Terça-feira, 20 de outubro de 2020, atualizada às 10h36

Cineasta Adélia Sampaio participa de live do Cinemamm

Da redação

Primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, a cineasta Adélia Sampaio é a convidada do Cinemamm desta quarta-feira, 21 de outubro, às 19h, em live que conta com mediação de Karina Orquídia, integrante da equipe do Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm). O projeto tem edição virtual especial no canal do Mamm no YouTube, desta vez explorando o filme “Amor maldito”, de 1984, sobre a trágica história de amor entre duas mulheres, trama inspirada em um caso real.

Adélia carrega a mineiridade em sua bagagem e se destaca pelos temas contundentes de seus filmes. Nascida em Belo Horizonte, mudou-se aos 13 anos para o Rio de Janeiro, onde teve o primeiro contato com o cinema. Anos depois, conseguiu emprego como telefonista em uma distribuidora de filmes ligada ao Cinema Novo, e foi ali que começou a participar de produções cinematográficas. Sua estreia como diretora se deu em 1979, com o curta-metragem “Denúncia vazia”.

“Amor maldito” foi realizado quando o Brasil fazia a transição da ditadura militar para a democracia. Adélia aproveitou a abertura política para fomentar a discussão sobre um tabu da época, a lesbianidade. O filme enfrentou severas críticas pela ousadia na abordagem. A proposta era retratar o preconceito da sociedade diante da paixão entre mulheres, um tema que continua atual.

Alvo de estudos e discussões no meio acadêmico e na sociedade em geral, as realizações de cineastas negros vêm obtendo visibilidade a partir de publicações, debates e festivais. A arte de Adélia vem à tona como referência em um momento em que a ligação entre a cultura e os movimentos em prol das minorias experimenta uma curva ascendente não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

Também merece menção seu trabalho como documentarista, em que sobressaem os longas “Fugindo do passado”, que estreou em 1987, e “AI-5 – O dia que não existiu”, lançado em 2001. Neste, ela dividiu o trabalho de direção com o jornalista Paulo Markun, fazendo uma revisita histórica ao Congresso Nacional no ano de 1968, a fim de reproduzir a grave atmosfera em que se deu o Ato Institucional Número 5, o mais conhecido dos 17 emitidos pelo regime militar entre 1964 e 1984.

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