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    Uma vida dedicada à música

    Marcelo Panisset conta histórias relacionadas ao seu mundo na música

    Lucas Soares
    Repórter
    5/07/2014

    Em Juiz de Fora, talvez poucas pessoas associem o nome Marcelo Panisset à pessoa. Mas, quando se fala Marcelão, a primeira resposta que vem à mente é "aquele do Cultural Bar?". A história de Marcelo Panisset, que completou 50 anos na última quinta-feira, 3 de julho, sempre passou por qualquer som que tenha relação com a música.

    "Desde que eu me entendo por gente, eu entendo de música. É uma coisa conjunta, acho muito bom", explica. A música entrou profissionalmente na vida de Marcelão em 1980, então com 16 anos. "Eu tinha um grupo de amigos que montou uma banda que chamava Hudson Coelho e contrabanda. Era um clima muito divertido, alegre e criativo. Ficamos juntos uns seis ou sete anos. De lá pra cá eu tive outras bandas, mas a que mais se destacou, que estamos tocando é a Eminência Parda, que estamos aí até hoje", conta o juiz-forano, que é filho de crítico de música.

    Entre idas e vindas de bandas, Marcelão trabalhava como funcionário público federal, na rede ferroviária de Juiz de Fora, e reserva boas histórias dessa época. "Minha sala começou a ser um escritório de produção. Meus chefes me aturaram muito, teve até chefe meu marcando show para mim. Sempre tive muito apoio, muita sorte de estar ao lado de pessoas bacanas. Foi sempre muito bom. Às vezes eu virava três noites para poder trabalhar, já que eu não podia furar com eles que eram tão banacas comigo. Para conseguir trabalhar, eu dormia até no banco da Praça da Estação até chegar a hora do trabalho. Chegou uma época que a gente já tocava muito, e não sobrava espaço pra continuar trabalhando", revela.

    De realizar shows até produzir, Panisset conta que passou por um longo caminho, repleto de dificuldades. "Eu fazia dez shows por mês no Prova Oral, um antigo bar de Juiz de Fora. Era tanto sucesso que a gente repetia as músicas. O Bareta e a Jussara, que eram os donos do local, ficaram cansados e passaram a casa para mim. Aí, junto com dois músicos da banda, a gente deu uma mexida na casa e seguiu. Acabaram fechando a casa, tivemos que ir pra outro lugar, fomos para perto do Estádio Municipal, e fecharam de novo, por causa de barulho. Quando encontramos o Cultural, no antigo lugar, também na avenida Deusdedith Salgado, ficamos ali e não tivemos mais problemas. Aí recebemos a proposta para montar a casa do jeito que queríamos e fomos pra onde estamos até hoje", explica.

    Dificuldades

    Superar dificuldades e adversidades é uma das tarefas de um bom produtor musical. E isso, segundo Marcelão, é a tarefa diária. "Viver de música em Juiz de Fora não tem como, é muito difícil. O máximo que dá para fazer é sobreviver dela. Eu penso que o melhor palco que tem em Juiz de Fora é o palco do Cultural, e as grandes bandas tocam uma vez por mês. Tem algumas que se destacam e acabam marcando shows fora, como a Ana Carolina, o Emerson Nogueira, que é meu amigo pessoal. Infelizmente os grandes músicos tem que partir, aqui na cidade é muito difícil", opina.

    Mesmo com esse pensamento, Panisset afirma que nunca pensou em largar a música. "Eu não sei se é o amor mesmo, mas eu nunca vi outra possibilidade. Toda vez que eu ia tentar alguma coisa, dava errado, não era uma coisa que eu queria. Na rede ferroviária eu fiquei entre 11 e 12 anos e deu certo porque eu tinha um projeto cultural. Eu não vejo a mínima graça nessa parte administrativa, burocrática, me deixa limitado. Pra mim sempre foi música, só isso. Tem que matar um leão todo dia, bate um desespero de secar a fonte, mas eu nunca vi outras possibilidades. Tem altos e baixos. Lembro no Cultural antigo eu tendo que vender coisas para pagar conta, colégio da minha filha... Tem que ter coração para aguentar isso tudo", garante.

    Futuro

    Pensando no futuro, Marcelão quer trazer ao palco do Cultural Bar os mineiros do Skank. "Eu adoro, acho a proposta deles muito boa. Sempre tive vontade de trazer, mas para o Cultural fica inviável. Não tem como, com o cache deles ficaria muito cara a entrada do público. Mas é um sonho meu, então quem sabe?", diz.

    Uma das coisas que Marcelão se orgulha ao pensar no que fez, e no que ainda pode fazer, é o reconhecimento que alcançou com o Cultural Bar. "Os grandes ídolos nos ligam para fazer show na casa. Tem tanta coisa boa rolando, e as pessoas querem sempre a mesma coisa. No aniversário do Cultural, trouxemos a Tulipa Ruiz e ficou fraco, isso me frusta às vezes. É uma coisa complicada, temos feito menos shows grandes, mas é isso. Tem que ir devagar e sempre. O momento da cena é esse, daqui a pouco ela se recicla", comenta.

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