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    Igo Araujo lança seu primeiro ebook de ficção científica: Deuses da Mente

    "Tinha ideias sobre política que queria colocar pra fora. Alguns conseguem fazer isso escrevendo artigos de opinião. O que deu certo pra mim foi falar através da ficção", diz autor

    Angeliza Lopes
    Repórter
    4/11/2017

    Sair de um mundo concreto para entender o sentido das coisas pelo abstrato pode ser uma opção inteligente para aqueles que querem questionar conceitos, paradigmas, usando a literatura. Nascido e criado em Juiz de Fora, o escritor e designer gráfico do Portal ACESSA.com, Igo Araujo dos Santos (foto) percorreu, como tantos de nós, questionamentos, descobertas e conflitos comuns a todos que não aceitam a performance padrão. De suas experiências pessoais e formação intelectual, foi construindo seu contexto para entender a relação do eu com os outros, através da análise política.

    Como diz durante a entrevista, seu fascínio pela ficção científica trouxe para mais perto de si a oportunidade de contar suas suposições, contextualizada na ciência. Uma mistura de universos, que ele brincou muito bem eu seu primeiro ebook 'Deuses da Mente', que foi lançado em 23 de outubro, pela plataforma Amazon.

    Em uma breve sinopse, o livro conta a história de Theodore Holger, o príncipe de Nova, que é alienado do embate político entre a coroa e os rebeldes. Ele queria apenas seguir com a vida sem ser incomodado. Mas, no desenrolar do enredo, o jovem desenvolve habilidades psíquicas além de seu controle. Na sua busca por respostas, se viu no meio de uma conspiração científica, engendrada pela própria avó, a rainha Aisa Holger. Chegou a ser caçado pelas forças da avó e obrigado a forjar uma aliança duvidosa com os terroristas para se manter a salvo. Na trama, Theodore está prestes a descobrir que a maior ameaça que enfrenta pode ser ele mesmo.

    Confira abaixo um pouco mais sobre como foi a construção desta obra por Santos, que promete despertar muita curiosidade:

    ACESSA.com - A escrita sempre fez parte da sua vida?

    Igo Araújo - Comecei a escrever com regularidade e, voluntariamente, a partir dos 11 anos, acho. Numa tarefa na aula de português, tive que escrever uma pequena redação, três parágrafos, começo meio e fim. Simples. Acabei escrevendo frente e verso da folha, duas páginas. A redação ficou tão boa que a professora acabou me dando dois documentários sobre o Egito antigo, que foi o mote da minha redação. Desse dia em diante, passei a escrever constantemente; no começo poemas e coisinhas curtas. E, depois, meio que na onda dos RPGs de mesa e videogames, decidi enfrentar textos mais longos e mais elaborados, ou tão elaborados quanto um garoto de 14 anos consegue, rs.

    ACESSA.com - Esse foi o primeiro livro que escreveu? E, quais foram os primeiros que leu?

    IA - Deuses da Mente não é o primeiro livro que escrevi. Nos meus 14, 16 anos escrevi uma fantasia medieval que, felizmente, jamais verá a luz do dia.

    Quanto aos primeiros livros que li, minha memória não vai longe o bastante. Lia muito as revistinhas da Turma da Mônica, meus pais me deram uma coleção semanal do personagem Wally, que cada fascículo apresentava um país ou região do mundo e, como todo pré-adolescente brasileiro, passei um bom tempo com livros da Coleção Vagalume.

    ACESSA.com - O que te fez caminhar para a ficção científica?

    IA - A ciência. Sou fascinado por ela. Cresci com as mãos nas enciclopédias e dicionários que meus pais tinham, coisa antiga mesmo naquela época. A medida que o tempo passou eles me deram livros mais infantis, mas não menos instrutivos. Minha mãe, uma vez, comprou uma enciclopédia toda ilustrada, feita para crianças, e não sei quantas vezes a li, passava tardes inteiras perdido nela. Lembro direitinho de um quadrinho com o Isaac Newton fazendo experimentos com prismas e outro da maçã caindo na cabeça dele – o que, tudo indica, que é mais uma anedota do que um fato histórico.

    Além disso, meu pai gosta muito de filmes de ficção científica e eu costumava ver junto com ele. “O Quinto Elemento”, com Bruce Willys e Milla Jovovich, certamente foi o que me colocou nessa trilha. Para não mencionar Star Trek e Star Wars, mesmo não os tendo visto até estar mais velho (a série clássica de Star Trek vi mês passado). Não deve haver criança nascida depois da década de 70 que não tenha sentido a influência dessas duas franquias na cultura pop.

    Por esses dois caminhos, aprendi que a ciência é um terreno fértil para as mais fantásticas possibilidades e, ainda assim, coerentes com o modo como o mundo funciona. A ficção, contada com um pé na ciência, me seduz justamente porque permite essa suspensão da descrença, sem que precisemos nos livrar completamente da lógica e da razão. As coisas acontecem porque têm uma explicação e não por simples mágica. A ficção científica é um meio de projetar como o mundo pode vir a ser, e era disso que precisava pra contar a história de Deuses da Mente.

    ACESSA.com - Quando começou a escrever Deuses da Mente? Quanto tempo demorou para finalizá-lo?

    IA - Bem, essa é a parte embaraçosa… Comecei a escrevê-lo com 18 anos e demorei 11 para publicá-lo. O livro não é exatamente grande; o tamanho certamente não justifica a demora. Mas, quando comecei a escrever, não estava maduro o suficiente como escritor. Meu português era fraco e meus personagens ainda eram um pouco perdidos e mal construídos. Então, a primeira vez que terminei e voltei ao início para fazer a revisão, decidi que estava tudo horrível e reescrevi quase do zero. Fiz isso umas seis vezes. Foi um longo trabalho de lapidação e amadurecimento. Recentemente, com mais leituras e experiências, consegui criar uma história que me deixou satisfeito.

