Mistura de olhares e suspiros A fotógrafa Aline Bastos expõe 36 telas que mostram a
versatilidade e o ecletismo de seu trabalho

Marinella Souza
*Colaboração
16/12/2008

Mistura Visual - olhares e suspiros é a reunião de mais de 30 telas cada uma com duas ou mais fotografias selecionadas pela psicóloga Aline Bastos, resultado dos últimos dois anos do seu trabalho.

Apaixonada por fotografia desde sempre, Aline sempre foi eleita a "fotógrafa da galera", como ela diz, mas só em 2006 ela começou a fazer de sua paixão uma profissão de verdade. "Eu fui convidada para fazer eventos sociais e comecei a ficar conhecida", conta.

Com 20 mil fotos armazenadas em seu computador pessoal, a moça decidiu que era hora de mostrar mais de seu trabalho. Veio a idéia da exposição e de um site para quem seus parceiros pudessem ter algum retorno. Era um desejo antigo que precisou de pouco mais de um mês para ser colocado em prática.

Entre a decisão de tocar o projeto, a escolha das fotos, a captação dos recursos, a escolha de um lugar para expor e a concretização, Aline não precisou de mais do que 35 dias. Isso mesmo. Em 35 dias Mistura Visual - olhares e suspiros foi pensada, organizada e montada.

O objetivo era reunir o maior número possível de fotografias sobre temas variados, que demonstrassem toda a versatilidade do seu trabalho. "Eu escolhi as mais bonitas, as que me diziam algo", revela.

As telas
Ao todo, são 36 telas em plotagem com PVC que fazem a exposição ter um ar que condiz com a artista: moderno e eclético. Ecletismo é o que não falta em Mistura Visual.... Embora seja conhecida por seu trabalho na noite, Aline revela muitos outros olhares e suspiros.

Paisagens, luz, ambiente, moda, esporte, natureza, DJ's, shows e até gastronomia aparecem na exposição pelas lentes de Aline Bastos. A dublê de psicóloga e fotógrafa revela que entre tantos assuntos que atraem seu olhar e a fazem suspirar, os shows são os favoritos.

"Eu amo música. Fui casada com músico, tenho dois filhos extremamente musicais. Além disso, no show a luz está perfeita, tudo está preparado para a coisa ser divulgada. É o melhor lugar para fotografar, basta você ter paciência e esperar o momento certo", ensina.

Para a elétrica Aline, além da plotagem, que faz com que a foto seja ela mesma a sua moldura, o grande charme da exposição que criou está mesmo na surpresa que causa nos olhares dos visitantes. "Quem vem aqui está buscando as fotos sociais e vai chegar aqui e conhecer um outro lado da Aline. Vai ver que a Aline fotografa outras coisas também.", comemora.

Foto de tela com duas fotos: trânsito do RJ e 
rave Foto de tela com quatro fotos em 
preto-e-branco Foto de tela com contraponto entre
duas casas noturnas

Contratada para um dia de exposição, Aline recebeu o presente de poder expor seus quadros por dez dias. Obstinada e ousada, a moça não pensou duas vezes antes de aceitar o convite e para que tudo saísse dentro do prazo previsto, estabeleceu metas diárias e enlouqueceu todos os envolvidos. "Eu tive que antecipar todos os prazos em uma semana. Ia nos responsáveis todos os dias... deixei todo mundo doido", conta.

A loucura de todos surtiu efeito. Espalhadas em algumas salas as telas de Aline atraem o olhar e é impossível não suspirar com o resultado final. Fotografias inusitadas, captadas por um olhar humano e atento a tudo o que está em volta, compõem essa mistura visual que revela as diversas fases da artista.

Foto de uma das salas da exposição Foto de Aline observando uma das
telas Foto de tela com fotos sociais

Entre as personalidades que já fotografou, Aline optou por colocar em exposição os nomes de destaque em Juiz de Fora. "É preciso valorizar o que é nosso. Se eu posso colocar o Gustavo Gianetti (ex-Mister Mundo), que é fruto da terra, por que vou colocar outro?", questiona.

Surpreendentemente, a tela favorita de Aline não foi fotografada por ela, mas é sua a concepção. Trata-se de uma foto de família, em preto-e-branco, tirada no aniversário de seu avô. "Já disseram uma vez que nem sempre um auto-retrato é você quem fotografa, mas você cria ele. Tenho um carinho especial por essa fotografia porque sem a minha família não existiria exposição, meu trabalho não faria sentido", confessa emocionada.

Com os olhos marejados, a artista garante que ver as telas expostas já a deixa realizada. "É claro que eu quero que as pessoas vejam, que gostem, que se identifiquem, que me conheçam mais e melhor, mas se vier uma só pessoa eu já estou no lucro. A maior realização é ver meu projeto colocado em prática", diz.

Foto de tela com três fotos de gastronomia Foto de  tela com foto da família de Aline em preto-e-branco Foto de tela com foto de borboleta

Aos convidados para o coquetel de lançamento da exposição nesta terça-feira, 16 de dezembro, Aline solicitou que levassem um quilo de alimento. O que ela pretende? Colocar o que conseguir dentro do carro e levar para alguma comunidade carente. Não tenho uma entidade em mente, quero colocar tudo no carro, pegar minha câmera e registrar a reação dessas pessoas. Quero dar isso a eles. Fui muito ajudada para fazer a exposição, quero devolver em mais ajuda para quem precisa.

Falta dizer alguma coisa, Aline? "Obrigada, isso sempre tem que ser dito muitas vezes...", declara.

A exposição Mistura Visual - olhares e suspiros pode ser conferida até o dia 19 de dezembro, de segunda a sexta-feira na Casa de Cultura ( avenida Rio Branco,3372, centro), das 13 h às 18 h.

*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF

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