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    Face a face com Fernanda Cunha & Sueli Costa

    Daniela Aragão Daniela Aragão 20/08/2018

    Como disse, emocionada, Fernanda Cunha "Tom abriu muitas portas para os músicos brasileiros no exterior. Eu fui cantar na Malásia e, de repente, comecei a cantar Tom Jobim e o público retornou muito receptivo". Certamente não consigo reproduzir com fidelidade plena as palavras de Fernanda, considerando a emoção que me tomou todo o tempo, no Teatro Central, e que me fez derramar muitas lágrimas. Tom, além de trazer um repertório lindo, indiscutivelmente, foi cantado e tocado pelos mais inimagináveis recantos do mundo. Não é fácil trazer Tom Jobim ao público com tamanha beleza, verdade, leveza, profundidade e respeito, como fez Fernanda Cunha, em Juiz de Fora, acompanhada pelos músicos maravilhosos.

    Arranjos que revelaram a beleza em cada filigrana de Tom, sem cair no excesso de improvisos virtuosos, ou no lugar comum da performance, que poderia contemplar o mais banal. Camilla Dias, precisão e sensibilidade (Only one finger) no entoar de cada tecla. Zé Carlos, que eu já conhecia dos lindos discos, ao lado de Fernanda, soberano em seu violão divino! Berval Moraes, amigo e grande baixista (que já me acompanhou na travessia dos shows de divulgação do meu CD sobre a obra de Sueli Costa e Cacaso) integra a trupe, como a grande "prata da casa". A bateria softy de Helbe Machado, em cada desempenho, com assinatura de mestre.

    E Fernanda Cunha? Absoluta, num figurino composto por um vestido longo de tecido leve e florido, comunhão de textura com a natureza elegante e suave de Tom. Uma luz azulada incide sobre a cantora e quase sinto um cheiro de orvalho passar voando rápido com o Passarim: “Passarim quis pousar, não deu, voou/ Porque o tiro partiu, mas não pegou/Passarinho me conta então me diz / Por que que eu também não fui feliz?”.

    Em sua beleza e maturidade, Fernanda Cunha era plenitude no palco. Nada sobrava, nada faltava. Um segundo ela se senta para cantar "Angela por que tão triste assim agora e tudo o quanto existe chora". Como não chorar?

    E sobe ao palco Sueli Costa, pra machucar de vez o coração de nós todos. O rapaz ao meu lado não conseguia conter as lágrimas: "A canção brasileira chegou com o fim do verão o sol está presente como continua o impossível amor". "São as trapaças da sorte são as graças da paixão/ quem quiser casar comigo tem que ter opinião”. Tia e sobrinha, duas artistas, duas mulheres de mãos dadas entre si e entrelaçadas ao público, em completa festa de epifania sonora: “Quero cantar pra você segunda feira de manhã pelos seu rádio de pilha tão docemente” . Beleza bonita de ver!

    Era momento de magia que ainda me deixa extasiada. Obrigada Fernanda, Sueli, músicos e ao amigo e parceiro musical Luiz Cláudio Ribeiro por presentear a cidade com esse momento inesquecível!

    Daniela Aragão é Doutora em Literatura Brasileira pela Puc-Rio e cantora. Desenvolve pesquisas sobre cantores e compositores da música popular brasileira, com artigos publicados em jornais como Suplemento Minas de Belo Horizonte e AcheiUSA. Gravou, em 2005, o CD Daniela Aragão face A Sueli Costa face A Cacaso.

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