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    Esquizofrênico, de 43 anos, tem braço amputado após ficar 17 horas amarrado em casa de saúde

    Centro de Referência em Direitos Humanos de Juiz de Fora está apurando o caso. Denúncia será encaminhada a Brasília, ao Ministério Público e à Câmara de Vereadores

    Raphael Placido
    Repórter
    2/07/2013
    ana maria edmar

    Um grave caso de suspeita de violação dos direitos humanos foi denunciado em coletiva à imprensa, na tarde desta terça-feira, 2 de julho, pelo Centro de Referência em Direitos Humanos de Juiz de Fora (CRDH-JF). O caso foi encaminhado pela dona de casa Ana Maria Souza Silva, de 33 anos. De acordo com ela, seu irmão Edmar de Souza, 43 anos, esquizofrênico, acabou tendo o braço esquerdo amputado acima do cotovelo, após uma série de supostas irregularidades cometidas pela Casa de Saúde Esperança e pelo Hospital de Pronto Socorro (HPS).

    A história, que culminou na amputação, começou no dia 29 de maio, quando Edmar, há cerca de anos internado na Casa de Saúde Esperança, se envolveu em uma briga com outro paciente. Por conta da agressividade, foi prescrita uma contenção mecânica, ou seja, ele ficou amarrado à cama. No dia seguinte, uma quinta-feira, havia visita de familiares. Foi quando a irmã do paciente percebeu um grande inchaço na mão esquerda de Edmar. A partir daí, começou a luta de Ana Maria para salvar o irmão.

    Ela lamenta a forma como o irmão foi tratado: "Há uma resolução que diz que pacientes em contenção mecânica precisam ser monitorados de hora em hora. É preciso verificar as condições da pele e da circulação. Ele foi amarrado às 15h30 e só foi solto às 8h30 do dia seguinte. Ou seja, ele ficou 17 horas amarrado! E a gente se pergunta: será que comeu? Será que foi ao banheiro? Ele disse que chorou, que gritou por socorro", afirma Ana Maria, que, ainda na quinta-feira, 30 de maio, começou a perceber que Edmar já estava sem sensibilidade em dois dedos da mão esquerda.

    Relatórios apontam para demora no socorro

    A secretária executiva do CRDH-JF Luciana Ribeiro, afirma que a denúncia chegou no dia 27 de junho, e que o órgão está apurando e colhendo informações sobre o caso, mas já é possível afirmar que está praticamente constatada "negligência e maus tratos, tanto na casa de saúde quanto no HPS", para onde Edmar foi levado em seguida.

    Ainda no dia 30, ao constatar que a mão estava fria e inchada, Ana Maria começou a exigir que o hospital psiquiátrico encaminhasse o irmão ao Pronto Socorro. Só muitas horas depois, o paciente foi encaminhado. "Demorou muito para conseguirem uma ambulância porque não havia um médico no Esperança, e, segundo a casa de saúde, apenas ele poderia solicitar a unidade do SAMU. Ao chegar ao HPS, meu irmão foi atendido no corredor, por apenas três minutos, por um médico que sequer tocou nele, e trazido de volta", afirma Ana Maria.

    No dia 2 de junho, após quatro dias de dor e sofrimento, Edmar foi novamente levado ao HPS, desta vez com a necessidade de um procedimento cirúrgico vascular de emergência, já que não havia pulso e fluxo sanguíneo. Naquele momento a família foi informada da possibilidade de amputação, pois o caso era gravíssimo. O paciente permaneceu internado até o dia 14 de junho, quando a família foi instruída a assinar um termo de autorização para a amputação do braço esquerdo acima do cotovelo, pois Edmar estava correndo risco de morte. O procedimento aconteceu no dia 18.

    "Se houvesse um socorro bem feito desde o início, ainda no dia 30, quando eu, inclusive, registrei um boletim de ocorrência, meu irmão teria perdido, no máximo, dois dedos. Estamos encarando isso tudo como um pesadelo. Se fosse um acidente, uma doença, algo inevitável, seria diferente. Ele pergunta pelo braço, mas não sei dizer a forma como ele está encarando isso", lamenta Ana Maria.

    Caso será encaminhado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

    De posse de vasta documentação, o CRDH-JF, que está dando todo o suporte à família, pretende encaminhar o caso até a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O Ministério Público e a Câmara Municipal também serão contactados.

    Ana Maria diz que pretende entrar na Justiça e processar o estado por danos morais. "Queremos divulgar este caso para que não volte a acontecer, nem com ele, nem com qualquer outro paciente. Ele está lá no Esperança e vai permanecer, pois não tem para onde ir. Acho importante ele estar de volta lá para que essa realidade seja mudada. Se todos os envolvidos tivessem olhado para o meu irmão com mais amor, com mais humanidade, não teria acontecido tudo o que aconteceu", finaliza.

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