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    JF sedia 1º Encontro de Quilombolas da Zona da Mata Três mil descendentes de escravos que vivem em comunidades rurais isoladas desembarcam na cidade para debater promoção social e igualdade racial


    Fernanda Leonel
    Repórter
    23/03/2007

    Na região de Juiz de Fora existem 26 comunidades rurais, compostas por moradores descendentes de escravos, que vivem em comunidades isoladas, para tentar preservar costumes e traços da cultura de seus antecessores e moradores dos quilombos. E são esses moradores, das comunidades conhecidas como quilombolas que começam a desembarcar na cidade, na sexta-feira, 23 de março.

    A visita, tem fundo político e contestatório. A primeira edição do Encontro de Quilombolas da Zona da Mata e região das Vertentes, que tem Juiz de Fora como sede, promete discutir o futuro e a sustentabilidade dessas comunidades que possuem grande importância histórica e cultural para o país.

    Conforme explicou o vice-presidente do Centro de Referência Negra (Cerne), José Geraldo Azarias, conhecido como Zaca (foto abaixo), comunidades remanescentes de quilombos são grupos sociais cuja identidade étnica os distingue do restante da sociedade. Apesar de cada um dos quilombolas da região de JF, por exemplo, apresentar uma característica cultural mais ou menos definidas, a identidade e a cultura negra são mantidas vivas.

    foto Zaca do Cerne "Quando se fala em identidade étnica, trata-se de um processo de auto-identificação bastante dinâmico, e que não se reduz a elementos materiais ou traços biológicos distintivos, como cor da pele, por exemplo. Quilombolas são identificados assim e vivem em regiões como tal, de acordo como encontram sua ancestralidade comum, formas de organização política e social a elementos lingüísticos e religiosos", explica o ativista.

    As atividades do Encontro de Quilombolas começam nesta sexta-feira, dia 23, e vão até o próximo domingo, dia 25. O evento é parte integrante do Projeto Cidadania Quilombola desenvolvido pelo Cerne em parceria com a Secretaria Especial de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República.


    foto de comunidade quilombola foto de comunidade quilombola

    A discussão principal, de acordo com o vice-presidente do Cerne, está focada na viabilidade de ações para implantação de políticas de promoção social e igualdade racial das comunidades. Autoridades, representantes do Governo Federal, ativistas do movimento negro e os próprios moradores da regiões quilombolas participam de mesas de debates, palestras e grupos de discussão que, no final, deve resultar em uma "carta documento", que vai ser encaminhada para o Governo Federal.

    "Temos muito o que discutir. É verdade. Nessa semana mesmo, no dia 21, foi o dia de combate à discriminação racial e a gente fez questão de lembrar que ainda há muita coisa a ser feita. É claro que da discussão dos quilombolas outros temas ligados à igualdade racial devem surgir. Mas vamos focar na sustentabilidade dessa regiões mesmo e nas possibilidades da manutenção da sua identidade cultural", destaca Zaca.

    foto de comunidade quilombola foto de comunidade quilombola

    Para quem se interessa em participar do evento, as inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no Seminário Santo Antônio (Avenida Barão do Rio Branco, 4516) - palco para o evento regional. Haverá credenciamento e todos os participantes devem receber um certificado ao final do encontro.

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