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    Os pombos são os astros Curta universitário realizado no Parque Halfeld brinca com os pássaros e os jogadores de cartas que dividem o espaço

    Marcelo Miranda
    Repórter
    08/05/2006

    Quem passa pelo Parque Halfeld durante o dia já está acostumado a ver os pombos se alimentando por ali, principalmente quando alguém se dispõe a fazê-lo. Mas para o produtor paulista Melchi Rodrigues, ver os pombos comendo os grãos era novidade até três meses atrás, quando ele se mudou para Juiz de Fora com o objetivo de fazer faculdade de Cinema. E foi a partir da "descoberta" desse elemento tão típico do parque que Melchi decidiu dirigir um filme para uma disciplina do curso.

    "Antenor", filmado em digital com câmeras mini-DV, já está em fase de edição e fica pronto ainda esta semana. Inicialmente apenas um trabalho acadêmico, o resultado tem ficado tão bom, ao olhar de alunos e professores, que a pretensão é inscrevê-lo em festivais. "Nunca tivemos grandes ambições com o filme, mas temos tido um retorno positivo de quem assiste ao que está pronto e agora queremos mostrá-lo além da sala de aula", diz Melchi, 49 anos, ao lado de monitores e telas de edição.

    A idéia para "Antenor" surgiu de caminhadas que o aluno e diretor fazia com a esposa ao redor do Parque Halfeld. Ficou fascinado pela quantidade de pessoas que ficavam ali apenas por conta de jogos de carta. Ele se aproximou dos jogadores e criou laços ali, o que incluía convites para jogar também. "Eu acompanhei por vários dias o cotidiano dessa gente. Percebi que são todos irreverentes e dispostos a deixar de trabalhar ou ficar com a família, a enfrentar sol ou chuva, apenas para ficarem com o baralho", relata Melchi, que logo perguntou algo aparentemente óbvio a eles: "e os pombos não fazem cocô em vocês?". Com a resposta positiva, estava dada a idéia para um curta-metragem.

    A trama, em tom de comédia, gira em torno de um grupo de jogadores que sofre com a insistência dos pombos em sujá-los. Acusam como culpado Antenor, senhor de idade que passa horas a alimentar os bichos. Um dos personagens arma um elaborado plano para fazer com que Antenor não mais dê comida aos pássaros. Foram dois meses na elaboração do roteiro, em paralelo com a pré-produção. A proposta da disciplina era que o filme fosse em preto-e-branco e tivesse poucos diálogos, fazendo com que as imagens e os planos contassem mais que a história do que as falas dos personagens.

    Condicionando os animais
    A equipe principal de Melchi (de barba, na foto), composta por outros três alunos (Tatiana Buitrago na produção e câmera, Demetrius Coutinho nos efeitos visuais e making-of e Renato Gomes, também na foto, a cargo da fotografia e still), teve como um dos desafios "domesticar" os pássaros. "Os pombos do parque se alimentam mais num lugar afastado das mesas de jogo. Precisávamos que eles estivessem próximos aos jogadores para conseguir captar bem as imagens. O jeito foi ir cevando os animais de forma a acostumá-los a comer em outro lugar", conta Melchi, que passou duas semanas indo diariamente dar de comer aos pombos em outro ponto de forma a condicioná-los. E à medida que fazia esse trabalho, a quantidade dos bichos era maior. "Notei que não teria qualquer problema com o número deles", brinca o diretor.

    Nos dois dias de filmagens (9 e 16 de abril), alguém da produção ia até a árvore onde os pombos ficavam, começava a espalhar grãos de milho e ia fazendo o percurso até as mesas, onde estava posicionada a equipe inteira - um total de mais de 70 pessoas, entre atores, técnicos e figurantes. E claro, os mais de 100 pombos atraídos até ali. Com orçamento total estimado em R$ 2 mil, "Antenor" conseguiu uma série de apoios na cidade, de diversas empresas que ajudaram com equipamento, figurino e todas as principais necessidades de produção. Os dois personagens principais são os únicos atores profissionais do elenco - Cláudio Trombini e Francisco Nicoliti. A maioria de quem aparece em cena é formada por jogadores verdadeiros do Parque Halfeld, para dar certo caráter de veracidade à situação do filme.

    Melchi Rodrigues, que mantém um site pessoal contando suas experiências em cinema, não é nenhum novato na realização de trabalhos audiovisuais. É orodutor de vídeo há doze anos em São Paulo e também professor de Jornalismo e Publicidade no Centro Universitário Adventista de SP, localizado em Engenheiro Coelho, na região de Campinas. Melchi está em Juiz de Fora especialmente para o curso de Cinema na Universidade Salgado de Oliveira.

    Terminado, deve voltar para a cidade paulista e aplicar os novos conhecimentos numa disciplina das faculdades onde administra aulas. "Primeiro fará parte da grade do Jornalismo e da Publicidade, mas se tiver muita procura talvez seja aberta uma habilitação em Cinema", afirma.

    Enquanto isso, Melchi transferiu sua produtora para JF e é de casa que finaliza "Antenor", com o auxílio dos outros participantes do projeto, como Renato Gomes, diretor de fotografia. "É muito divertido, mas também trabalhoso demais. Quando estamos no set, filmando, é tudo ótimo. O mais complicado é mesmo a preparação e a pós-produção", diz Renato, empolgado para terminar o trabalho e ver o resultado aparentemente promissor.


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