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  • Festival 2008

    Instrumentos antigos atraem pela beleza e pela sonoridade Conheça um pouco mais sobre os instrumentos utilizados nos concertos e oficinas do 19º Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga



    Fernanda Fernandes
    Repórter
    18/07/2008

    Orquestras e repertório modernos fazem parte da programação do 19º Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, organizado pelo Centro Cultural Pró-Música. Ambos têm funções didáticas e artísticas, mas a peculiaridade do evento juizforano é investir no ensino e na interpretação da música antiga.

    Além de ter sonoridade diferente, os instrumentos antigos atraem pela beleza da forma. Parte do material utilizado nos concertos são reproduções dos de época, mas há também raridades, como o violino de dois séculos e meio do diretor artístico do festival, Luís Otávio Santos.

    Segundo Luís Otávio, que é também regente da Orquestra Barroca do Festival, o antigo é um conceito complexo, pois a música do século XX já poder ser considerada antiga, de certa forma.

    O que distingue o trabalho apresentado no evento está na maneira de abordar as obras, não só utilizando instrumentos adequados, mas tocando com as mesmas técnicas do tempo em que as peças foram compostas, para recriar a sonoridade da época.

    De modo geral, o conjunto da música antiga incluía o que foi produzido nos períodos medieval, renascentista e barroco. Mas, de uns tempos pra cá, as peças da época clássica entraram para este rol, desde que tocadas de maneira historicamente informada.

    foto de oboé barroco

    Dependendo do período abordado, alguns instrumentos têm apenas afinação ou arco diferentes, como é o caso do violino barroco de Luís Otávio, transformado em clássico com pequenos ajustes.

    Já no naipe de sopros a situação é outra. O oboé clássico, por exemplo, tem outro diâmetro de tubo, outra palheta e mais chaves que o barroco (foto).

    Os primeiros instrumentos de sopro eram muito restritos em relação à quantidade de notas que podiam produzir e afinações. Alguns dos mais antigos, como a flauta doce, são utilizados até hoje. Com o passar do tempo, foram ganhando válvulas, chaves e pistões, passando a ser construídos em diferentes materiais.

    Na orquestra, os instrumentos de sopro são tradicionalmente divididos em metais (como trompa, trompete, tuba, corneta e trombone), e madeiras (como oboé, clarineta e fagote). Cada um deles pertence a uma família, que contém outros instrumentos, como flauta piccolo, corne inglês, contrafagote etc.

    foto de fagotes e outros instrumentos de sopro

    Não é difícil imaginar que os primeiros instrumentos de sopro possam ter tido sua origem em grandes conchas e bambus. Trompetes que ainda podiam ser tocados foram encontrados no túmulo de Tutankamon.

    Já os instrumentos de percussão são apontados como os primeiros a serem desenvolvidos e serviam como importante meio de comunicação no passado, assim como o trompete, que conduzia batalhas.

    Teclas de outros tempos

    Os teclados mais antigos são da família do cravo, que inclui a espineta, o virginal e o clavicórdio, e do órgão, que possuem mecanismos totalmente diferentes do piano.

    foto de cravo O cravo surgiu no século XV, popularizou-se no XVI e foi substituído pelo piano no século XIX. Na Orquestra Barroca, Alessandro Santoro toca um instrumento de 1984 (foto), feito por Abel Vargas, baseado em modelo francês.

    A família do cravo, têm cordas pinçadas, ou seja: ao ser abaixada, a tecla faz levantar uma peça que pinça a corda com uma palheta.

    No órgão de tubos, as teclas pressionam válvulas que permitem a entrada de ar. Os mais antigos (foto) exigiam que alguém manipulasse foles de ar, enquanto o músico tocava. Posteriormente, o método foi substituído por mecanismos acionados por eletricidade.

    Já o piano é um instrumento de percussão, em que as teclas acionam martelos que percutem em cordas. Seu ancestral é o fortepiano, cujo sistema inventado em 1968 por Bartolomeo Cristofori permitiu aos músicos imprimir mais ou menos força ao tocar.

    foto de órgão de tubos

    Hoje, alguns dos instrumentos antigos são considerados exóticos. Eventualmente, os concertos do festival trazem uma teorba, por exemplo, um instrumento de corda com longo braço. Ou mesmo um alaúde, mais conhecido do imaginários do público porque era o instrumento-rei na Europa do século XVI e foi muito retratado pelos pintores renascentistas.

    Apesar de ter aparência semelhante à de um violoncelo, a viola da gamba é um instrumento diferente e muito importante no repertório barroco, pois é responsável pelo baixo contínuo nos conjuntos pequenos, os ensembles, além de ter um bom repertório solo.

    Especialistas dizem que a viola da gamba é o instrumento que mais se aproxima da voz humana e, no século XVII era considerado o mais perfeito por se aproximar das emoções produzidas pelo homem.

    Foto: Reprodução Foto: Reprodução Foto: Reprodução
    Cordas do passado

    Aparentemente, o violino barroco de Luís Otávio é semelhante ao instrumento moderno. Há várias pequenas diferenças nas peças e no arco. O que realmente muda, porém, é a forma de tocar, sem apoiá-lo no queixo.

    A evolução dos instrumentos acompanha a história das civilizações. De acordo com a mitologia grega, a flauta teria sido inventada por Pan, a cítara por Apolo, a harpa por Narada, o alaúde por Pólux e a lira por Mercúrio. Muito da história da música ficou registrado pelos gregos e egípcios, em seus documentos e obras de arte.

    Da primeira corda esticada para produzir som, o homem chegou à extraordinária complexidade do violino, que é composto de quase 70 peças diferentes. Ao longo do tempo, o suporte foi modificado para adaptar-se aos ambientes em que as peças eram executadas.

    foto de Luís Otávio tocando violino barroco

    Com a criação das grandes orquestras sinfônicas, a partir do século XIX, os instrumentos foram adaptados para os grandes teatros. Violinos, violas, violoncelos e contrabaixos antigos têm cordas de tripa, que são mais elásticas e propiciam uma afinação mais baixa.

    Os instrumentos modernos têm acordoamento metálico, feito para produzir um alcance muito maior e não para os pequenos espaços de câmaras e igrejas.

    As cordas podem ser tocadas, com arco, ou tangidas, com dedos ou palheta, e subdividem-se em famílias. Os modernos violinos, violoncelo e contrabaixo têm como antepassados variações da viola de braço ou da viola da gamba.

    Já instrumentos como o violão e o cavaquinho evoluíram provavelmente de guitarras renascentistas e barrocas e da vihuela.

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