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    Quarta-feira, 26 de julho de 2017, atualizada às 18h21

    Espetáculo de marionetes O Organista terá apresentação gratuita no Central

    Da redação

    Aleijadinho, Dona Beja, Xica da Silva e Alphonsus de Guimaraens se encontram no palco do Cine-Theatro Central, transformado assim em caminhos históricos da Minas barroca – cenário de O Organista, espetáculo do Teatro Navegante de Marionetes que integra a programação do 28º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga. A apresentação acontece nesta sexta-feira, 28 de julho, às 20h, no Cine-Theatro Central, e é um diferencial dessa edição na história do Festival. Destinado a públicos de todas as idades, O Organista conta com 12 marionetes em cena. A entreda é franca.

    De acordo com o ator, diretor e marionetista Catin Nardi – que já produziu para a abertura da novela As Filhas da Mãe e para a minissérie Hoje é Dia de Maria – o espetáculo foi idealizado com o objetivo de ser didático, humorístico, de fácil entendimento e fundamentalmente teatral. O roteiro fala de tradição, através da história de uma família e seu amor pela música, passado de geração em geração, que a leva a uma jornada em busca de uma peça do órgão musical da Igreja da Sé de Mariana, supostamente perdida nos caminhos da Estrada Real. “Desta busca depende a inauguração do instrumento e a manutenção de uma tradição”, revela Nardi, argentino radicado no Brasil desde 1990.

    Além dos cenários do passado barroco, a trama focaliza também passagens da vida de personagens históricos de Minas Gerais, como Aleijadinho em Ouro Preto, Dona Beja em Araxá, Xica da Silva em Diamantina e Alphonsus de Guimaraens em Mariana. Segundo o diretor do Teatro Navegante de Marionetes, apresentar O Organista em um festival de música de época como o de Juiz de Fora será uma boa experiência para a própria companhia e para o público especializado do evento: “Vamos brincar com músicas que vão do clássico ao barroco, do contemporâneo ao mais primário. Enfim, esperamos compartilhar um momento teatral e musical bem diferente”, diz.

    Segundo Nardi, o Navegante está habituado a se apresentar para plateias grandes como a que encontrará no Central. “Já tivemos a oportunidade de apresentar para públicos de mais de 1.500 espectadores. Com uma boa iluminação e um bom trabalho de interpretação, tudo é possível”, acredita Nardi. Normalmente, porém, a plateia de teatros grandes é limitada e os espectadores são convidados a se aproximarem do palco e ficar de frente para os bonecos.

    Essência e contenção

    Como explica o diretor, no teatro de marionetes “tudo deve ser reduzido à essência, tanto na interpretação quanto na cenografia e na iluminação”. Essa é regra no trabalho com bonecos, sobretudo com marionetes e seus atores-manipuladores. “É fundamental uma interpretação objetiva lembrando sempre que estamos falando de personagens que estão sendo interpretadas com uma necessária contenção, pois o ator-manipulador não pode invadir a cena nem demandar do espectador a atenção na cena que o marionete está realizando. O ator interpreta; o ator manipulador de marionetes interpreta, dribla cenários, pega objetos e bonecos e os troca com os outros manipuladores. Ou seja, é uma aventura que só quem está dentro dela sabe como funciona. O espectador só desfruta do resultado.”

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