Dificuldades Acessibilidade e Locomoção

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Ruas de JF oferecem verdadeiros desafios para cadeirantes Sonhos, lutas e dificuldades em busca de um futuro melhor


Thiago Werneck
Rep?rter
07/02/08

Equil?brio, for?a, velocidade e sorte. Caracter?sticas essenciais para atletas de diversos esportes e que hoje s?o imprescind?veis para um cadeirante de Juiz de Fora. As ruas est?o repletas de rampas inadequadas: muito inclinadas, estreitas demais ou deterioradas.

Essas caracter?sticas inibem a independ?ncia dos portadores de necessidades especiais que se locomovem com cadeiras de rodas. O equil?brio fica comprometido por conta de cal?adas inclinadas que podem provocar um tombo a qualquer momento. "Minha esposa n?o tem coragem de empurrar minha cadeira na Rio Branco (confira o local de todas as ruas em nosso mapa) de tanto que eu tombo em dire??o ao asfalto. ? um absurdo", se indigna o engenheiro e cadeirante, Wellington Lino Mendes Cavalcanti (foto abaixo).

Segundo Welington, a inclina??o lateral de cal?adas, mais baixas do lado do asfalto e altas na parte dos edif?cios est?o fora dos par?metros do C?digo de Posturas do Munic?pio. "A pr?pria prefeitura n?o respeita o c?digo e depois quer tirar nossas rampas das lojas. Tem que mudar tudo aqui, de 1 a 10, minha nota ? 2 para as condi?es de acessibilidade nas ruas do centro da cidade".

A indigna??o de Wellington aumentou, quando os fiscais de posturas da prefeitura exigiram a retirada de rampas de acesso aos portadores de defici?ncia, de tr?s grandes lojas do centro da cidade. "Eles alegaram que elas invadiam as cal?adas de forma irregular. Est?o certos, mas porque n?o consertam o asfalto, as rampas de garagem. S? mexem com a gente".

A justificativa dos fiscais ? "de que algu?m que andasse distra?do pelas ruas poderia trope?ar e sofrer algum acidente". Wellington alega que antes de pensar nisso eles deveriam corrigir outras falhas. "Rampas de garagem eles n?o tiram! Elas s?o tr?s vezes maiores e continuam l?".

Sobre o asfalto, o problema ? que as novas camadas asf?lticas que ficam na Avenida Get?lio Vargas s?o mais altas do que a cal?ada. "A gente n?o consegue pegar ?nibus e nem atravessar a rua sozinho, cria-se uma vala entre cal?ada e asfalto que prende as rodinhas das cadeiras. Quero ver os fiscais mandarem arrancar o asfalto", diz.

Bem humorado, Wellington desafia algum cadeirante a subir sozinho uma rampa que fica na Avenida Brasil. "Dou 500 pratas para quem conseguir. Se pegar velocidade para subir, ele n?o consegue parar e cai dentro do Paraibuna". O motivo da indigna??o ? a rampa (foto abaixo a direita) muito inclinada.

"O que pode causar surpresa ? saber que uma rampa dentro das normas custa o mesmo tanto que essas rampas in?teis, que t?m por exemplo, na esquina com Batista e Santa Rita, S?o Jo?o com Batista Oliveira. S?o os locais mais movimentados de Juiz de Fora e sem qualquer acessibilidade. At? mesmo a rua S?o Sebasti?o, considerada modelo nesse quesito, tem falhas", alega.

Os casos de ruas inclinadas pelas garagens s?o muitos, inclusive em diversos pontos da Avenida Rio Branco (foto abaixo entre Halfeld e Fernando Lobo). "Para fugir de pontos assim temos que ir para as ruas e muitas vezes somos insultados por motoristas. N?o temos equil?brio e isso acontece em v?rios pontos da cidade", fala.

Justi?a

A lentid?o de processos da justi?a tamb?m s?o apontados como uma das lutas de Wellington. "Se nos aeroportos tem tribunais especiais para resolver os problemas da crise a?rea, porque n?o fazem um para os portadores de necessidades especiais. Ele serviria s? para julgar causas que envolvam acessibilidade", questiona.

O indaga??o acontece porque Wellington move uma a??o na justi?a, porque um buraco em uma cal?ada do centro da cidade quebrou sua cadeira de rodas. "Se meu filho n?o estivesse comigo, n?o sei como teria sido. Agora tem milhares de processos na frente do meu e eu posso nunca ver a justi?a sendo feita. Por isso defendo juizados especiais para essas causas".

O engenheiro conta que os n?meros s?o seu maior aliado. "Tenho dados da Infraero que mostram que 110 milh?es de pessoas passam nos aeroportos por ano no pa?s. E dados no IBGE mostram que temos no m?nimo 15 milh?es de deficientes, o que multiplicado por 365 dias do ano d? mais de 5 bilh?es portadores de necessidades especiais. S?o 50 vezes mais pessoas", alega.

Como h? um tribunal especial s? para quem tem problemas nos aeroportos, Wellington j? mandou carta para minist?rio dos direitos humanos e at? para o presidente da rep?blica. "N?o sei como isso n?o acontece, para um deficiente ser respeitado nesse pa?s tem que entrar na justi?a comum e n?o se sabe quando a causa vai ser julgada", observa Wellington.

?nibus adaptados

Uma mat?ria que saiu em um jornal de TV local e di?rio deixou Wellington revoltado. "Falava que a tarifa da passagem aumentou por causa da compra de ?nibus adaptados. Isso ? um absurdo e eu provo isso em planilha. N?o sei se quem errou, se foi a reportagem ou a Gettran. Mas n?o ? verdade", afirma com convic??o.

Wellington mostra as provas de of?cios, contas, planilhas, respostas as cartas, tem fotos e tudo guardado para embasar seus argumentos. O medo dele ? que um novos aumentos sejam justificados por causa dos ve?culos adaptados. "Uma lei do Governo Federal obriga que em 2014 todos os ve?culos de transporte p?blico sejam adaptados. As empresas j? deviam comprar apenas ?nibus nesse formato. Quando chegar a data v?o falar que n?o estavam preparados e quem vai pagar a conta ? a popula??o", completa.

Nossa equipe procurou a Assessoria de Comunica??o da Prefeitura, mas at? o fechamento dessa edi??o nenhuma resposta foi dada.