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    Nome do Colunista Carolina Fellet 25/07/2016

    “Desde pequeno sou fascinado pelas máquinas voadoras”

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    “Costumamos brincar, entre nós pilotos, que "voar é a segunda maior emoção conhecida pelo homem; pousar é a primeira"”. Confira a entrevista com o Piloto Comercial de Avião, Sergio Mojen de Faria!

    Carolina Fellet: Há pilotos na sua família ou no seu círculo de amizades? Por que você escolheu essa carreira?

    Sergio Mojen de Faria: Eu sou o primeiro "maluco" da família a entrar no mundo da aviação. Não tive nenhuma influência familiar; na verdade, meu pai odeia voar, e nem fui influenciado por amigos, mas desde pequeno sou fascinado pelas máquinas voadoras. Meu pai tem filmagens minhas olhando para as aeronaves que sobrevoavam nossa casa em São Paulo, e eu, com apenas 3 anos de idade, adorava ir buscar algum familiar no aeroporto – era uma programação que eu adorava mesmo.

    Sempre veio tudo naturalmente, o problema era conseguir alcançar o sonho, não foi fácil. Os amigos aviadores acabaram por vir, mas apenas após eu entrar na aviação.

    Carolina Fellet: O que é preciso fazer para se tornar piloto?

    Sergio Mojen de Faria: Estudar muito!!!!

    O candidato para se tornar piloto tem dois caminhos a seguir: os cursos profissionalizantes ou as faculdades de aviação – temos faculdades de Aviação Civil e Ciências Aeronáuticas. Isso para o piloto se preparar na parte teórica e depois realizar as provas da ANAC. Eu fiz curso profissionalizante em vez de entrar em faculdade, e, depois que o piloto já estiver apto na parte teórica, ele deve procurar um aeroclube ou uma escola de aviação e iniciar o treinamento prático. Aí vem um treinamento grande que envolve um bom investimento, até que o aluno se torne um piloto apto a voar "com as próprias asas".

    Até se tornar um profissional, o aluno passa por um curso teórico e prático de piloto privado e, após concluir essa etapa, o piloto volta à sala de aula para estudar para o curso de piloto comercial, instrumentos e multimotor. Após isso concluído e mais uma banca de provas da ANAC, o aluno volta ao treinamento de voo.

    Hoje no Brasil, o aluno se torna piloto comercial com 150 horas de voo, mas é muito difícil arrumar emprego com tão pouca experiência. Por isso, por muitas vezes, os pilotos se tornam instrutores para acumular mais horas e ganhar experiência.

    Carolina Fellet: Quando você decolou/aterrissou pela primeira vez? Qual foi a sensação?

    fotoSergio Mojen de Faria: A sensação de decolar e pousar é incrível, só mesmo um piloto para saber. Costumamos brincar, entre nós pilotos, que " voar é a segunda maior emoção conhecida pelo homem; pousar é a primeira".  Eu fiz meu primeiro pouso supervisionado com umas 6 horas de voo e meu voo solo, aquele que não tinha um instrutor do lado, com 16 horas. Foi incrível e não fiquei nunca, em nenhum deles, nervoso ou ansioso.

    Carolina Fellet: Qual foi a maior altitude em que você voou? E os desafios por que já passou nas alturas?

    Sergio Mojen de Faria: Em aviões não pressurizados, eu já fui a 10 mil pés mais ou menos uns 3.000 metros. É bem bacana, já passei por vários desafios, mas os maiores foram nos Estados Unidos, onde eu aprendi a voar por instrumentos, e é aí que o piloto tem noção da complexidade de voar sem ver nada lá fora, e ainda tinha o fator voar falando uma língua que não é a sua língua-mãe. Certa vez, voando com um amigo também brasileiro, eu pedi permissão para voar sobre a pista onde pousavam os ônibus espaciais no cabo Canaveral, na Flórida, é um espaço aéreo restrito e muito bem controlado. Mesmo assim, eu confiante no meu treinamento, pedi a autorização, ela foi concedida, e eu e meu amigo ficamos malucos de felicidade, tendo a oportunidade de voar em um local histórico e tendo o ponto de vista que astronautas também tiveram, foi muito bacana.

    Carolina Fellet: Como é a rotina de um piloto?

    Sergio Mojen de Faria: Depende do piloto. A aviação tem vários segmentos, e cada um deles, a sua peculiaridade. A rotina comum de todos eles é voar, mas uns voam mais do que outros. Hoje em dia, os pilotos de linha aérea voam um bom regime de horas mensais, mas não podem passar de 100 horas. Pilotos de taxi aéreo também voam bastante, pilotos executivos, que têm um patrão com sua própria aeronave, dependendo voam bastante, mas a rotina deles muda um pouco, pois, além de voar, o piloto executivo também cuida da aeronave, além de sempre ter de ficar de plantão caso o patrão queira voar.

    Carolina Fellet: Expor o corpo com frequência à cabine pressurizada lhe causa algum tipo de mal-estar? Os pilotos aposentam mais cedo devido a essa exposição?

    Sergio Mojen de Faria: Apesar de eu não voar em aeronaves pressurizadas, eu não conheço nenhum relato de pilotos em que eles se queixam de problemas devido à pressurização. As cabines mantêm uma pressão um pouco acima da do nível do mar, então não temos nenhuma diferença de pressão significativa, isso nunca causaria nenhum tipo de mal-estar e nem uma eventual aposentadoria adiantada, mas já ouvi reclamações de pilotos por conta do ar-condicionado, pois ficam com as mucosas e a pele muito secas.

    Carolina Fellet: Qual é o grande barato de pilotar? E o grande desafio?

    Sergio Mojen de Faria: Voar é a realização de um sonho para a maioria dos pilotos, a sensação é única, mas é para quem gosta, e nem sempre só para quem gosta. Já vi muitos casos de desistência por conta do corpo do candidato não se adaptar ao voo, isso é muito triste.

    O grande desafio de voar é estar sempre em conjunto com a máquina, trabalhando como um só, para que tudo saia como o planejado. E nem sempre tudo sai como planejado, aí entra a qualidade do treinamento e a experiência.

    Carolina Fellet: Há algum episódio memorável por que você já passou nas alturas?

    Sergio Mojen de Faria: Vários, um deles descrevi acima, que foi o voo no cabo Canaveral, outro foi levar minha irmã e meu irmão por um voo nos EUA e levar minha noiva por um voo em Juiz de Fora. Outros episódios foram as minhas aulas de instrução, cada um dos meus alunos deixou uma marca, e eles estavam ali para aprender comigo, mas também aprendi muito com eles. Fora o treinamento de voo acrobático que tive em Juiz de Fora; foi incrível.

    Pingue-pongue: 

    Um ídolo: Ayrton Senna.

    Uma frase: "É preferível estar aqui embaixo querendo estar lá em cima, do que estar lá em cima querendo estar aqui embaixo."

    Uma meta: Me tornar comandante de linha aérea.

    Links com vídeos de alguns voos feitos pelo entrevistado:

    Último Solo Curso INVA GoPro
    Acrobático Super Decathlon SBJF
    Vôo XQ ANAC SBJD - SDIO


    Carolina Fellet é jornalista e ama escrever sobre cotidiano e metafísica. Ela mantém a página Império do Mínimo no Facebook.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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