Descentralização é a marca da gestáo de ?rica Delgado na Funalfa

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Funalfa passa a ser gerida por meio de colegiados ?rica Delgado priorizou o di?logo entre o poder p?blico e a classe art?stica no ano 2005/2006, criando comiss?es para discutir todo e qualquer assunto

Marinella Souza
*Colabora??o
04/12/2008

A professora ?rica Delgado esteve ? frente da Funda??o Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) no per?odo entre 2005 e 2006 e v? o di?logo como marca de sua ger?ncia. "N?s nos dedicamos a refor?ar essa postura de estar sempre aberto a conversas com os funcion?rios, com a classe art?sticas e com os interessados na cultura de uma forma geral", diz.

Para que isso fosse poss?vel, ?rica optou por criar comiss?es para discutir todo e qualquer assunto. A Funalfa passou a ser gerida por meio de colegiados formados por representantes da Funalfa, dos funcion?rios e das pessoas interessadas no assunto.

Segundo ela, esse processo foi privilegiado porque ?quela ?poca a classe art?stica estava muito unida como forma de reagir ? imagem de "caloteiros" que algumas pessoas tinham daqueles que, por algum motivo, n?o conseguiram entregar os projetos aprovados pela Lei Murilo Mendes de Incentivo ? Cultura.

A id?ia era ter uma gest?o democr?tica baseada nos princ?pios da constru??o do desejo da maioria. Para ?rica essa tentativa de abrir a institui??o ao di?logo deu certo e a Funalfa "virou palco de grandes reflex?es no caminho de definir os projetos culturais na cidade".

O esquema funcionava da seguinte forma: cada um dos diretores de departamento fazia reuni?es peri?dicas com os funcion?rios do seu setor e levava essas quest?es para a reuni?o com a dire??o geral. Nesse momento todos os assuntos da Funalfa eram colocados em pauta e as decis?es tomadas em conjunto. Depois disso, cada diretor de departamento dava o retorno para os seus funcion?rios.

"A Funalfa sempre trabalhou com dificuldade de recursos financeiros, ent?o, eram definidas prioridades. Uma vez todos os setores trabalharam 'apertados' para que fosse feita uma reforma no caminh?o que levava os funcion?rios do setor operacional para que esse transporte fosse feito com seguran?a. Foi uma despesa enorme, mas quando ficou pronto, toda a Funalfa comemorou. Foi lindo", recorda.

Frutos da descentraliza??o

Foi a partir desse processo que se come?aram as discuss?es em torno da elabora??o do Conselho Municipal de Cultura, o Festival Nacional do Teatro. Al?m disso, Juiz de Fora conseguiu mobilizar cerca de 40 munic?pios da regi?o na articula??o de projetos culturais e teve reconhecimento do governo federal por conta disso.

"N?s sediamos a maior confer?ncia intermunicipal de cultura do Brasil. O Minist?rio da Cultura trouxe para a c? o Semin?rio Setorial de Cultura da Regi?o Sudeste por reconhecer o movimento cultural da cidade. Desbancamos Rio de Janeiro e S?o Paulo como sede do Semin?rio", conta.

Um dos projetos dos quais ?rica mais se orgulha ? o "Meu bairro faz arte: compartilhando culturas". Constru?do no colegiado, o projeto era direcionado ?s comunidades com o intuito de vivenciar a cultura que elas tinham para manifestar. "Eram feitas reuni?es semanais com os l?deres comunit?rios para identificar a cultura que eles produziam e n?o se davam conta de que era cultura, trabalhando a auto-estima deles", explica.

Ao fim de um m?s era realizado um evento cultural com shows, barracas e oficinas, tudo feito por artes?o, artistas e quituteiros da pr?pria comunidade. ?rica guarda um carinho especial da passagem do "Meu bairro..." pelo bairro Igrejinha.

"Quando estivemos l?, a comunidade estava envolvida com a quest?o da Esta??o do bairro. Abra?amos a causa da Esta??o como patrim?nio cultural da comunidade e conseguimos a aprova??o do projeto de restaura??o dela. Foi trabalhoso, mas muito bonito porque eles se envolveram no projeto, n?o foi uma coisa vinda de cima, da esfera p?blica. Foram eles que conseguiram aquilo", orgulha-se.

O desafio

Para a ex-superindente o carnaval ? encarado como o grande desafio de todos os anos. "? desafio porque, al?m de definirmos o objetivo do carnavalou seja, o que se pretende com ele, temos que trabalhar com v?rios aspectos. Tem o aspecto tur?stico, o de manifesta??o da cultura popular, o das escolas de samba...? muita coisa para se resolver em um curto espa?o de tempo e com pouco dinheiro", lamenta.

Apesar disso, ?rica acredita que conseguiu avan?ar no di?logo com a Liga das Escolas de Samba. A professora reconhece que muito ainda h? de ser feito. "O tempo foi curto para tudo o que eu queria construir e na cultura nada se resolve de imediato, ? tudo a m?dio e longo prazo. O termo 'cultura' vem de 'cultivo' e cultivar depende do clima, do tempo, de muitas coisas", comenta.

?rica avalia positivamente o per?odo em que esteve ? frente da Funalfa. "Valeu o nosso desejo de acreditar que vale a pena conversar e trabalhar a cultura subjetiva que est? no ar, a solidariedade, o companheirismo. Isso ? o que fica. As pessoas quase nunca comentam dos produtos palp?veis resultantes desse per?odo, comentam apenas dessa tentativa de dialogar", orgulha-se.

A Funalfa, segundo ?rica Delgado (2005 - 2006)

"A Funalfa ? o gestor cultural de Juiz de Fora, tem o papel de catalisar os desejos da cidade, tendo o p? firme na hist?ria que j? foi e est? sendo constru?da. Al?m de promover as a?es e atividades culturais, ? preciso que esteja sempre muito envolvida com a cultura que est? no ar, essa cultura antropol?gica, que se refere ? constru??o dos nossos valores, das nossas posturas, dos nossos gestos.

? preciso ressaltar a qualidade profissional dos funcion?rios da Funalfa. S?o pessoas extremamente dedicadas, s?rias e com muita qualidade t?cnica. Meu cora??o est? verdadeiramente na Funalfa. Eu amo aquelas pessoas e o que vivi l? foi tudo de bom.

Em termos pessoais, foi uma das grandes oportunidades que tive na vida. Definiu o meu envolvimento comprometido com a cultura e me deu a convic??o de que ? na cultura que est? o nosso grande poder de transforma??o da sociedade. "

*Marinella Souza ? estudante de Comunica??o Social na UFJF