BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve a garantia do ministro das Minas e Energia, Adolfo Sachsida, de que todos os "processos estratégicos" no âmbito da pasta serão suspensos nos últimos dois meses da atual gestão.

Entre as medidas que serão suspensas estão o processo de abertura do mercado de energia elétrica para baixa tensão, que inclui as residências, e o apoio a tramitação de projetos do Congresso.

A equipe de transição também quer suspender todos os procedimentos na esfera de óleo e gás, que estão no rol de responsabilidades da Petrobras, inclusive privatizações, como a do gasoduto Bolívia-Brasil. A Folha apurou que Sachsida se dispôs a intermediar uma reunião, mas deixou claro aos membros do grupo técnico que não pode interferir em uma empresa de capital aberto.

Na manhã desta terça (22), as ações da estatal estão caindo 4%, principal influência negativa da Bolsa.

O grupo técnico de Minas e Energia fez na manhã desta terça-feira (21) uma reunião como grupo de transição da pasta para discutir os termos da transição.

"[O ministro] nos informou que tomou a decisão de sustar ou suspender qualquer decisão de caráter estrutural e estratégico do Ministério [de Minas e Energia] até a mudança de governo", afirmou após o encontro o senador Jean Paul Prates (PT-RN), um dos coordenadores do GT.

"Também fizemos menção em relação a isso, se dentro disso, estariam incluídas as decisões que a Petrobras está tomando em relação a algumas vendas de ativos que estão em curso nesse momento, solicitamos essa providência para que o ministro estenda isso a Petrobras, vamos ter um diálogo com a Petrobras especificamente", completou.

Os temas referentes à Petrobras, no entanto, ainda precisam ser tratados com a diretoria da estatal, uma vez que não estão no âmbito decisório do Ministério das Minas e Energia.