Apresentação da Orquestra Sinfônica Pró-Música marca os 92 anos do Cine-Theatro Central

por Jorge Júnior - 29/03/2021

O Cine-Theatro Central completa 92 anos nesta terça-feira, 30 de março, e as comemorações, deflagradas no início do mês, se estendem até abril. Depoimentos de artistas, produtores e do público em geral fazem parte da programação, que acontece on-line, nas redes sociais do teatro, contando também com uma apresentação especial da Orquestra Sinfônica Pró-Música, sob a regência de Victor Cassemiro, para marcar a data. 

Uma grande rede de memórias ligadas ao Central vem à tona para celebrar o principal palco da cidade e da região como forma de reforçar os bons momentos que marcaram sua história, principalmente nas últimas décadas, com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) assumindo a administração do espaço a partir de 1994. À frente do teatro desde 2017, o professor e músico Luiz Cláudio Ribeiro adequou as comemorações ao testemunho de artistas e pessoas cujas trajetórias se entrelaçam com a do próprio local.

A pró-reitora de Cultura Valéria Faria destaca a relevância desses testemunhos em vídeo, não apenas por resgatar a memória mais recente do Cine-Theatro, como também por trazer a esse palco, mesmo que não presencialmente, um pouco da força e da expressão que a arte e a cultura, em suas múltiplas formas, continuam a exercer junto ao público. “Mais do que nunca, é importante aproximar as pessoas e a forma que dispomos para fazê-lo é através das plataformas virtuais.”

Personalidades como o cantor Ney Matogrosso, o estilista Ronaldo Fraga e o cineasta José Sette se unem a dezenas de artistas e ao público para homenagear o Central. Paulinho Pedra Azul, Mary e Eliardo França, Iacyr Anderson Freitas, Lúdica Música, Eminência Parda, Caetano Brasil, Dudu Lima e Mamão são alguns dos convidados a falar de suas relações com o teatro.

Para conferir a campanha e os depoimentos basta acessar o Instagram (@cinetheatrocentral) do teatro ou a página do Facebook (facebook.com/centralufjf). Os relatos são veiculados diariamente e, em face da quantidade e da qualidade das participações, as postagens se estendem por todo o mês de abril.

Ao som de Gardel

A Orquestra Sinfônica Pró-Música participa das comemorações com uma apresentação virtual, a ser divulgada em 30 de março, às 20h, nas redes sociais do Central. Junto com os instrumentistas, o maestro Victor Cassemiro optou pela interpretação do clássico tango “Por Una Cabeza”, de 1935, composto para a trilha sonora do longa-metragem “Tango Bar”. A melodia é de Carlos Gardel e a letra de Alfredo Le Pera.

O maestro cita que o tango integra a trilha sonora de vários filmes e séries, como “Perfume de Mulher” (1992; “O Poderoso Chefão” (1972); “A Lista de Schindler” (1993); e “La Casa de Papel” (2017). “Por Una Cabeza” foi uma das muitas músicas já interpretadas pela Orquestra Sinfônica Pró-Música no palco do Central. A apresentação desta terça-feira conta com aproximadamente 25 componentes, sendo que cada músico gravou seu vídeo em home office com posterior edição para a apresentação final.

Tempos de glória

Já apelidada de Manchester Mineira e Princesa de Minas, Juiz de Fora tem uma história marcada por grande destaque industrial e econômico no cenário nacional no início do século XX. A efervescência cultural não tardou, culminando em um projeto que representou sua grandeza. Idealizado pela Companhia Central de Diversões, construído pela empresa Pantaleone Arcuri, com projeto arquitetônico de Raphael Arcuri e decorado por Angelo Bigi, o Cine-Theatro Central foi inaugurado em 30 de março de 1929.

Com capacidade para mais de 1.700 pessoas e localizado no coração da cidade, o Central representa um espaço cultural vital para toda a região. Além de centenas de filmes projetados, recebeu grandes espetáculos de artes cênicas, dança e música, protagonizados por personalidades como Procópio Ferreira; Paulo Gracindo; Bibi Ferreira; Tom Jobim; Maria Bethânia; Chico Buarque; Milton Nascimento; Ana Botafogo; Débora Colker, entre muitos outros.

O espaço foi adquirido pela UFJF em 1994 e, no mesmo ano, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o que garantiu sua preservação. Em 1996, passou por uma restauração integral, que devolveu ao prédio todo o seu esplendor, sendo ainda alvo de outras reformas de manutenção e preservação ao longo dos últimos anos.

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