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    Movidos pela vontade de incentivar a culturaUma professora e um coordenador de teatro uniram-se e fundaram a Fábrica de Cultura. Biblioteca corre o risco de fechar devido à concorrência com lan houses

    Aline Furtado
    Repórter
    19/12/2009

    Movida pela vontade de incentivar as pessoas a desenvolver o hábito da leitura, a professora Mônica Maria Calian Sarmento teve a ideia de montar, no bairro Ipiranga, onde mora, um espaço que pudesse ser aproveitado não apenas por leitores. "Sentia certa deficiência de locais como este, porque a biblioteca da escola onde trabalho não funcionava à noite e os alunos dependiam daquele lugar para fazer as pesquisas escolares."

    Naquela época, Mônica entrou em contato com o coordenador da Equipe de Teatro Simulação, Wellington Rodrigo Pereira, para que juntos pensassem em um possível espaço para a fundação do centro cultural. Assim, em setembro de 2005, foi fundada a Fábrica de Cultura em um local cedido pela Sociedade São Vicente de Paula (SSVP).

    A professora lembra que os livros não eram problemas naquela época. "Eu tinha conseguido muitos exemplares, graças a doações de familiares e conhecidos." Contudo, apesar de haver espaço suficiente e livros, não existia estrutura onde organizar o material. "Fomos a um mercado do bairro e lá conseguimos algumas estantes que não eram utilizadas."

    Rodrigo e MônicaEm 2006, o projeto foi aprovado e recebeu verba da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei Murilo Mendes), o que possibilitou a compra de mais estantes e de equipamentos, como um computador e ventiladores. Com o montante foi feita também a pintura do local. Ainda hoje as pessoas fazem doações de livros, os quais são entregues diretamente na sede ou são buscados por Pereira em um carrinho de mão. Entretanto, a frequência de leitores foi reduzida e não há incentivo financeiro para que a biblioteca avance.

    Mudança de hábito

    Com o avanço das lan houses, Pereira, responsável por orientar as pesquisas, aponta uma grande redução do público que frequentava o espaço. "A maioria vem para realização de pesquisas escolares. As crianças de até oito, nove anos ainda vêm por causa da leitura. Mas passada esta faixa etária, percebo que elas não vêm mais. Sinto que a escola não motiva seus alunos." Para ele, a facilidade com que o estudante copia da internet um trabalho solicitado na escola é um dos fatores que fizeram com que a frequência caísse na Fábrica de Cultura. "Se não informatizarmos este espaço, a tendência é fechar", lamenta.

    Planos

    Estante com livros Os planos para melhoria na Fábrica de Cultura são muitos. Na opinião de Pereira, o ideal seria transformar o local em um espaço multimídia, onde os frequentadores teriam acesso à internet, exibição de filmes e documentários por meio de data show, além de saraus e oficinas de teatro. "Esta seria a única maneira de despertar o interesse das pessoas e lidar com a concorrência das lan houses."

    A grande barreira para a realização destes planos é a falta de verba. "A única ajuda que temos é a doações de livros. As pessoas elogiam nossa iniciativa, mas não temos como realizar as melhorias porque não contamos com nenhuma ajuda financeira."

    Mônica conta que a legalização do Estatuto da Fábrica de Cultura está em andamento e acredita que após o registro em cartório poderão obter mais apoio, principalmente do poder público. "Mas não temos verba nem para efetuar o registro", constata Mônica.

    Reciclagem

    Como a biblioteca funciona há mais de quatro anos, os livros acabam ficando desatualizados. Mas isso não é problema para Mônica e Rodrigo. "Recolhemos edições mais antigas e vendemos para pessoas que fazem reciclagem de papel. O pouco que arrecadamos é revertido para a manutenção do local", relata a professora.

    A Fábrica de Cultura funciona de segunda a sexta-feira entre 14h30 e 17h30. O local fica na avenida Darcy Vargas, 590, bairro Ipiranga.

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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