SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar avançava frente ao real logo após a abertura desta sexta-feira (25), acompanhando recuperação da divisa norte-americana contra pares arriscados no exterior e temores domésticos sobre qual será o texto final da PEC da Transição e quem o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva indicará ao cargo de ministro da Fazenda.

Às 9h15 (horário de Brasília), o dólar à vista avançava 0,31%, a R$ 5,3266 na venda. Na B3, às 9h15, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,30%, a R$ 5,3310.

Nesta quinta-feira (24), Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores, saltou 2,75%, aos 111.831 pontos. O dólar comercial fechou em queda de 1,08%, cotado a R$ 5,3110 na venda. No mercado de juros futuros, a taxa anual dos contratos DI (depósitos interbancários) para 2024 recuou de 14,58% para 14,30% ao ano, interrompendo uma sequência de fortes altas.

O desempenho positivo do mercado doméstico foi atribuído por analistas, principalmente, à sinalização de que o Congresso irá impor limites à PEC (proposta de emenda à Constituição) da Transição , que acomoda gastos com o Bolsa Família na futura gestão do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A cúpula do Congresso Nacional e lideranças partidárias concluíram que a PEC só tem chances de ser aprovada se tiver um prazo máximo de dois anos.

Também beneficiavam os indicadores domésticos notícias sobre a possibilidade de participação no governo Lula do economista Persio Arida e a redução da pressão dos juros globais após divulgação na véspera da ata do Fomc, o comitê de política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central americano).

Analistas reforçaram, porém, que o número reduzido de negociações -devido ao feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos e à estreia do Brasil na Copa do Mundo- provocou distorções nos indicadores.

Houve um "parou geral" no mercado brasileiro, segundo um operador que falou com a agência Reuters, quando a seleção brasileira de futebol entrou em campo. O volume financeiro negociado no fechamento desta sessão somava R$ 15,3 bilhões, volume muito parecido com os R$ 14,56 bilhões de giro registrados cinco minutos antes do início do jogo.

Ainda com impacto positivo no mercado, houve nesta quinta a dispersão de incertezas, mesmo que remotas, sobre um "terceiro turno" na disputa eleitoral. O ponto final sobre o tema foi colocado pelo presidente do TSE, Alexandre de Moraes, que indeferiu a ação da coligação do presidente Jair Bolsonaro (PL) que pedia a anulação do resultado de parte das urnas no segundo turno da corrida presidencial.