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    A arte de compor em tempo real Criada nos anos 70 nos Estados Unidos, a Soundpainting foi trazida para o Brasil e é ensinada aos alunos da UFJF

    Aline Furtado
    Repórter
    10/5/2010

    Pensar em linguagem de sinais é como abrir um leque de possibilidades. E dentro desse leque a música está presente. A linguagem de sinais, quando adotada no mundo da música, permite a composição em tempo real. Trata-se da técnica denominada Soundpainting, criada por Walter Thompson, nos anos 70, nos Estados Unidos.

    A linguagem foi trazida para o Brasil pelo professor do curso Bacharelado em Música da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Bruno Faria, e a instituição é a primeira no país a utilizar a ferramenta. "A técnica começou a ser desenvolvida exclusivamente para a música." Contudo, nos anos 90, a Soundpainting passou a ser usada em outras formas de manifestação artística, como dança, teatro, poesia e artes visuais.

    "O precursor da linguagem começou a ensiná-la a outras pessoas e a técnica passou a ser mais conhecida e, com isso, mais desenvolvida." Segundo Faria, atualmente, a Soundpainting é usada em vários países da Europa, na África do Sul e nos Estados Unidos. Para ele, por meio do trabalho do improviso é possível desenvolver a musicalidade de maneira diferente, já que há mais liberdade de expressão. "Os gestos trazem consigo uma sonoridade acoplada."

    Na execução da técnica, o compositor, ou soundpainter, está sempre atento aos sons do grupo, a fim de tomar decisões sobre quais serão os próximos sinais a serem utilizados, definindo o rumo da composição a cada instante. O professor explica que a base da Soundpainting é a divisão da linguagem em quatro passos. "Precisamos definir quem vai tocar, o que será tocado, como isso será feito e quando será o início e o final."

    Tanto para quem dá o comando quanto para quem o recebe, a dica é imaginar uma caixa. "Quando o gesto revela que estamos dentro da caixa, a ação deve começar; quando o gesto insinua que quem comanda está fora da caixa, trata-se da preparação." Os gestos são usados para definir notas longas, notas curtas, volume, tempo, entre outras ações. No caso de mãos entrelaçadas, por exemplo, insinua-se sincronicidade.

    "Não só quem comanda, ou o compositor, faz gestos. Estes podem ser desenvolvidos também por quem os realiza." Tocar a garganta, por exemplo, significa que a pessoa está com dificuldade de executar a ação. Já uma das mãos na testa define que a pessoa não compreende o comando dado. "No caso de alguém do grupo errar, este erro é bem-vindo porque é possível aproveitar a sonoridade." A Soundpainting é usada também em perfomance e em atividades voltadas para educação.

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes


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