A música que transforma


Daniela Aragão 21/11/2020

"Música pra mim/É feito o ar que eu sorvo/A mão que eu movo e o coração/A sístole e diástole /É um grito de socorro /Se termina eu também morro",  a canção de Guinga e Aldir Blanc explode em meus ouvidos como mantra de salvação. É pela música e com a música que existo, respiro, resisto, me inspiro, prossigo, insisto no prosseguimento dos dias despidos de qualquer lógica de tempo, projeto ou lugar. 

Que palavra, canto ou grito poderiam vazar de meus poros? Confesso que intensifiquei consideravelmente minha relação de casamento visceral com a música nesse período tão longo de confinamento. O som e seu misterioso sentido, poderia talvez me responder José Miguel Wisnik, com suas pérolas que jogou aos poucos, tão parcos.  

O som e seus tantos sentidos que me acompanham na rotina de vestir e despir máscaras.  Inventei cores para alternar com uma aquarela mais suave os pedaços de tecido que escondem metade de minha face. "Quando a luz dos olhos meus/ E a luz dos olhos seus resolvem se encontrar". Poucas vezes saio para abastecer a geladeira e munir de produtos de limpeza que  maculam com odor artificial de jasmim minha indomável sede de natureza.

Como estratégia instintiva de sobrevivência fui resgatando a saudade sonora de meus conterrâneos mestres que me guiaram e inundaram de luminoso lirismo os meses de julho, agosto, setembro, outubro: "Outros outubros virão outras manhãs plenas de sol e de luz". Com força e com vontade inventei uma espécie de felicidade ao resgatar e comungar a criação de João Medeiros Filho e Hélio Quirino. Começo por hoje com esse convite pra vocês. Visitem meu canal: Daniela Aragão. Pode ser um elixir sonoro nesses tempos.

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