Terça-feira, 13 de maio de 2008, atualizada às 12h44

Nos 120 anos da abolição da escravatura, comunidade negra luta por direitos básicos, como educação, moradia e alimentação


Priscila Magalhães
Repórter

Para o Conselho Municipal de Valorização da População Negra, o dia 13 de maio não é mais o dia da abolição da escravatura, mas o Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo. "Essa transformação aconteceu quando a abolição completou seu centenário, em 1988. Com isso, queremos chamar a atenção que o racismo não é um problema dos negros, mas de toda a sociedade", diz o presidente do Conselho, professor Flávio Carneiro.

Cento e vinte anos após a abolição, a população negra não tem acesso à educação, moradia e emprego, segundo Carneiro. "Quando a Princesa assinou a Lei, ela esqueceu de dizer onde iríamos morar, comer e estudar. Assim, a favelização, no Brasil, teve início em 14 de maio de 1888". Segundo ele, este é o motivo pelo qual a maioria dos negros é desempregado e analfabeto.

A comparação que Carneiro faz é com o fato de quatro milhões de brancos terem entrado no país e recebido casa, comida e emprego. "Enquanto isso, não recebíamos nada e passamos 120 anos sem nada", completa. Mas, segundo ele, o movimento negro é forte e já é possível perceber avanços. "Já temos quatro ministros negros e a nossa contribuição para a construção de Juiz de Fora já está sendo mostrada em exposição".

Uma das lutas mais importantes é a favor da implantação do sistema de cotas no país. Segundo ele, é um bem necessário temporariamente, até que as desigualdades entre negros e brancos diminuam. "É uma forma de tratar desigualmente os desiguais. É uma solução até um certo tempo, pois também queremos formar médicos, enfermeiros, professores e advogados".

Comemorações

Para fazer uma reflexão dos 120 anos da abolição, o conselho realiza nesta terça, 13 de maio, a partir de 14h, na Casa dos Conselhos ( rua Halfeld, 450) o projeto "Salve 13 de maio?".

Na programação estão as palestras "120 anos de abolição" e "Barack Obama e nós". "Vamos discutir sobre a possibilidade de os estados Unidos, maior potência, ser governada por um negro", acrescenta Carneiro.

Além das palestras, o conselho vai lançar o primeiro exemplar do informativo "Ações do Movimento Negro", e vai oferecer música e performance de dança afro com o Grupo Raiz da Liberdade.

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