    E, além desse processo, há também a vida, que não para: estudos, faculdade, relacionamento, trabalho. Devo ter ficado um total de uns bons dois anos sem mexer no livro.

    ACESSA.com - O que te inspirou escrevê-lo?

    IA - Várias coisas: a primeira delas nem faz mais parte do argumento do livro. Eu costumava ver séries policiais que passavam de madrugada na televisão e ficava pensando como um crime seria resolvido com muito mais facilidade se os investigadores pudessem saber o que os criminosos e testemunhas viram e fizeram, ignorando as mentiras que eventualmente eles contam. Isso parecia um bom jeito de matar um enredo, afinal, você acabaria com as reviravoltas da trama. Mas também cria outros problemas. E foi aí que comecei a ter algo de verdade pra escrever: se um governo tivesse, a sua disposição, policiais telepatas, em que estado de tirania isso nos colocaria, porque seria a violação suprema dos direitos e liberdades individuais.

    E havia também uma outra questão que sempre me instigou que é a desobediência civil, a revolução política, a contestação da ordem. Quando se cresce em escola pública, como eu, os discursos políticos estão sempre ali, mesmo quando você é novo demais pra entender, você os enxerga, os ouve e os memoriza, para o bem o para o mal. Eles acabam por moldar a forma como você encara o mundo. Esse constante embate entre super-forças ideológicas sempre me interessou, porque parece não acabar nunca.

    Por isso, eu tinha ideias sobre política que queria colocar pra fora. Alguns conseguem fazer isso escrevendo artigos de opinião, por exemplo, ou ensaios acadêmicos, muitos através de outras formas de arte. O que funcionou pra mim foi mostrar o que eu pensava através da ficção.

    ACESSA.com - Quais suas referências literárias para elaborar esta obra?

    IA - São bem poucas. Quando comecei a escrever Deuses da Mente, não tinha muita bagagem. Então, se você ler meu texto, você vai enxergar quase que imediatamente as influências de J.K. Rowling, autora de Harry Potter e Dan Brown, autor de O Código da Vinci e Anjos e Demônios. Eles certamente são os autores que mais me influenciaram, porque foram os primeiros livros que me marcaram. Mas, se você escavar alguns trechos, encontrará o humor ácido de Douglas Adams, autor de O Guia do Mochileiro das Galáxias, e de Eoin Colfer, o autor da coleção Artemis Fowl, que infelizmente não é tão conhecido no Brasil.

    Em termos de enredo, há uma boa dose da influência de Matrix, embalando a questão política do livro, um pouco também de Minority Report, um pouco de histórias de super-heróis, todas as distopias já contadas.

    ACESSA.com - Por que publicar um e-book e não um livro físico?

    IA - Porque é muito mais prático e barato publicar um e-book. A impressão é muito cara, especialmente se você publica sem o apoio de uma editora, o que também é difícil de conseguir quando se é um autor novato. Felizmente, com a ajuda da internet e outras tecnologias, é possível ser autor sem enfrentar dezenas de cartas de rejeição. Depois de corrigido o livro, tudo que tive que fazer foi formatar, converter o arquivo e fazer o upload pra plataforma da Amazon. Menos de 24 horas depois meu livro já estava na loja.

    Embora seja mais prático, o self-publishing tem seus desafios particulares: sem uma editora, é mais difícil divulgar sua obra, por exemplo. Capista, corretor, editor, é tudo por sua conta. No meu caso, como tenho experiência como designer, a capa foi a parte mais tranquila de resolver. Amigos e familiares me ajudaram na correção e um pouco da edição.

    Para ajudar na valorização dos ebooks, a plataforma de publicação da Amazon (Kindle Direct Publishing - KDP) lançou o 2º Prêmio Kindle de Literatura, e Deuses da Mente está concorrendo. Os cinco finalistas serão divulgadas entre 11 e 22 de dezembro.

    ACESSA.com - Sua formação é publicidade e propaganda. A área também o levou a este caminho da escrita, ou foram outros hobbies?

    IA - Foi o contrário: a escrita me levou para a Publicidade. Quando comecei a faculdade de Comunicação Social, minha habilitação inicial era para o Jornalismo. Mas o Jornalismo tem pouco espaço para a ficção, que era minha verdadeira meta. Então, no meio do curso, troquei pra Publicidade e Propaganda, que é mais lúdica, digamos.

    O que foi providencial, porque aprendi muito sobre como redigir um texto agradável e cativante; acredito que o storytelling é muito mais explorado na Publicidade do que no Jornalismo. Acima de tudo, a Comunicação Social abriu meus olhos para as mensagens que vemos o tempo todo, inclusive vindo do governo, que é, de certa forma, o principal vilão do livro. A faculdade certamente me ajudou a dar um pouco mais de estofo para uma história que, de outra maneira, seria bem rasa.

    ACESSA.com - O que o leitor pode esperar de Deuses da Mente?

    IA - Deuses da Mente é uma ficção científica frenética, cheia de ação, que toca em questões como liberdade política, o que torna um governo legítimo e o que é legítimo fazer para corrigir um governo totalitário. Através do personagem principal, o príncipe Theodore Holger, também tento explorar um pouco da natureza humana, o que a torna ora tão sombria ora tão nobre e, mais importante, como somos livres ou condenados a escolher uma ou outra.

    Mas tudo isso parece presunçoso e arrogante. No fundo, espero mesmo é que os leitores encontrem uma história atraente e interessante. O livro é, sobretudo, um entretenimento.


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