Instituições filantrópicas atuam no combate a fome em Juiz de Fora

O agravamento da miséria já é uma realidade no Brasil

por Geíza Taianara da Silva - 04/08/2021

O agravamento da miséria já é uma realidade no Brasil, haja vista que o cenário posto pela pandemia aprofundou ainda mais as desigualdades sociais já existentes e intensificou a situação do desemprego enfrentada pelos brasileiros. Exemplo disso é a situação caótica de desespero e fome registrada em Cuiabá, que ganhou espaço na mídia nas últimas semanas, onde a população tem formado filas para receber doações de ossos com retalhos de carne, doados por um açougue local. A situação que impressiona lá se repete com outras nuances por todos os cantos do país.

O Brasil que outrora registrava expansão comercial, descobrimento do pré-sal e ascensão no mercado internacional abre vaga para um Brasil que estampa a capa do New York Times em abril de 2021 com a notícia do crescimento da fome. De volta ao Mapa da Fome da ONU, o Brasil de 2020 registrou cerca de 19 milhões de pessoas passando fome e 116,8 milhões em insegurança alimentar, segundo dados  do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), divulgados pela Agência Brasil em reportagem de 06/04/2021. Não muito distante de nós, Juiz de Fora registra segundo dados do Cadastro Único (cadÚnico) divulgados em reportagem de 11/04/2021 publicada no Portal do G1, cerca de 14.385 famílias em extrema pobreza.

Diante do cenário incerto e assolador, instituições filantrópicas de Juiz de Fora que já possuíam histórico de atendimento à população em situação de rua tem reunido esforços desde o início da pandemia para garantir pelo menos uma refeição diária para a população. Além do público que já era frequente, as organizações enfrentam também uma expansão significativa dos assistidos, englobando não mais apenas pessoas em situação de rua, mas famílias inteiras atingidas com a insegurança alimentar e nutricional.

Tais organizações também relatam que a população em situação de rua de Juiz de Fora, vem crescendo exponencialmente a cada dia no município. A garantia da política de segurança alimentar tem sido efetivada por essas organizações tanto pela entrega de marmitex, como pela entrega e cadastros para cestas básicas emergenciais e/ou regulares.

A Sopa dos Pobres que há 90 anos atende pessoas em situação de rua com refeição diária, registrou no período de 2021 um aumento significativo de famílias assistidas, e de 180 assistidos diariamente, teve um salto de até 250 atendimentos diários. A instituição realiza ainda doações esporádicas para a população de rua com kits de higiene pessoal, cobertores, kits de limpeza, além do acompanhamento social, do cadastro para cestas básicas e de divulgação de vagas de emprego como perspectiva de reinserção dos assistidos no mercado de trabalho. Dentre suas necessidades destaca-se alimentos, carnes e frango para confecção da sopa, cestas para entrega às famílias, materiais de higiene pessoal e cobertores para doações.

A Associação Beneficente Cristã Restituir que historicamente, ao longo dos seus 19 anos de existência ofereceu banho, roupas, corte de barba e cabelo todas as sextas-feiras para a população em situação de rua, vendo a emergência da fome e do desemprego, reconfigurou seus atendimentos para entrega de marmitex toda quarta-feira e cadastros para atendimentos mensais com cestas básicas para as famílias que comprovarem essa necessidade e residência em moradia fixa. Dentre suas necessidades destaca-se cestas básicas para as famílias cadastradas, alimentos para confecção das refeições, materiais de higiene e limpeza, roupas e cobertores para distribuição aos assistidos.

A população de Juiz de Fora conta também com a Fundação Maria Mãe, que é mantenedora há 38 anos da Obra Pequeninos de Jesus, que regular e historicamente oferece café da manhã e banho para a população em situação de rua, mantendo esse formato de atendimento durante a pandemia.

Atendendo hoje cerca de 150 pessoas diariamente, a entidade ainda oferece troca e lavagem de roupas, doações de kits de higiene pessoal e outros materiais, atendimento social, psicológico e odontológico para seu público-alvo. Marta Resende, assistente social e vice-presidente da organização, menciona que a necessidade atual da entidade é de recebimento de agasalhos, calçados, roupas, toucas, luvas e alimentos que compõem o café dos assistidos, tais como chocolate em pó, presunto e muçarela.
Identificando a necessidade de fortalecimento de ações na área da segurança alimentar, novas iniciativas vieram se consolidando, como a popularmente reconhecida Casa Amarela, que inaugurou suas atividades há três anos, mas diante da necessidade decidiu implementar em maio desse ano o atendimento com refeições, registrando de 160 a 200 marmitex distribuídos diariamente durante esse período da pandemia. Dentre as necessidades imediatas da instituição, a assistente social Vanessa Farnezi que coordena os trabalhos da entidade, registra a urgência em alimentos e gás para o preparo das refeições.

Para ajudar essas entidades com doações de alimentos não perecíveis, cesta básicas, cobertores, agasalhos, materiais de higiene e limpeza, roupas, gás, e outras necessidades, entre em contato nos endereços e telefones informados abaixo:

Fundação Maria Mãe – Rua 31 de Mario, nº 56 – Ladeira
Telefone: (32) 3212-5072

Associação Restituir – Rua Catarina de Castro, nº 85 – Morro da Glória
Telefone: (32) 3217-4371

Sopa dos Pobres – Rua Santo Antônio, nº 110 - Centro
Telefone: (32) 3211-8401

Casa Amarela. Rua Colsera, nº 42 – Centro
Telefone: (32) 3236-1160

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