome escolhido para o americano "21 Bridges". No Brasil, em regra, não se escolhe bons nomes quando não se traduz ao pé da letra. Inúmeras vezes, quase todas elas, a tradução literal daria uma ideia melhor Mas, nesse caso, ao dizer "sem saída", explica-se bem o que acontece na história, já que o detetive Andre (Chadwick Boseman), ao pedir que se feche o acesso às 21 pontes que possibilitam a entrada e saída da ilha de Manhatann, impossibilita que dois criminosos consigam fugir.

    Andre é reconhecido por ser um excelente policial, apesar ser muito criticado por já ter matado vários criminosos.

    Eu devo confessar que o filme me surpreendeu muito. Positivamente falando. O roteiro do filme é muito crítico e muito bem conduzido. Num primeiro momento, ele é muito semelhante ao clássico cinema de ação norte-americano. Passa a ideologia do "bandido bom é bandido morto", de que as coisas têm que ser resolvidas na bala, e da justiça sendo feita com as próprias mãos.

    No entanto, no decorrer da história, com a construção de falas e a participação tanto do protagonista, quanto de um dos criminosos, Mike (Stephan James), percebemos que as coisas não são tão simples assim. Que não se trata de um filme somente sobre perseguições e tiros. Trata-se de uma discussão bem razoável sobre a problemática da segurança pública. De tudo aquilo que gera a violência. O desenvolver da violência, na vida daqueles que se tornam criminosos. Os esquemas de corrupção policial que cooperam com o crime, atrapalhando também, com isso, os demais policiais a fazerem seus serviços. O filme propõe muitas discussões implicitamente. Cito uma, muito séria, que diz respeito a decidir o que é melhor, ou não, sobre qual o melhor destino a dar a criminosos. Esse debate é muito acirrado, porque as opiniões se dividem muito. Não se pode desconsiderá-las. O debate penal é muito bem abordado no filme, mesmo que ele se trate a todo tempo de um filme de ação.

    Considerando que os dois principais atores do filme são negros, isso toca na ferida racial americana. Lá o racismo não é disfarçado. Deixa-se claro no filme que houve aquele que não seguiu o caminho "do bem" e o que seguiu. Mostra-se como é difícil a vida de uma pessoa negra lá.

    E, finalizando, outro ponto ótimo do longa é a participação de peso do excelente J. K. Simmons, um grande ator dos Estados Unidos.

    Para quem gosta de ação, ou, de certa forma, para quem não tem muita aversão ao gênero, vale muito a pena. É um filmão.

    Victor Bitarello é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal e pós-graduado em Direito Processual Civil. Tem experiência enquanto ator de teatro por vários anos, sendo também apreciador e estudioso de cinema. Servidor público do Estado de Minas Gerais, também já tendo atuado como professor de inglês. Graduando em Psicologia.
    Iniciou como colunista cinematográfico deste Portal em janeiro de 2014.
    Contato: vbitarelloalves@gmail.com

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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