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    Interpretações Antropomórficas mostra obras em madeira O artista plástico Maurílio Souza usou galhos e troncos de árvores
    frutíferas para esculpir formas essenciais de mulheres

    Clecius Campos
    Repórter
    12/5/2009

    Pitangueiras, goiabeiras e mangueiras dão mais que frutos na exposição Interpretações Antropomórficas do artista plástico Maurílio Souza. Inspirado na natureza e no símbolo feminino, o escultor e físico usou plantas de madeira rígida para esculpir suas obras.

    De acordo com o autor das esculturas, a ideia de buscar materiais alternativos surgiu da preocupação com o uso do cedro, árvore comumente usada em esculturas de madeira. "É uma planta que só pode ser vendida mediante certificação, com fonte identificada e autorizada a plantá-la para essa finalidade. Por isso escolhi outras matérias-primas que são de fácil plantio e que consigo em minha própria casa ou por meio de doação de amigos."

    Como o material não é de uso profissional, Maurílio teve que adaptar o processo de criação às peculiaridades de cada galho escolhido como matéria-prima. "A primeira peça esculpida para esta exposição foi feita com um galho da pitangueira que tenho em casa. O formato do tronco e a dureza da madeira me obrigaram a talhar apenas o essencial para chegar à forma que desejava." O resultado são esculturas em que imagens de mulheres confundem-se com o aspecto original de galhos e troncos.

    foto de uma obra da exposição foto de uma obra da exposição foto de uma obra da exposição

    Todas as peças representam mulheres. Segundo Maurílio, a intenção é retratar qualidades exclusivas do sexo feminino, reforçando o sagrado feminino, pouco comum na cultura ocidental. "Muitas culturas antigas apresentavam a árvore como uma deusa. Dando às plantas formas do corpo da mulher, consigo materializar essa relação."

    Maurílio permite, no entanto, que cada pessoa tenha sua própria interpretação sobre as obras. "Por esse motivo dei nomes de mulheres comuns às minhas peças. Preferi ainda não batizar duas delas (fotos abaixo), pois minha intervenção foi apenas a essencial."

    foto de uma obra da exposição foto de uma obra da exposição

    Como a intervenção é pouca, as peças apresentam muitas características da própria madeira, que dão efeitos inesperados às obras. "Numa delas, a ação de fungos formou lágrimas descendo do rosto da moça. Em outra, cupins deram um umbigo à barriga da mulher. Numa terceira, uma rachadura delineia exatamente a curvatura da coluna cervical de uma menina."

    foto de uma obra da exposição foto de uma obra da exposição

    Além das esculturas em madeira de árvores frutíferas, estão expostas uma obra feita de uma planta conhecida como falsa oliveira (que dá uma espécie de azeitona não comestível), uma obra em madeira e cerâmica e quatro fotografias do autor. Cópias de duas das fotos (O Brincalhão e Sorrateiro) fazem parte de uma exposição em Londres, que tem o objetivo de trocar obras de arte entre os artistas. "Fotografei minhas esculturas em meio a natureza e o resultado ficou interessante."

    foto de uma obra da exposição foto de uma obra da exposição foto de uma obra da exposição
    Maurílio Souza
    Maurílio é juizforano, doutor em ciência pela Universidade de Paris, na França, e após deixar a direção do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (Critt) da UFJF, em 2002, passou a dedicar-se exclusivamente às artes plásticas.
    Em Belo Horizonte participou de um curso de modelagem do corpo humano e escultura em madeira, no qual aperfeiçoou sua técnica.

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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