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    Cravista juizforano é aceito em escola de música alemãGuilherme de Morais vai estudar performance solo e camerística na Musikhochschule, em Freiburg. O musicista quer contribuir com estudo da música colonial brasileira

    Clecius Campos
    Repórter
    18/10/2010

    O cravista juizforano Guilherme de Morais foi aceito na escola de música Musikhochschule, em Freiburg, na Alemanha. O musicista fará curso de aperfeiçoamento master em performance, em que terá a oportunidade de melhorar sua prática solo e camerística, em conjunto com outros instrumentos. A Alemanha já era pensada como destino desde 2008, com a aproximação do fim de seu mestrado, feito na Universidade de Campinas (Unicamp).

    "Mesmo antes de terminar o mestrado, iniciei contatos com a Musikhochschule. Fiz a seleção nessa escola e também na Folkwang Hochschule, em Essen. Fui para a Alemanha, onde fiquei 20 dias, por conta dos exames. Fui aprovado nas duas escolas e optei pela primeira." A presença de dois grandes nomes do cravo que irão orientar Morais pesou para que ele decidisse ir para Freiburg. "Ter dois professores do calibre de Robert Hill e Michael Behringer foi o que me fez escolher. Além disso, já fazia contatos com Hill em 2008."

    Morais prepara-se para deixar o Brasil em março de 2011. As aulas iniciam-se em abril, mas ele quer um tempo para se acostumar com o país. A intenção é finalizar o curso em quatro semestres, mas o cravista nem sonha em ficar todo esse tempo na Europa, sem visitar o Brasil de vez em quando. "Se depender da minha vontade, sequer quero viver na Europa. Minha contribuição é muito mais válida aqui. O Brasil precisa que os músicos venham e desenvolvam a música colonial e a música antiga aqui. Ainda estamos engatinhando nesse quesito."

    A contribuição que pode dar é grande. Morais pesquisa as modinhas portuguesas desde a graduação, também cursada na Unicamp. O cravista fez uma edição moderna de peças que não tinham acompanhamentos realizados. A intenção foi resgatar os acompanhamentos, com contextualização histórica. "Usei tratados portugueses sobre a realização do baixo contínuo e propus as edições. A ideia era estudar algo que carecesse de pesquisa. De que adiantaria estudar Bach, que é um dos mais estudados, e não ter nenhuma novidade? A contribuição é maior quando você estuda algo do seu povo. Ainda que a pesquisa traga poucos elementos, que tragam elementos novos."

    Piano com cabeça de cravista

    Morais começou a estudar música aos 14 anos de idade e pouco mais tarde ingressou no Conservatório Estadual de Música França Americano. Em seguida, foi aluno de André Pires, com quem tinha aulas de cravo, usando um piano. "O cravo tem a ver com a visão do repertório. Eu tocava piano com a cabeça de um cravista. O André Pires me ajudou muito nisso. Os poucos contatos que tinha com o cravo eram nos festivais [de Música Colonial e Antiga]. Quando me perguntavam que instrumento tocava, ficava sem ter uma resposta ideal, pois eu tocava o piano, mas do jeito que se toca um cravo. Então, eu dizia que era um tecladista."

    A prática mecânica e a mente focada permitiram que Morais fosse aprovado pela Unicamp. "Eu pensava na Unicamp desde antes do ensino médio, pois na época era a única universidade com graduação em cravo. As pessoas que me conheciam e assistiram a minha prova de admissão na faculdade ficaram espantadas com o meu estágio avançado no instrumento, mesmo tendo aulas em um piano. Em tese, aquela era a primeira vez que estudava cravo regularmente."

    Foto do grupo Oficina Barroca Foto do grupo Oficina Barroca

    O desempenho na faculdade abriu portas para o músico no Estado de São Paulo. Ele fundou um grupo formado por instrumentos barrocos chamado Oficina Barroca, tocando músicas do período, historicamente orientadas. "O primeiro concerto gerou propostas para novas apresentações." A oficina é formada por um quinteto de cordas, além do cravo. São dois violinos, uma viola, um violoncelo e um contrabaixo. Eventualmente, tocam com músicos convidados. O repertório é basicamente formado por música alemã e italiana do século XVIII, com temas de Bach, Vivaldi, Telemann e Scarlate.

    "Participamos da série Sesi Música nos anos de 2008 e 2009 e passamos por várias cidades do interior de São Paulo, como Piracicaba, Araraquara, Birigui e Rio Claro. Além disso, participamos da Série Concertos ao Meio Dia do Centro Cultural São Paulo, na capital, durante o ano de 2008." O grupo teve um projeto cultural aprovado pelo Programa de Ação Cultural (Proac) da Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo e pretende realizar concertos em todo o Estado. "É um programa de incentivo fiscal. No momento estamos captando os recursos com a iniciativa privada, já que essa é a dinâmica do apoio que conseguimos. A ideia é realizar essas apresentações entre julho e agosto de 2011, quando estarei de férias do aperfeiçoamento na Alemanha."

    Por falta de oportunidade, o cravista nunca se apresentou em Juiz de Fora e em nenhuma cidade de Minas Gerais. "Fui estudar em São Paulo e acabei fazendo carreira por lá. Sou daqui, tenho vontade de tocar em Juiz de Fora. Espero que aconteça em um futuro próximo."

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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