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    Oscar 2020: História de um Casamento

    Victor Bitarello Victor Bitarello 2/01/2020

    Scarlett Johansson é uma atriz incrivelmente linda, e incrivelmente insuportável. Eu só consigo entender o porquê de ela estar onde está, por possuir uma beleza fascinante, um "carão" muito sensual e também muito comercial. Vê-la atuando é como se estivéssemos assistindo teatro de escola infantil. No entanto, eu devo reconhecer que em "História de um Casamento" até que ela vendeu razoavelmente bem o peixe da personagem. Uma personagem difícil, numa trama muito intensa. Ela deu conta.

    Adam Driver tem um dos rostos mais cinematográficos dos últimos tempos das produções dos EUA. Ele tem um olhar e um posicionamento muito impactantes. É carismático. Com o simples fato de estar diante da câmera, ele consegue passar muita emoção. Seu trabalho está fantástico no filme. A carga dramática ficou, em regra, por conta de seus momentos e falas.

    "História de um Casamento" é um filme sobre a separação do casal Nicole (Scarlett) e Charlie (Adam), ela atriz, ele diretor de teatro. O casal, por ter um filho, Henry (Azhy Robertson), acaba tendo que tomar todas as decisões baseando-se, principalmente, no bem estar do garoto.

    O roteiro do filme é extremamente bem construído e trabalhado. Não tenho nenhuma dúvida quanto a sua indicação ao Oscar e forte chance de vitória, apesar de ter como concorrente de peso o longa de Quentin Tarantino ("Era uma vez em... Hollywood).

    Quando eu escrevi a análise crítica de "Coringa", eu expus meu incômodo relativo ao fato dele apresentar um roteiro muito ruim, confuso e tendencioso. Ele tentou abordar um monte de coisas e acabou sendo mal sucedido em todas. Já "História de um Casamento" é o oposto disso. Ele traz uma série de questões muito sérias, que pedem muito zelo e cautela ao serem levadas para o público, e ele o faz. O roteirista e diretor Noah Baumbach realizou um trabalho muito feliz.

    A condução que Noah fez do início do processo de divórcio, quando eles decidem romper a relação, até o fim do filme, é louvável. Cada um dos sentimentos que ele escolheu passar para nós, vindos daquele casal, foram plenamente transmitidos. A gradação das emoções. As dificuldades em lidar com algo novo, muito triste, que exigia deles muita doação. Foi tudo muito bem feito.

    Com relação ao filho, o filme é muito sutil ao abordar as problemáticas que o envolvem. Tudo é tratado de forma muito digna, sem caricaturas, sem lugares comuns e "achismos". Foi muito grato assistir.

    A crítica que o roteiro construiu em cima do sistema judiciário do divórcio no país foi perfeita. Nos EUA, há grande possibilidade do processo tornar a vida dos que estão se separando muito pior do que ela já está. Advogados que têm um sistema legal com muita brecha para serem avessos à ética. Mais preocupados em serem vitoriosos do que em verem seus clientes bem. Pessoas do sistema público sendo invasivas e insensíveis.

    Os pontos mais fortes do roteiro são os momentos de diálogo e discussão entre Nicole e Charlie. Nossa! Quando o filme acabou, eu estava tenso! São tão ricos! Tão reais! E Adam está incrível, caramba, que ator. Não nego que Scarlett está bem também. Mas o roteiro construído para o personagem dele é mais honesto, mais autêntico. O personagem é muito bem resolvido enquanto alguém que passou o casamento pensando basicamente na realização dos próprios sonhos. Já Nicole passou boa parte do casamento incomodada com essa situação, e quando decide se separar, depositou em uma advogada que mais parecia uma "ave de rapina", as dores que poderia ter levado aos ouvidos de um profissional da psicologia.

    "História de um Casamento" é um filme duro. Muito duro. Não é fácil assisti-lo. Mas é excelente. Uma grande obra do ano de 2019. Eu não aposto nele como vencedor do prêmio principal. Mas a indicação é certa, bem como os atores principais e roteiro. Acredito que, caso consiga alguma vitória, será a de Laura Dern, de melhor atriz coadjuvante, no papel da advogada Nora. E se vencer melhor roteiro, não será injusto.

    Victor Bitarello é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal e pós-graduado em Direito Processual Civil. Tem experiência enquanto ator de teatro por vários anos, sendo também apreciador e estudioso de cinema. Servidor público do Estado de Minas Gerais, também já tendo atuado como professor de inglês. Graduando em Psicologia. Iniciou como colunista cinematográfico deste Portal em janeiro de 2014.
    Contato: vbitarelloalves@gmail.com

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