Morre o empresário José Carlos Passos, o Zé Kodak

por Jorge Júnior - 27/02/2021

Morreu, na madrugada deste sábado, 27 de fevereiro, o empresário e carnavalesco José Carlos Passos, o Zé Kodak.

Ele estava internado há cerca de três semanas no Hospital Santa Casa, por causa de complicações da Covid-19. Nos últimos 40 anos, ele ganhou notariedade e reconhecimento por sua atuação na Banda Daki, a qual comandou, como General da Banda.

Natural de Bicas, José Carlos Passos veio para Juiz de Fora no início dos anos 1960, iniciando o comércio de revelação de fotos. O apelido veio por conta de sua ligação com a Kodak, pela qual foi premiado pela capacidade de vendas. Ele será sepultado às 14h, no Parque da Saudade, mas, como a causa foi Covid-19, não haverá velório.

Em entrevista concedida ao Portal ACESSA.com em 2015, Zé Kodak contou que "começou seus dias de confete na cidade de Bicas, cerca de 37 km da cidade, no bloco Sapolândia, com a folia marcada sempre nas manhãs de domingo. Cada folião saia de um jeito, com direito a rei momo, bandinha e muita alegria". Estas manhãs ficaram guardadas na memória de José Carlos, que pôde transformá-las em realidade em 1979, quando passou de simples componente, para organizador do bloco. Seus fundadores sairiam da cidade para buscar oportunidade em outros lugares, deixando a chave de condução da futura banda, com o Zé Kodak.

Na época, o general era diretor da Escola de Samba Turunas do Riachuelo, onde exercia função há 10 anos. Quando aceitou a Banda Daki, Zé manteve a tradição do Carnaval de Rua, com os principais ingredientes, que são: alegria, confete, serpentina, pierrot e columbina, sem faltar a espontaneidade. "Digo que todas as fantasias estão no guarda-roupa das mulheres. São o sapato alto, batom e roupas coloridas. Se o folião não tiver dinheiro para a cerveja, só trazer a garrafinha de cachaça e vir brincar", destaca.

Em nota, a "Prefeitura de Juiz de Fora manifestou seu profundo pesar pela morte de José Carlos Passos, nosso querido Ze Kodak.  A cidade perde um dos seus mais apaixonados filhos. Um sinônimo de alegria. O General da Banda deixa uma saudade enorme, do tamanho da sua história".

A Banda

Ao longo dos anos, com a adesão cada vez maior de foliões, a Banda Daki precisou se adequar, exigindo melhorias na segurança e no som. Neste período foi criado o Baile Banda Daki, que seria a possível solução para tamanho sucesso. Criado há 10 anos, o baile levaria a banda para o clube, e, assim, resolveria o problema da segurança. "Mas nada disso foi preciso! Conseguimos manter os dois, com apoio da Polícia Militar e órgão públicos. Hoje, quando a banda pisa na avenida Rio Branco, as três pistas param. Saímos do Largo Riachuelo e descemos todos o percurso com muita diversão", explicou Zé.

Em 2005, a Banda Daki foi tombada como Patrimônio Cultural de Juiz de Fora, pela lei de autoria do ex-vereador e atual deputado estadual, Isauro Calais. A condecoração apenas afirmou o que os juiz-foranos já sabiam, a Banda Daki é a referência do Carnaval da cidade. Outra homenagem recebida foi o título Entidade Benemérita, entregue no dia 15 de fevereiro de 2012.

Há oito anos, a celebridade nacional Isabelita dos Patins apadrinhou a banda. Com sua simpatia e desenvoltura, a artista chama a atenção durante o desfile e atraí olhares de todos os cantos. "Temos um carinho enorme por ela, que representa a graça do Carnaval carioca e, agora, também juiz-forano".


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