SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cotado para comandar o Ministério da Fazenda no futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, participa nesta sexta-feira (25) de um encontro com representantes dos principais bancos do país.

O almoço é organizado anualmente pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e deve reunir representantes dos comitês executivos dos bancos e autoridades.

Haddad vai participar do evento representando Lula. O encontro terá uma apresentação sobre a atual conjuntura econômica feita pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Nesta quinta, o senador petista Jaques Wagner afirmou que a falta de um nome para ocupar a Fazenda no futuro governo tem sido um obstáculo para o avanço da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Transição, que busca abrir espaço no Orçamento para que Lula cumpra suas promessas de campanha.

Nesta sexta, Jaques Wagner também estará em São Paulo para se encontrar com Lula.

Com formação nas áreas de direito, economia e filosofia, Haddad é tido com um dos principais nomes para assumir o Ministério da Fazenda a partir de janeiro. Ele, no entanto, sofre resistência justamente do mercado financeiro.

A rejeição ao seu nome, no entanto, não é uma unanimidade e interlocutores de Haddad vêm intensificando conversas com bancos e corretoras, argumentando que o ex-ministro tem a previsibilidade como qualidade, o que seria positivo para aparar arestas e acalmar o mercado.

Nos bastidores, também tem sido sugerido que, no ministério, Haddad poderia ocorrer uma gestão semelhante à adotada por Antonio Palocci durante o primeiro governo Lula -o que seria visto como positivo pelo mercado- e mais distante daquele feito mais tarde pelo ex-ministro Guido Mantega, que sofre forte rejeição do empresariado.

Na última quinta-feira (17), após desentendimentos, Mantega comunicou sua renúncia à equipe de transição, apontando a intenção de adversários em "tumultuar" e "criar dificuldades para o novo governo".

Durante a instalação do gabinete de transição, a relação entre o futuro governo Lula e o mercado financeiro não tem sido das mais tranquilas. Falas do presidente eleito indicando uma valorização do social e uma menor atenção à responsabilidade fiscal repercutiram mal junto aos agentes financeiros e têm provocado turbulências na Bolsa.

Na última semana, por exemplo, Lula disse que responsabilidade fiscal é importante, mas que o investimento para melhorar a economia e o bem-estar no país também é.

"Nós sabemos que temos de ter responsabilidade fiscal. Não podemos gastar mais do que a gente ganha. Mas nós sabemos também que a gente pode gastar para fazer alguma coisa que tenha rentabilidade, para fazer o país crescer, melhorar", afirmou o petista, em um evento em Portugal.

Nesse cenário, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), tem aproveitado para reiterar que os governos anteriores de Lula foram marcados pela responsabilidade fiscal, mas que o presidente eleito não pode deixar de ressaltar a importância de combater a fome e manter o Bolsa Família (atual Auxílio Brasil) em R$ 600.

Apesar dos esforços de Alckmin e do PT, o futuro governo tem sido cobrado a anunciar logo o nome do futuro ministro da Fazenda.

Haddad, que é professor universitário e foi derrotado no segundo turno ao disputar o governo do estado de São Paulo, também já foi ministro da Educação e enfrentou Jair Bolsonaro (PL) no lugar de Lula em 2018, ano em que o atual presidente foi eleito.

Apesar de derrotado para o Palácio dos Bandeirantes, o petista teve um desempenho considerado surpreendente, saindo da eleição com capital político e a quase garantia de ocupar uma função de destaque no terceiro governo Lula.

Além da Fazenda, ele também é cotado para liderar o Itamaraty ou mesmo para o Ministério do Planejamento.

Seu almoço com os banqueiros, que irá ocorrer na zona sul de São Paulo, deve contar com cerca de 350 convidados e terá apresentação do presidente da Febraban, Isaac Sidney.